Sergipe

Prefeitura transforma garis em ‘empresários’ para retirar direitos trabalhistas

Em município sergipano, 21 dos 33 trabalhadores da limpeza foram contratados como MEI para realizar serviço permanente

A Justiça do Trabalho condenou o município de Riachão do Dantas, no centro-sul de Sergipe, pela utilização de microempreendedores individuais (MEIs) para realizar trabalhos permanentes de limpeza urbana.

Dos 33 trabalhadores responsáveis pelo serviço, 21 atuavam formalmente como pequenos “empresários”. Apenas 12 eram servidores estatutários.

Na realidade, os supostos empresários varriam ruas, faziam capinação e recolhiam resíduos para a prefeitura.

O Ministério Público do Trabalho de Sergipe levou o caso à Justiça depois de não conseguir um acordo com a administração municipal. A decisão determina que a prefeitura deixe de utilizar pessoas jurídicas, inclusive MEIs, para suprir necessidades permanentes de mão de obra.

O mecanismo é simples: no papel, o trabalhador deixa de ser empregado e se transforma numa empresa.

Com isso, desaparecem direitos que deveriam acompanhar a relação de trabalho, como férias remuneradas, 13º salário, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), seguro-desemprego e demais garantias.

Não se trata de um profissional independente que possui clientes e organiza livremente seu trabalho. Os garis realizavam uma tarefa cotidiana e indispensável à administração municipal.

A transformação artificial desses trabalhadores em empresários serve para transferir os custos da contratação para quem trabalha e retirar direitos.

O agravante é que a própria prefeitura utilizou esse método.

O poder público, que deveria garantir o respeito à legislação trabalhista, adotou um sistema normalmente associado aos patrões que procuram reduzir despesas com seus empregados.

Na limpeza urbana, isso é ainda mais grave. Os trabalhadores estão expostos diariamente a objetos cortantes, lixo contaminado, produtos químicos, poeira e acidentes.

São justamente aqueles que exercem uma atividade pesada e perigosa que aparecem transformados juridicamente em “empresas”.

A chamada pejotização tornou-se um recurso cada vez mais utilizado pelos capitalistas para destruir os vínculos trabalhistas conquistados ao longo de décadas.

O caso de Sergipe mostra que as próprias administrações públicas estão recorrendo ao mesmo expediente.

A decisão judicial impede essa forma de contratação em Riachão do Dantas. Para além do processo, os trabalhadores precisam se organizar para impedir que o emprego regular seja substituído pela ficção de que cada empregado é um empresário negociando em igualdade de condições com o patrão.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.