Análise Política da Semana

Rui Pimenta: Lula 4 será bem mais fraco do que Lula 3

Presidente do PCO analisou a vitória eleitoral de Lula, a intervenção da burguesia no segundo turno e os ataques aos trabalhadores anunciados após a votação

Rui Costa Pimenta, presidente do PCO

O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, afirmou, no programa Análise Política da Semana deste sábado (31), que o quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será mais fraco e mais direitista que o anterior. Para o dirigente, o resultado das eleições presidenciais não expressou uma grande mobilização popular, como sustenta a propaganda petista, mas uma intervenção decisiva de setores da burguesia para garantir a vitória do atual presidente.

Na primeira edição do programa após o segundo turno, realizado em 25 de outubro, Pimenta examinou os resultados eleitorais, o papel do PT no regime político brasileiro e as medidas econômicas anunciadas pelo governo. Também abordou a saída de Flávio Bolsonaro (PL) do País, a perseguição política promovida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e as propostas de censura às redes sociais.

O dirigente destacou que, menos de uma semana depois da votação, o governo já discutia o aprofundamento do ajuste fiscal, o aumento de impostos, novas privatizações e possíveis mudanças nos gastos com saúde, educação e previdência.

“O governo Lula é um governo que está montado aí numa onda quase revolucionária, ou esse movimento popular não tem essa importância que eles estão atribuindo. Se a nossa caracterização é correta, isso significa que o governo Lula, o Lula 4, é bem mais fraco do que o Lula 3. O que explica também o caráter direitista de todos os anúncios do governo. Ele está completamente sintonizado com os interesses da burguesia, do grande capital, do mercado financeiro”, afirmou.

O resultado surpreendente do segundo turno

Pimenta iniciou sua avaliação eleitoral destacando a diferença entre os votos recebidos pelos candidatos no primeiro e no segundo turno. Segundo os números apresentados no programa, Lula obteve aproximadamente 10 milhões de votos adicionais, enquanto Flávio Bolsonaro aumentou sua votação em cerca de quatro milhões.

O presidente do PCO considerou particularmente surpreendente a distribuição desses votos, tendo em vista as posições políticas do eleitorado dos candidatos eliminados no primeiro turno.

“Matematicamente falando, o resultado teria que ser mais ou menos assim. Ele teria que pegar todos os votos dos abstencionistas, todos sem nenhuma única exceção, todos os votos nulos que viraram votos úteis, sem nenhuma exceção e 60% do voto dos outros candidatos. É uma coisa… Eu vi algumas pessoas falarem assim, matematicamente impossível. Não. Matematicamente impossível, não, porque esse foi o resultado matemático da eleição, então não é impossível. Mas eu diria assim, politicamente, um resultado muito improvável.”

O dirigente lembrou que as pesquisas eleitorais divulgadas na véspera da votação apontavam uma vitória de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, a diferença entre as pesquisas e a apuração surpreendeu os próprios analistas que acompanhavam a disputa.

Pimenta rejeitou, contudo, a acusação de que o PCO estaria denunciando uma fraude eleitoral. Explicou que sua análise não questionava o resultado oficial, mas procurava identificar as forças políticas responsáveis pela vitória de Lula.

“O que é que nós falamos? Nós falamos o seguinte, que ao contrário da opinião corrente dentro do PT, de que essa eleição foi uma grande vitória popular, nós dizemos que você não poderia ter esse resultado sem uma intervenção muito grande da burguesia no processo eleitoral. Não é viável. Não há movimento popular que justifique esse voto.”

Na avaliação do presidente do PCO, não seria possível explicar a transferência de votos dos eleitores de Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Ratinho Júnior para Lula apenas pela campanha organizada pelos setores de esquerda.

Pimenta apontou que esses candidatos reuniam um eleitorado majoritariamente conservador, contrário ao PT e favorável a políticas econômicas neoliberais. Por isso, considerou que o deslocamento de votos indicava uma participação importante de setores da classe dominante no segundo turno.

