O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou o policial militar Vinicius Vieira Moraes pelo assassinato de Eduardo de Castro Ornellas, jovem negro de 26 anos morto durante uma perseguição policial em São Gonçalo.
De acordo com imagens, perícias e depoimentos reunidos no inquérito, Eduardo estava desarmado, a pé e de costas quando foi atingido por dois disparos. Um dos tiros acertou seu pescoço e provocou o ferimento fatal. Durante a perseguição, o policial teria gritado “vai morrer” antes de atirar.
O crime ocorreu em 31 de maio. Eduardo conduzia uma motocicleta com a namorada na garupa quando foi abordado por policiais. Ele acelerou, os dois caíram e a jovem, que ficou ferida, permaneceu no local. Eduardo tentou fugir a pé e passou a ser perseguido.
Vinicius admitiu ter efetuado os disparos. A denúncia foi recebida pela 4ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo. O PM responde por homicídio qualificado, pelo recurso que dificultou a defesa da vítima, e pelo emprego de arma de fogo de uso restrito.
Após pedido do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público, o policial também foi afastado das atividades operacionais armadas.
O assassinato se soma à longa lista de jovens mortos pela polícia no Rio de Janeiro. A política de segurança pública do Estado transforma bairros pobres e periferias em território de operações permanentes, nas quais a população é tratada como inimiga.
Eduardo estava desarmado e corria de costas quando foi baleado, segundo a própria investigação. O episódio desmente mais uma vez a propaganda de que a violência policial seria simplesmente uma reação a criminosos armados.




