Moradores da região de São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo, bloquearam um trecho da Linha 12-Safira da CPTM na manhã de sexta-feira (18), durante um protesto por moradia. A mobilização atingiu a faixa ferroviária entre as estações São Miguel Paulista e Comendador Ermelino.
Por volta das 5h, manifestantes ocuparam a área dos trilhos e queimaram objetos sobre a via. A circulação passou a ocorrer apenas entre Calmon Viana e São Miguel Paulista e, no outro lado do bloqueio, entre Comendador Ermelino e Brás. A operação foi normalizada às 6h40.
A CPTM acionou ônibus do sistema Paese para o trecho interrompido. A Polícia Militar foi enviada às proximidades da estação São Miguel, e parte da Avenida Assis Ribeiro também ficou bloqueada.
Os grandes jornais deram destaque ao atraso dos trens e aos transtornos para os passageiros. A reivindicação que levou os moradores aos trilhos apareceu em segundo plano. Esse tratamento coloca os trabalhadores prejudicados pela falta de transporte contra aqueles que protestam por moradia, como se fossem grupos com interesses opostos.
São as mesmas famílias operárias que enfrentam aluguéis altos, despejos, ocupações sem infraestrutura e horas diárias em transportes lotados. Quando pedidos, cadastros e negociações não produzem nenhuma resposta, o bloqueio da linha impede o governo de continuar ignorando a reivindicação.
A moradia é um direito básico, mas construtoras, bancos e especuladores controlam grande parte do solo urbano. Há imóveis e terrenos ociosos enquanto famílias são empurradas para áreas distantes, sem serviços públicos e sob ameaça constante de remoção. O poder público protege a propriedade dos grandes grupos e envia a polícia quando os sem-teto protestam.
O episódio em São Miguel Paulista comprovou a força da ação direta dos moradores. Em menos de duas horas, eles alteraram a circulação de uma das principais linhas metropolitanas e levaram sua exigência ao centro do noticiário. A resposta necessária não é a repressão nem a transformação do protesto em crime, mas moradia para as famílias que lutam por ela.





