A Polícia Militar da Bahia impôs uma sanção de seis meses às torcidas organizadas Bamor, do Bahia, e Os Imbatíveis, do Vitória, após o grave confronto ocorrido antes do clássico Ba-Vi de 23 de agosto.
Durante o período, integrantes das duas organizações não poderão comparecer identificados como membros das torcidas a eventos esportivos estaduais, nacionais ou internacionais. Estão proibidos faixas, cartazes, bandeiras, camisas e até instrumentos musicais.
O confronto na Via Regional, em Cajazeiras, resultou na morte de José Alexandre Souza Borges, integrante da Bamor, assassinado a facadas. Seis pessoas foram presas e tiveram suas prisões convertidas em preventivas. Elas são investigadas por crimes que incluem homicídio qualificado e tentativa de homicídio.
A violência deve ser investigada e seus responsáveis precisam responder individualmente por aquilo que fizeram.
É precisamente por isso que a punição aplicada às torcidas é errada.
Existem suspeitos presos e investigações em andamento para determinar quem matou, feriu ou portava armas. Em vez de limitar a responsabilidade às pessoas envolvidas, a PM decidiu atingir duas organizações inteiras durante seis meses.
Milhares de torcedores que não tiveram qualquer participação na briga ficarão impedidos de utilizar símbolos, instrumentos e roupas de suas torcidas.
É uma punição coletiva.
A medida não combate as causas da violência no futebol. Serve principalmente para ampliar o poder policial sobre as arquibancadas e enfraquecer organizações populares que fazem parte da história dos clubes.
As torcidas organizadas não são apenas grupos que comparecem aos jogos. Desenvolvem festas nas arquibancadas, excursões, atividades sociais e formas próprias de organização de milhares de jovens e trabalhadores.
Proibir suas bandeiras e seus tambores não impedirá um indivíduo de cometer um crime.
A política de repressão às torcidas já levou a dezenas de jogos com torcida única, restrições a materiais, proibições de entrada e perseguição permanente aos agrupamentos. E a violência não desapareceu.
Se houve homicídio, que os responsáveis sejam julgados pelas provas existentes. O que não se pode aceitar é que um crime seja utilizado para condenar coletivamente milhares de pessoas que não participaram dele.