A interpretação contrasta com a propaganda do PT, segundo a qual Lula teria sido eleito graças a uma mobilização popular sem precedentes em defesa da democracia.

Para Pimenta, essa caracterização não corresponde à situação política que surgiu imediatamente após as eleições.

“Se você tivesse toda essa mobilização importante que teria ganho eleição, não é que o pessoal não poderia exigir o ajuste fiscal, o Lula não poderia fazer o ajuste fiscal. Porque o que que ia acontecer? Ele ia se chocar diretamente contra essa massa impressionante de milhões de pessoas que garantiram a vitória para ele e o governo dele desabaria como um castelo de cartas, porque ele estaria dando um golpe mortal nas amplas massas que teriam eleito o governo.”

O dirigente afirmou que, caso a vitória tivesse sido conquistada por um movimento popular dessa magnitude, o governo encontraria uma resistência imediata ao anunciar medidas contrárias aos trabalhadores. Entretanto, observou que a divulgação das propostas de ajuste fiscal não provocou manifestações comparáveis às realizadas durante a campanha.

A análise da eleição levou Pimenta a discutir o próprio caráter do PT. O presidente do PCO contestou a ideia de que o partido de Lula representaria a posição mais à esquerda da política brasileira e que a recusa em apoiá-lo colocaria o PCO à direita.

“O PT não é um partido revolucionário. Ele não é um partido de luta. Ele não é um partido que tem um programa minimamente próximo das transformações que o Brasil precisa. O PT é um partido dominado por uma burocracia ultradireitista. As pessoas nem se dão conta disso.”

O dirigente citou como exemplos a atuação de Rafael Fonteles, governador do Piauí, e de Camilo Santana, ministro da Educação. Fonteles, apontado como possível integrante da equipe econômica do novo governo, foi criticado por suas ligações com os grandes bancos e pela privatização da companhia de saneamento básico do Piauí.

No caso de Santana, Pimenta destacou a influência de grupos empresariais, especialmente o de Jorge Paulo Lemann, sobre a política educacional do governo.

Também mencionou os dirigentes petistas da Bahia, entre eles Jaques Wagner e Rui Costa, e Washington Quaquá, no Rio de Janeiro, para demonstrar a associação entre o PT e os setores capitalistas que dominam a política regional.

Segundo o presidente do PCO, as alianças do PT com a burguesia não se limitam a acordos eleitorais. Elas determinam a própria atuação de seus governos.

“Os governos do PT são governos burgueses. Do ponto de vista da política, o PT é um partido burguês. Do ponto de vista do pessoal que dirige o partido, é um partido pequeno-burguês, muito ligado à burguesia. Os trabalhadores não têm lugar no PT. Onde é que estão os trabalhadores do PT? Ninguém. É uma ou outra pessoa aí que veio do movimento operário, mas é muito pouca gente.”

Pimenta sustentou que o partido perdeu grande parte de sua antiga influência sobre a classe operária. Afirmou que as manifestações organizadas durante o segundo turno reuniram principalmente estudantes universitários, funcionários públicos e setores da classe média, sem participação expressiva dos trabalhadores industriais.

Como exemplo, mencionou a situação do ABC paulista, antiga base operária do PT, onde uma parcela dos trabalhadores passou a apoiar o bolsonarismo.

O dirigente também rebateu o argumento de que, independentemente de seu programa, o PT estaria transformando o País por meio dos governos de Lula.

Lembrou que o partido chegou cinco vezes à Presidência da República sem alterar a dependência econômica brasileira, recuperar a indústria ou modificar substancialmente as condições de vida da população.

Pimenta criticou especialmente a utilização dos recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar grandes empresas, inclusive multinacionais, em vez de promover diretamente obras públicas e a criação de empregos.

