No próximo domingo, 27 de setembro, militantes, candidatos e apoiadores do Partido da Causa Operária (PCO) irão se reunir em São Paulo para o ato nacional Rui Presidente. A concentração começará às 11 horas, na Praça Oswaldo Cruz, na Avenida Paulista, e contará com Rui Costa Pimenta, candidato do PCO à Presidência da República, e Antônio Carlos Silva, candidato a vice-presidente.
Militantes de Pernambuco, Bahia, Ceará, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Amapá, Piauí, Rio Grande do Norte e Alagoas estão organizando caravanas. A manifestação concentrará em São Paulo o trabalho realizado nas ruas desde o lançamento da chapa presidencial, em 8 de agosto.
Nas últimas semanas, Rui Costa Pimenta esteve nos lançamentos do Partido no Rio de Janeiro, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Em todos eles, discutiu as reivindicações locais, denunciou a perseguição contra o PCO e defendeu um programa próprio dos trabalhadores.
A candidatura de Rui não busca um lugar entre os políticos profissionais submetidos aos grandes capitalistas. O PCO utiliza a eleição como tribuna para defender salário, trabalho e terra, denunciar a ditadura do Judiciário e organizar a luta pelo governo operário e pelo socialismo. No dia 27, militantes que participaram dessas atividades voltarão a se encontrar em São Paulo.
Rio de Janeiro: campanha começa sob ataque da Polícia Federal
A primeira viagem dessa rodada ocorreu em 15 de agosto, no Rio de Janeiro. Mais de 100 pessoas participaram das atividades realizadas na Rua da Lapa, no centro da capital fluminense. Às 15 horas, Rui conduziu a Análise Política da Semana, transmitida naquela data diretamente do Rio.
O encontro ocorreu apenas quatro dias depois da operação da Polícia Federal contra Rui Costa Pimenta, dirigentes e militantes do PCO. Agentes haviam invadido a residência do candidato no dia 11 e apreendido seu telefone, passaporte e discos rígidos. A ofensiva incluiu ainda o bloqueio de contas e bens de integrantes do Partido. Na transmissão, Rui denunciou a operação como perseguição política deflagrada no começo da disputa eleitoral.
À noite, o Partido anunciou sua chapa no estado. Luan Monteiro concorre ao governo fluminense, acompanhado de Caetano Albuquerque Sigiliano como candidato a vice-governador. Luiz Eugênio Honorato disputa o Senado. Candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa também participaram, ao lado de dirigentes nacionais do PCO.
A ação policial pretendia intimidar o PCO, mas tornou-se o principal tema político daquele sábado. As intervenções discutiram os poderes da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário. O Partido respondeu com suas candidaturas nas ruas e com um programa independente dos banqueiros e dos grandes capitalistas.
Distrito Federal: a perseguição vira denúncia nacional
Uma semana depois, no dia 22 de agosto, Rui esteve no Teatro dos Bancários, em Brasília. O lançamento reuniu a chapa do Distrito Federal, encabeçada por Expedito Mendonça, e candidatos de Goiás, entre eles Danilo Pinheiro, que concorre ao governo goiano. Antônio Carlos Silva e militantes dos dois estados participaram da mesa.
A operação da PF voltou a ocupar parte importante das intervenções. Rui relatou que militantes tiveram contas bancárias e bens bloqueados antes mesmo de qualquer indiciamento ou julgamento. Também denunciou o nome provocador dado à ação policial, “Operação Causa Própria”, utilizado para apresentar o Partido como culpado antes da conclusão de qualquer investigação.
Ao tratar da campanha presidencial, Rui combateu a ideia de que as urnas, por si mesmas, resolverão a crise brasileira. Recordou que a ditadura militar não foi derrotada pelas eleições controladas pelo próprio regime, mas pela entrada em cena dos trabalhadores, particularmente com as greves do ABC. “Quem mudou o Brasil, quem fez o Brasil andar para frente, foi o povo na rua, sempre, em todas as situações”, afirmou.
O candidato criticou ainda a política do PT de não convocar a população para lutar e apresentou as eleições como meio de organizar um movimento independente. O ato defendeu a reestatização das empresas privatizadas, o fim do pagamento da dívida pública, a recuperação dos direitos trabalhistas e a luta pelo socialismo. A programação incluiu uma apresentação de jovens da periferia do Distrito Federal e uma manifestação de solidariedade do Comitê Anti-imperialista General Abreu e Lima ao PCO.
Rio Grande do Sul: campanha deve ocupar as ruas
Em 29 de agosto, Rui chegou a Porto Alegre. O lançamento da chapa gaúcha foi realizado no Auditório Paulo Freire, no Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre. César Pontes concorre ao governo, com Tiago Nilo como vice, e Ric Jones disputa o Senado.
Depois do lançamento e de um almoço com os participantes, Rui conduziu mais uma edição da Análise Política da Semana. Os candidatos gaúchos afirmaram que a eleição não constitui um fim para o PCO, mas uma oportunidade para divulgar seu programa e organizar os trabalhadores. Também defenderam a Palestina, o Irã, o Hamas e o Hesbolá contra o imperialismo.
Rui denunciou em Porto Alegre o boicote contra as candidaturas do Partido. Tratou da retenção dos recursos eleitorais, da exclusão do PCO das pesquisas e do reduzido espaço concedido aos candidatos. No caso gaúcho, destacou a tentativa do Ministério Público de impugnar a candidatura de Ric Jones ao Senado com base num processo já anulado. “O nome disso é perseguição política, nua e crua”, declarou.
Antes do encerramento, Rui chamou militantes e apoiadores a organizar um comitê no Rio Grande do Sul. Insistiu que a atividade eleitoral não poderia permanecer restrita à Internet e indicou a tarefa imediata: “Nós temos que sair à rua, conversar com o povo, distribuir o material”.
