PCO nas eleições
Expedito Mendonça critica ambientalismo ongueiro e defende bomba atômica
Candidato ao governo falou sobre privatizações, liberdade de expressão, soberania nacional e organização dos trabalhadores
O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao Governo do Distrito Federal, Expedito Mendonça, participou do programa Conexão DF, onde apresentou as principais posições de sua campanha e debateu problemas do DF e da política nacional.
Mineiro de Pirapora, Expedito chegou a Brasília ainda criança, em 1963. Servidor público federal e formado em História, relatou durante a conversa sua ligação de mais de seis décadas com a capital e recordou episódios da repressão contra a Universidade de Brasília (UnB) durante a ditadura militar.
Ao tratar de sua trajetória política, explicou que a Causa Operária surgiu antes mesmo da fundação do Partido dos Trabalhadores e posteriormente integrou o PT como corrente interna. A ruptura ocorreu diante das divergências com a política de alianças com a burguesia que a direção petista começava a adotar.
Segundo Expedito, o afastamento do PT de suas antigas bandeiras foi progressivo. O partido abandonou referências ao socialismo e passou a estabelecer acordos cada vez mais profundos com setores da burguesia. Ainda assim, rejeitou classificá-lo simplesmente como uma organização de direita, considerando que continua pertencendo à esquerda, embora tenha caminhado fortemente para o centro.
A situação das liberdades democráticas ocupou parte importante da conversa.
Expedito denunciou a operação realizada pela Polícia Filial na casa do presidente nacional do PCO, Rui Costa Pimenta, em 11 de agosto. Para o candidato, a ação faz parte de uma perseguição contra o partido por suas posições políticas, particularmente pelas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e pela defesa da Palestina contra o Estado de “Israel”.
Ele afirmou que o PCO mantém uma defesa irrestrita da liberdade de expressão, inclusive quando a censura atinge seus adversários.
Essa posição também apareceu quando os apresentadores levantaram o problema do STF. Expedito criticou o enorme protagonismo adquirido pelos ministros da Corte e sustentou que nenhuma decisão individual pode se sobrepor aos direitos previstos na Constituição.
O candidato observou que, há algumas décadas, os ministros do Supremo praticamente não eram personagens conhecidos da população. Hoje, tornaram-se figuras centrais da vida política, com enorme poder sobre partidos, eleições e cidadãos.
Expedito relacionou esse problema às restrições impostas aos pequenos partidos. Segundo ele, as mudanças na legislação eleitoral reduziram drasticamente o espaço dessas organizações na televisão e concentraram os recursos da campanha nas grandes legendas.
Na avaliação do candidato, não cabe a ministros ou tribunais decidir previamente quais forças políticas merecem chegar ao eleitorado. Essa decisão deve pertencer à própria população.
Questionado sobre o Distrito Federal, Expedito defendeu a retomada pelo Estado de serviços entregues à iniciativa privada.
Um dos exemplos citados foi a distribuição de energia elétrica. O candidato criticou a privatização do antigo sistema público e afirmou que uma administração do PCO trabalharia pela reestatização do setor.
Também atacou a concessão da Rodoviária do Plano Piloto e a cobrança dos estacionamentos na região central de Brasília. Para Expedito, decisões desse tipo foram tomadas sem consulta aos moradores e subordinam serviços públicos à busca de lucro das empresas.
O candidato reconheceu que um governo do PCO enfrentaria os limites impostos pela legislação e pelas demais instituições. Por isso, afirmou que medidas mais profundas dependeriam da mobilização popular.
“Você teria que mobilizar a população”, explicou durante a entrevista, ao discutir como enfrentar os obstáculos à aplicação do programa partidário.
No debate sobre a jornada de trabalho, Expedito apresentou a proposta histórica do partido de 35 horas semanais, distribuídas em cinco jornadas de sete horas, sem redução salarial.
Ele diferenciou ainda os pequenos e médios empresários dos grandes monopólios. Na sua avaliação, os primeiros também são sufocados pelo sistema tributário e pela concentração econômica.
Expedito criticou especialmente os impostos sobre o consumo. Como os trabalhadores gastam praticamente toda sua renda com necessidades imediatas, esse modelo faz com que os pobres sejam proporcionalmente mais atingidos.
A política econômica apareceu novamente quando o candidato falou sobre a dívida pública. Expedito denunciou a enorme quantidade de recursos destinada ao serviço da dívida, em benefício dos bancos, enquanto faltam verbas para saúde, educação, habitação e outras necessidades sociais.
O desenvolvimento nacional foi um dos assuntos mais debatidos.
Expedito defendeu que o Brasil desenvolva plenamente sua tecnologia nuclear, inclusive para fins militares. Segundo ele, a posse dessa tecnologia é uma questão de soberania diante das grandes potências.
O candidato também se manifestou favoravelmente à exploração do petróleo na Margem Equatorial. Criticou o ambientalismo ongueiro financiado por banqueiros que impede o aproveitamento das riquezas naturais do País e afirmou que desenvolvimento e preservação ambiental não são incompatíveis.
Para Expedito, a defesa da soberania brasileira exige necessariamente uma política contrária ao imperialismo.
Ele citou a China como exemplo de um país que abriu espaço para investimentos privados sem entregar aos capitalistas estrangeiros o controle de suas decisões políticas. Também defendeu o direito do Irã ao desenvolvimento nuclear e criticou a atuação dos Estados Unidos contra países que procuram seguir uma política independente.
A Operação Lava Jato foi mencionada nesse debate. Expedito lembrou a prisão do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, um dos principais nomes do programa nuclear brasileiro, e caracterizou a Lava Jato como uma operação que atingiu empresas e setores estratégicos da economia nacional.
Na questão da segurança pública, o candidato afirmou que o crescimento das facções criminosas não pode ser compreendido sem considerar suas relações com setores do aparelho estatal.
Expedito também criticou a violência policial e rejeitou a pena de morte. Para ele, uma redução efetiva da criminalidade depende principalmente da melhoria das condições sociais da população.
A entrevista terminou com uma defesa da participação direta dos trabalhadores na vida política.
Expedito afirmou que o PCO não considera suficiente conquistar cargos no Executivo ou no Legislativo. Um mandato, segundo ele, deve ser utilizado para favorecer a organização popular e ajudar os trabalhadores a impor suas próprias reivindicações.
Para o candidato, os problemas fundamentais do País não serão resolvidos por políticos que recebem votos a cada quatro anos e depois governam sem qualquer controle da população.
A proposta do PCO, afirmou Expedito, é justamente ampliar a organização independente dos trabalhadores e lutar por um governo submetido a eles, e não aos grandes capitalistas e às instituições burocráticas do regime.