“Do jeito que o Brasil estava em 2002, ele está agora, só que pior. O Brasil perdeu a indústria, o pessoal não saiu do Bolsa Família, os trabalhadores perderam inúmeros direitos nesse período todo. Esse negócio de que o PT está mudando o País, seria bom falar isso aí em 2004. Agora, em 2026, não dá para acreditar numa história dessas.”

O presidente do PCO lembrou que o processo de adaptação do PT ao regime político foi responsável, inclusive, pelo surgimento do PSOL, fundado por setores que romperam com o governo Lula após a reforma da Previdência de 2003.

Recordou também que, durante a preparação do golpe contra Dilma Rousseff, parte da esquerda considerava o PT tão direitista que acabou participando das mobilizações promovidas pelos setores da burguesia favoráveis à derrubada do governo.

Segundo ele, o PCO se opôs ao golpe de 2016 justamente por reconhecer seu caráter reacionário, embora mantivesse uma posição crítica em relação ao governo petista.

Pimenta afirmou que o PT deixou de ser um partido de oposição para se transformar numa das principais organizações de sustentação do regime político brasileiro. Citou seu relacionamento com os grandes bancos, a Rede Globo, o grupo JBS e setores do STF, particularmente os ligados ao ministro Gilmar Mendes.

“O PT é o partido do poder. O PT não é um partido de oposição. O poder político no Brasil? O PT faz parte. Pode não ser o setor mais importante do poder político, mas o PT faz parte do poder político. O PT está aliado com a turma do Gilmar Mendes no STF. O PT está aliado com vários capitalistas importantes. A Globo apoia o PT, o Banco Itaú apoia o PT. Esse grupo da JBS apoia o PT, que é o maior grupo privado nacional. O PT não é um partido de oposição, o PT é um partido de situação.”

Para o dirigente, a transformação é particularmente importante porque o PT havia surgido, no início da década de 1980, como uma das poucas organizações partidárias que não provinham diretamente do aparelho político da ditadura militar.

A seu ver, sua trajetória até 2026 demonstrou um deslocamento constante para a direita.

Pimenta relacionou sua caracterização política do governo aos anúncios econômicos realizados após o segundo turno.

O primeiro exemplo apresentado foi a reforma tributária sobre o consumo. Segundo os números mencionados no programa, a alíquota conjunta dos novos tributos poderá chegar a aproximadamente 31%, colocando o Brasil entre os países com maior tributação sobre o consumo.

O presidente do PCO criticou a cobrança de impostos sobre produtos de primeira necessidade, por atingir proporcionalmente mais os trabalhadores de baixa renda.

“Eu acho que é importante a gente explicar o seguinte. O imposto sobre consumo é o imposto mais desigual que existe. O imposto sobre consumo era um típico imposto da sociedade medieval. Porque como é que ele funciona? Você recebeu um salário mínimo, R$1.600 e poucos reais. Se você somar tudo que você compra, sei lá, comida, isso, isso e aquilo, vamos supor que você pague R$300,00 ou R$400,00 em imposto, 25% de tudo que você ganha. Agora, se você for trilionário e você comprar as mesmas coisas que eu ou o cidadão do salário mínimo compra, você vai pagar os mesmos R$400,00.”

O dirigente classificou como um “verdadeiro estelionato eleitoral” o fato de as informações sobre o tamanho dos novos impostos terem recebido destaque somente após a votação.

Também questionou a propaganda do governo sobre o fim da chamada taxa das blusinhas. Segundo Pimenta, a retirada da cobrança federal não eliminou o ICMS sobre as compras internacionais, enquanto as mudanças na forma de recolhimento tornaram a cobrança mais rigorosa.

Outro imposto criticado foi o seletivo, conhecido como “imposto do pecado”, que atingirá produtos como cigarros, bebidas alcoólicas e refrigerantes.

Pimenta ironizou a inclusão de bebidas populares, como a tubaína, entre os produtos sujeitos à nova tributação. Para ele, o governo procurou justificar o aumento de impostos com argumentos sobre saúde pública, embora a consequência fosse retirar mais dinheiro da população.

