Mato Grosso do Sul

Índios denunciam despejo; Guarda Nacional impede militantes do PCO de chegar a retomada

Comunidade denuncia ordem de retirada, casas queimadas, ameaça de mais sangue e pede intervenção urgente. Equipe do PCO foi impedida de chegar à retomada

Nesta quinta-feira (17), a Comunidade Tapyi Kora – Limão Verde, do povo Guarani-caiouá, no Mato Grosso do Sul, divulgou uma carta urgente contra a ordem de despejo da Justiça Federal. No mesmo dia, militantes do Partido da Causa Operária que se deslocavam em direção à retomada relataram que a Guarda Nacional fechou as estradas e ameaça atacar os índios.

“A equipe do PCO estava indo em direção à retomada no MS mas a Guarda Nacional fechou as estradas e está ameaçando atacar os índios. Os índios estão em perigo! Os companheiros do PCO estão bem”, informou correspondente deste Diário.

O cerco aos Guarani-caiouá é mais um capítulo da ofensiva do latifúndio e do aparato repressivo estadual e federal contra as retomadas, no mesmo território em que, em abril, jagunços, o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e a Tropa de Choque da PM atacaram a retomada do tekoha Tapykora Korá / Tapy’i Kora, entre Amambai e Coronel Sapucaia. Naquela ocasião, a Reserva Limão Verde também foi alvejada com tiros e bombas. Índios foram presos. Relatos de violência contra mulheres circularam. 

O Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena está emperrado desde 2008. A Reserva Limão Verde, criada em 1928 com cerca de 2 mil hectares, hoje deixa os Caiouá e os Guarani confinados em pouco mais de 600 hectares, enquanto o latifúndio avança sobre o tekoha.

No começo de setembro, a APIB voltou a denunciar a destruição de casas em Tapy’i Kora, ação atribuída a policiais e fazendeiros. Agora a Justiça Federal entra em cena com a ameaça de retirada.

Na carta, os índios denunciam aquilo que as autoridades fingem não ver: violência e ameaças de fazendeiros, policiais e pessoas armadas; casas destruídas e queimadas à noite; medo entre crianças, idosos e lideranças; abandono do poder público; ameaça e possível contaminação dos rios; destruição de matas e animais.

“Nós estamos defendendo nosso direito ao território tradicional e à vida digna, conforme os direitos reconhecidos aos povos indígenas pela Constituição Federal e pelos instrumentos nacionais e internacionais de proteção dos povos indígenas”, diz a carta.

No fim, os índios deixam o seguinte recado:

“Queremos deixar registrado que nossa comunidade não vai sair do seu território tradicional. Despejo para nós é morte e vai derramar mais sangue. Se acontecer despejo, queremos viver, proteger nosso território, cuidar de nossas famílias e preservar nossa cultura e nossa espiritualidade.”

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