A Polícia Militar do Rio de Janeiro anunciou que permanecerá por tempo indeterminado em áreas do chamado Complexo de Israel, na Zona Norte da capital. A região vem sendo alvo de sucessivas operações desde sexta-feira (21).
Cidade Alta, Pica-Pau, Cinco Bocas, Parada de Lucas e Vigário Geral estão entre as localidades atingidas. A PM informou que manterá tropas especialmente em Parada de Lucas, Pica-Pau e Cinco Bocas.
Na segunda-feira (24), mais de 200 policiais participaram de uma nova incursão. Os confrontos provocaram o fechamento da Avenida Brasil, da Linha Vermelha e da Rodovia Washington Luís durante parte da madrugada.
A circulação dos moradores também foi afetada. Caminhões foram incendiados e pelo menos 20 linhas de ônibus precisaram alterar seus trajetos.
Um motorista de ônibus foi baleado quando se dirigia ao trabalho e precisou passar por cirurgia. Escolas também suspenderam atividades durante os dias de operação.
A justificativa apresentada pelas forças policiais é o combate a grupos criminosos que atuam na região. Para quem mora nas comunidades, porém, a consequência imediata é outra: bairros inteiros ficam submetidos a tropas fortemente armadas e a confrontos dos quais a população procura apenas escapar.
A decisão de não estabelecer prazo para a retirada transforma uma operação policial em ocupação permanente. O trabalhador que sai de madrugada para trabalhar, a criança que precisa ir à escola e quem depende de transporte público passam a viver sob uma situação militar cuja duração nem sequer foi definida.



