Mais de 700 professores de escolas particulares de Belo Horizonte e da região metropolitana decidiram manter a greve por tempo indeterminado. A votação ocorreu em assembleia na sexta-feira (18), dois dias depois do início da paralisação.
A categoria rejeitou novamente a exigência do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG) de dividir, a partir de 2027, a Convenção Coletiva de Trabalho entre a educação básica e o ensino superior. Hoje, o mesmo documento estabelece salários, benefícios e direitos para os professores dos diferentes níveis.
Os patrões condicionam a assinatura do acordo salarial à aceitação do fracionamento. É uma chantagem: as escolas vinculam até a reposição das perdas salariais à aprovação de uma mudança que enfraquece a organização coletiva.
Os professores reivindicam a renovação integral da atual Convenção e reajuste de 3,77%, correspondente à inflação medida pelo INPC. Não há ganho real na proposta. A categoria luta para não receber menos e para impedir que direitos já conquistados sejam desmontados durante a negociação.
A divisão pretendida pelo Sinepe-MG permitiria aos donos das instituições negociar separadamente com grupos menores, aproveitar as diferenças entre os setores e impor condições piores onde a mobilização fosse mais fraca. Bolsas de estudo, isonomia salarial e outras cláusulas ficariam mais expostas aos ataques patronais.
Uma audiência de mediação está marcada para segunda-feira (21), às 14h30, no Tribunal Regional do Trabalho. Os grevistas pretendem realizar um ato em frente ao tribunal durante a reunião. Uma nova assembleia ocorrerá na terça-feira (22), às 9h30, para avaliar o movimento.
Ao manter a greve, os professores responderam diretamente à chantagem patronal. A categoria recusou trocar o acordo salarial pelo enfraquecimento de sua própria organização.





