Mais de 50 famílias organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizaram uma manifestação na segunda-feira (31), diante da sede do Ministério Público Federal (MPF), em Palmas, no Tocantins.
Os trabalhadores protestaram contra uma tentativa de cancelar o Projeto de Assentamento (PA) Taboca, em Monte do Carmo, e substituir o processo por uma regularização individual de posseiros.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) publicou edital para selecionar famílias destinadas a 52 vagas no assentamento. As inscrições estão previstas para ocorrer entre 8 e 22 de setembro.
Segundo o MST, mais de 70 famílias permanecem acampadas na região. O movimento exige que o edital seja cumprido e que o projeto seja definitivamente homologado.
A disputa não começou agora. Desde o fim de 2025, os trabalhadores denunciam pressões de grileiros, invasões e ataques contra os acampados. Entre os episódios relatados estão incêndios provocados em plantações comunitárias e roçados utilizados para a subsistência das famílias.
Em alguns casos, os próprios trabalhadores tiveram de organizar grupos para combater as chamas com baldes e instrumentos improvisados, impedindo que o fogo alcançasse seus barracos.
Segundo os manifestantes, o cancelamento do assentamento poderia beneficiar apenas 10 posseiros. O MST afirma que não é contrário à participação dessas pessoas na reforma agrária, mas exige que todos sejam submetidos aos mesmos critérios previstos pelo programa.
A luta pelo PA Taboca mostra novamente a situação absurda da terra no Brasil.
Dezenas de famílias precisam acampar, enfrentar ameaças, incêndios e toda espécie de pressão para obter um pedaço de terra pública onde possam trabalhar. Ao mesmo tempo, grileiros e grandes proprietários encontram inúmeros caminhos para se apropriar de extensas áreas.
O problema agrário brasileiro não pode ser resolvido mediante a entrega individual de títulos e a liquidação dos assentamentos.
A terra deve servir a quem trabalha nela.
Os acampados exigem que o MPF cobre do Incra o cumprimento do próprio edital publicado pelo órgão. Uma reivindicação elementar, diante da possibilidade de que um processo oficial seja abandonado em benefício de interesses particulares.
A mobilização das famílias é o único meio seguro de impedir que o assentamento seja liquidado por decisões tomadas nos gabinetes.





