Famílias camponesas do Engenho Barro Branco, na Mata Sul de Pernambuco, e índios Guarani-Kaiowá da Retomada Aratikuty, em Mato Grosso do Sul, sofreram novos ataques durante a semana de 17 a 23 de agosto.
Em Jaqueira, Pernambuco, seguranças ligados à Agropecuária Mata Sul foram flagrados no dia 22 destruindo cercas e plantações mantidas pelos posseiros de Barro Branco.
A disputa pelas terras da antiga Usina Frei Caneca já resultou anteriormente em ameaças, destruição de propriedades e ações de grupos armados. Em setembro de 2024, dezenas de homens chegaram à região em caminhonetes e acompanhados de máquinas para destruir sítios, mas encontraram resistência das famílias.
No Mato Grosso do Sul, os Guarani-Kaiowá da Retomada Aratikuty enfrentaram novos ataques entre os dias 17 e 19. Segundo as denúncias divulgadas, policiais e homens armados participaram das ações contra a comunidade.
Casas e caixas-d’água foram destruídas e houve feridos. Crianças, mulheres grávidas e idosos estavam entre os moradores que permaneceram no local durante a ofensiva.
Em meio ao conflito, o deputado bolsonarista Marcos Pollon classificou as famílias como “terroristas” e falou em supostas “técnicas de guerrilha”.
A tentativa de apresentar camponeses e índios como uma ameaça de caráter militar serve diretamente aos interesses dos grandes proprietários. O latifúndio dispõe de terra, dinheiro, seguranças particulares e influência sobre o aparelho estatal; quem luta para permanecer no território é apresentado como criminoso.