Minas Gerais: a crise do STF no centro do debate
Rui Costa Pimenta esteve em Belo Horizonte em 5 de setembro. A programação ocorreu no CENARAB, no bairro Calafate, e começou ao meio-dia com um almoço. Às 14 horas, o candidato comandou a Análise Política da Semana. A chapa mineira foi lançada às 17 horas.
A crise do Supremo Tribunal Federal ocupou a parte principal da análise. Rui tratou das denúncias envolvendo Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, recordou a utilização arbitrária do Inquérito das Fake News e lembrou que o próprio PCO permaneceu durante meses com suas redes suspensas por ordem de Moraes. Para o candidato, o escândalo não era um episódio isolado, mas uma manifestação da decomposição das instituições políticas.
Rui também denunciou o processo movido pela ministra Sônia Guajajara contra o Diário Causa Operária, a agressão contra um estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro e a participação do Ministério Público em iniciativas internacionais contra o Irã. A operação da PF voltou a ser ligada às posições do PCO em defesa da Palestina e contra o imperialismo.
Henrique Áreas, trabalhador dos Correios, encabeça a chapa ao governo mineiro, tendo Estêvão Gomes como vice. Sebastião Pessoa concorre ao Senado, e o Partido também apresentou candidatos à Câmara e à Assembleia Legislativa. Os discursos chamaram a militância a vender a Gazeta Causa Operária, distribuir panfletos, formar comitês e participar das campanhas financeiras. Na manhã seguinte, o trabalho prosseguiu na Feira Hippie de Belo Horizonte.
Mato Grosso do Sul: Rui vai aos índios em luta pela terra
Rui voltou ao Centro-Oeste em 19 de setembro, desta vez para visitar a Aldeia Jaguapiru, em Dourados. Mais de 200 pessoas participaram do lançamento das candidaturas do PCO no Mato Grosso do Sul. O encontro reuniu índios guarani-caiuá, terena e cadiué vindos de aldeias e territórios em luta de diversas regiões do estado.
Uma chuva forte dificultou a chegada das caravanas. Em várias comunidades, os ônibus tiveram de atravessar estradas sem asfalto cobertas de lama, enquanto parte dos participantes aguardava os veículos debaixo de chuva. Ainda assim, o local ficou cheio de bandeiras e camisetas do PCO. A programação começou com um guachiré, reza tradicional conduzida pelos guarani-caiuá, e homenageou as pessoas responsáveis pela alimentação, pelo transporte e pela convocação.
Rui ouviu pessoalmente as denúncias sobre falta de água, moradia, alimentos, trabalho, estradas e atendimento público nas aldeias. Valdino Almeida Nunes, dirigente da retomada Tapyi Korá, relatou a ameaça de despejo contra famílias de Amambai e Naviraí e a violência policial sofrida pelos moradores. O PCO assumiu o compromisso de produzir materiais, divulgar o caso e ajudar a organizar a resistência contra a expulsão.
Recebido com palavras de ordem, bandeiras e fogos de artifício, Rui afirmou que a terra é o principal problema do Mato Grosso do Sul. Defendeu a autodemarcação, a entrega das terras aos índios e o direito de autodefesa contra pistoleiros e forças policiais que protegem os latifundiários. A chapa estadual é encabeçada por Daniel Lemes, candidato ao governo, e Silvia Benites, candidata a vice. Depois dos discursos, Rui comandou a Análise Política da Semana e respondeu às perguntas do público.
Uma campanha nacional feita nas ruas
As viagens não foram simples visitas protocolares. No Rio, Rui denunciou a operação policial poucos dias depois das buscas. Em Brasília e Porto Alegre, chamou a formação de comitês e combateu a perseguição eleitoral. Em Minas Gerais, discutiu a crise do STF. No Mato Grosso do Sul, foi à aldeia ouvir os índios ameaçados pelo latifúndio.
Essa campanha enfrenta a retenção de recursos eleitorais, a exclusão das pesquisas, a ausência nos debates e uma operação policial deflagrada logo após o lançamento da candidatura. Mesmo nessas condições, o PCO percorreu estados, apresentou seus candidatos e levou seu programa a sindicatos, centros culturais, bairros populares e aldeias.
No dia 27, as caravanas levarão esse trabalho à Praça Oswaldo Cruz. As palavras de ordem são “Salário, trabalho e terra” e “Revolução, governo operário e comunismo”. O programa reivindica aumento emergencial de 50% dos salários, salário mínimo de R$7.500,00, semana de 35 horas sem redução salarial, estatização do sistema financeiro, anulação das privatizações e expropriação do latifúndio.
O programa também defende o fim do STF, a eleição de juízes e procuradores, a dissolução da Polícia Militar, a liberdade irrestrita de expressão e o direito de autodefesa da população. Os grandes capitalistas e o Estado não entregarão voluntariamente nenhuma dessas reivindicações. A eleição serve para apresentá-las aos trabalhadores e agrupá-los para a luta.
Todos à Praça Oswaldo Cruz no dia 27
Militantes do Rio de Janeiro preparam sua caravana para São Paulo. No Distrito Federal, a convocação está concentrada entre a juventude e os integrantes do coletivo cultural Cio das Artes. Delegações de estados do Nordeste, Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte também viajarão para participar.
O ato Rui Presidente será realizado no domingo, 27 de setembro, às 11 horas, na Praça Oswaldo Cruz, na Avenida Paulista, em São Paulo. O PCO convoca trabalhadores, jovens, militantes das lutas populares e todos os que defendem os direitos democráticos a comparecer com suas bandeiras e faixas.





