O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao Governo de Santa Catarina, Bruno Pedreiro, foi entrevistado pelo Band Cidade, da TVBV, e apresentou as principais posições de sua campanha e discutiu problemas do Estado e do País.
Logo no início, destacou o espaço concedido para expor o programa do partido. Para Bruno, o PCO não participa das eleições para alimentar a ilusão de que a simples escolha de um governador resolverá os problemas da população. A campanha deve servir para apresentar uma saída política própria e favorecer a organização dos trabalhadores.
Ao abordar a situação econômica, relacionou os ataques atuais ao processo aberto pelo golpe de 2016. Desde então, afirmou, a população trabalhadora vem sofrendo sucessivas perdas enquanto uma parcela enorme dos recursos públicos é destinada aos bancos e ao capital financeiro.
O dinheiro que falta à saúde, à educação e a outros serviços essenciais, destacou, é drenado por uma política econômica voltada aos interesses do sistema financeiro.
Por isso, o PCO se coloca contra as privatizações e as parcerias público-privadas, defendendo que os recursos do Estado sejam utilizados para atender às necessidades da população.
Na segurança pública, Bruno apresentou uma posição de ruptura com o modelo atual.
O PCO propõe o fim da Polícia Militar e uma reorganização completa do sistema de segurança. Para o partido, a estrutura policial existente funciona principalmente como instrumento de repressão contra a população pobre e os trabalhadores.
Bruno também se manifestou pela revogação das leis antidemocráticas aprovadas especialmente desde 2016, pela legalização das drogas e pelo direito da população à autodefesa.
A criminalidade, afirmou, não será resolvida simplesmente com mais repressão. Emprego, salário e condições dignas para que as famílias possam sobreviver são fundamentais para enfrentar as causas sociais da violência.
Ao tratar da violência contra as mulheres, rejeitou a ideia de que a aprovação de novas leis, por si só, seja capaz de solucionar o problema. O programa do PCO inclui o direito à autodefesa e a organização de comitês pelas próprias mulheres.
Bruno também criticou a interferência de organismos estrangeiros nas instituições policiais e judiciais brasileiras. Para ele, a atuação de serviços ligados às potências imperialistas dentro dos aparelhos de Estado constitui uma violação da soberania nacional.
No debate sobre infraestrutura, apresentou a necessidade de um grande programa de desenvolvimento.
Entre as propostas está a ampliação da malha ferroviária, com a construção de uma rede capaz de ligar diferentes regiões do País e melhorar o transporte de mercadorias e passageiros.
A realização desse programa, porém, depende da retomada da indústria nacional.
Bruno criticou os juros elevados impostos pelo Banco Central, que favorecem a especulação financeira e dificultam investimentos produtivos. O Brasil, afirmou, precisa recuperar sua capacidade industrial, com atenção especial aos setores de tecnologia.
O desenvolvimento econômico deveria permitir a criação de empregos e oferecer à população condições concretas de melhorar de vida.
Questionado sobre turismo e cultura, observou que Santa Catarina já possui forte atividade turística, especialmente em Florianópolis. O setor, em sua avaliação, deve ser desenvolvido com a participação das pessoas que nele trabalham, em vez de ficar exclusivamente nas mãos de burocratas e empresas.
As privatizações voltaram ao centro da entrevista quando foi abordada a situação dos serviços públicos.
Bruno mencionou a Celesc e criticou as tentativas de entregar a companhia ao capital privado. Para o PCO, empresas e serviços fundamentais devem permanecer sob controle público.
A entrevista terminou com uma defesa da organização política independente da população.
Bruno afirmou que os trabalhadores não devem confiar que os políticos tradicionais resolverão seus problemas depois das eleições. O objetivo da candidatura do PCO é utilizar a campanha para apresentar um programa de luta e contribuir para a mobilização popular.
Para o partido, mudanças profundas nas condições econômicas e políticas do País dependerão da ação organizada dos próprios trabalhadores, e não de soluções impostas de cima para baixo.





