No último fim de semana, Rui Costa Pimenta, candidato do Partido da Causa Operária (PCO) à Presidência, debateu com Hertz Dias, do PSTU, no Podcast 3 Irmãos. O programa abriu espaço a candidaturas excluídas dos debates da grande imprensa. Samara Martins, da Unidade Popular (UP), e Edmilson Costa, do PCB, também foram convidados. Edmilson estava em viagem; Samara disse que daria prioridade a outro debate, mais amplo, marcado para o próximo sábado (26).
Em agosto, ativistas da UP foram à sede da Band protestar porque a emissora deixara Samara fora do debate presidencial. PCO, PSTU e PCB também não foram convidados e nunca recebem convites dos monopólios de TV da burguesia. A UP, porém, reivindicou espaço apenas para si. Um de seus integrantes afirmou nas redes sociais que cada partido deveria denunciar a própria exclusão. Para a UP, a censura só merece protesto quando atinge a UP. Não existe solidariedade com os outros partidos do mesmo espectro político.
No Podcast 3 Irmãos, Pimenta e Dias expuseram suas posições e responderam às perguntas. Samara guardou suas propostas para outra ocasião. Quem reclama da falta de espaço na televisão precisa explicar por que dispensa o espaço que lhe oferecem, principalmente em se tratando de um partido que se diz comunista e revolucionário. Um verdadeiro partido do proletariado utiliza todos os espaços e todas as oportunidades para esclarecer o público sobre a realidade política, econômica e social.
Além de fugir de debate com o PCO, a UP (quando tem algum poder para tal) ainda censura candidatos do PCO.
Em Santa Catarina, o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina, comandado pela Correnteza, movimento ligado à UP, organizou um debate entre candidatos a governador para 1º de outubro. Bruno Pedreiro, do PCO soube do evento por um estudante: o DCE não o convidou, embora tenha chamado candidatos da direita, inclusive do PL. Bruno comentou: “O pessoal da esquerda revolucionária que comanda o DCE prefere discutir política com o cara do PL do que com o operário do PCO”.
Ou seja, a UP chora por não ser convidada a debates, mas ela mesma não convida outros partidos de esquerda, particularmente o PCO.
Não é a primeira vez que a UP participa de uma tentativa de calar o PCO. No ato de 8 de março de 2024, em São Paulo, os responsáveis pelo carro de som, entre eles militantes da UP, impediram o PCO e o Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo de falar. Diante do protesto, chamaram a Polícia Militar. Um policial confirmou ao DCO que a corporação foi acionada pelo microfone do carro de som. Enquanto a PM agredia os militantes do PCO, do alto do carro de som ouviam-se deboches contra os militantes agredidos.
Recentemente, um perfil que se apresenta como ligado à UP publicou o protocolo de uma denúncia contra Vitor Lara, professor e militante do PCO, no Ministério Público do Rio de Janeiro. Acusou-o de “antissemitismo” por suas críticas a “Israel” e sua defesa do povo palestino. Acionar o Ministério Público contra uma posição política é uma forma de tentar resolver com repressão do Estado burguês aquilo que deveria ser discutido publicamente.
A UP gosta de se autopromover como partido comunista e revolucionário, mas é adepta de uma tática suja e covarde. Um partido revolucionário aproveita todas as oportunidades para levar ao público a sua política e o seu programa, não foge de debates. Só que, como a UP não tem política nem programa, e como ela passaria vergonha em um debate com o candidato do PCO, a candidata da UP preferiu se esconder.





