A líder comunitária Josiene Dias de Assunção Maia foi assassinada a tiros no Rio de Janeiro. Ela foi encontrada dentro de um automóvel na Taquara, na zona sudoeste da capital, no domingo. A Delegacia de Homicídios da Capital investiga o crime.
Segundo familiares, Josiene havia acabado de deixar a sogra em casa depois de participar de uma festa infantil quando foi abordada pelos assassinos. A Polícia Civil afirmou que as investigações ainda estão no início e não divulgou informações sobre a autoria ou a motivação.
Josiene era conhecida pela atuação comunitária em Curicica e na Colônia Juliano Moreira. Participava de ações destinadas aos moradores, inclusive iniciativas para facilitar a emissão de documentos. Trabalhava também com Felipe Pampolha, candidato a deputado estadual. Ela deixa a esposa e dois filhos.
A execução ocorreu em uma região atravessada por violentas disputas entre traficantes e milicianos. Na mesma noite, outros três homens foram mortos em diferentes episódios na zona sudoeste, embora a polícia tenha descartado, até o momento, uma relação entre esses crimes e o assassinato da líder comunitária.
A situação na região chegou ao ponto de 14 ônibus serem tomados para servir de barricadas na Muzema e na Taquara. Policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) também foram atacados a tiros na Tijuquinha.
O assassinato de uma pessoa que exercia atividade pública em sua comunidade, em uma área disputada por grupos fortemente armados, mostra o grau de decomposição social.
Não é possível afirmar, com as informações existentes, que o crime tenha relação com a atividade comunitária de Josiene ou com a disputa entre milícias e tráfico. Essa resposta depende da investigação.
O que já está diante da população é uma região inteira submetida à presença de forças armadas paralelas que disputam territórios, controlam serviços e transformam bairros populares em campos de batalha.
A história das milícias cariocas torna ainda mais grave o problema. São grupos que cresceram a partir de relações com integrantes ou ex-integrantes das próprias forças de segurança e adquiriram um poder econômico e militar gigantesco.
A população trabalhadora fica espremida entre facções, milícias e operações policiais, sem qualquer controle sobre as forças que determinam sua vida cotidiana.
O esclarecimento do assassinato de Josiene é indispensável. É preciso saber quem ordenou e executou o crime e por qual motivo.