O dirigente abordou ainda a implantação do split payment, mecanismo que permitirá o recolhimento dos tributos no momento das transações comerciais.

Segundo sua avaliação, a medida poderá comprometer as finanças de pequenas empresas que atualmente recolhem os impostos posteriormente, além de incentivar o aumento dos preços.

Na mesma exposição, mencionou a privatização de linhas de transmissão de energia elétrica, os preparativos para a possível privatização dos Correios e a participação de empresas privadas na administração de serviços públicos de saúde.

O presidente do PCO também discutiu informações divulgadas pela imprensa sobre possíveis mudanças no salário mínimo, nas aposentadorias e nos gastos obrigatórios do Estado.

Entre as propostas mencionadas estavam a diferenciação dos valores de referência do salário mínimo para trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais, além de alterações nas regras constitucionais que determinam investimentos mínimos em saúde e educação.

Pimenta ressaltou que ainda não havia uma definição sobre essas mudanças, mas considerou que as discussões indicavam a intenção de reduzir os gastos sociais.

Também manifestou preocupação com a regulamentação da escala de trabalho de seis dias por um de descanso, diante das informações de que diversos setores poderiam ficar fora das novas regras.

“Tudo que você olha que vem de informação do governo é corte, aumento de imposto, dinheiro para empresário, privatização. Como? É porque o tal movimento milagroso aí, em grande medida, é uma miragem.”

Segundo Pimenta, os anúncios demonstram que o governo não pretende romper com a política econômica defendida pelos bancos e grandes empresários.

O presidente do PCO dedicou outra parte da exposição à campanha eleitoral do PT, que apresentou a disputa contra Flávio Bolsonaro como uma luta decisiva para impedir a implantação do fascismo no Brasil.

Pimenta contestou essa caracterização e afirmou que os acontecimentos posteriores ao segundo turno demonstraram a fragilidade da tese petista.

“Cadê o fascismo? Porque se o plano dos bolsonaristas era tomar o poder e implantar um regime ditatorial, eles não iam ficar aí protestando na internet quando perderam a eleição. Cadê os fascistas? Cadê as milícias fascistas? O fascismo, que eu saiba, nunca tomou poder em lugar nenhum sem o apoio das Forças Armadas. Cadê a mobilização das Forças Armadas? Não tem nada.”

O dirigente observou que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após sua derrota, enquanto Tarcísio de Freitas passou a se apresentar como possível candidato à Presidência em 2030.

Para Pimenta, essas iniciativas não correspondiam ao comportamento de um movimento fascista organizado para tomar o poder pela força.

Também criticou a campanha conduzida por André Janones, caracterizada por ataques pessoais aos adversários e pela divulgação de acusações que o dirigente considerou falsas.

Um dos exemplos foi a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Segundo Pimenta, a propaganda petista procurou convencer os eleitores de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar da santa o título de padroeira do Brasil, embora não houvesse fundamento para a acusação.

O presidente do PCO destacou a contradição entre essa campanha e a defesa, por integrantes do PT e do PSOL, de uma legislação destinada a punir a divulgação de notícias falsas.

Pimenta também criticou as propostas de segurança pública adotadas pelo PT durante a eleição, especialmente o slogan “trabalhador protegido, bandido na cadeia” e a defesa da redução da maioridade penal.

Segundo ele, essas posições poderiam perfeitamente integrar a propaganda de candidatos da direita, como Ronaldo Caiado, Romeu Zema ou o próprio Flávio Bolsonaro.

O dirigente apontou ainda a contradição entre a campanha contra o suposto fascismo e a aliança posterior de parlamentares do PT e do PSOL com o PL na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

“A luta contra o fascismo é uma coisa tão genuína da parte do PT que apareceu uma notícia aqui que fala que o PT e o PSOL se juntaram com o PL, o fascismo, para eleger o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Então, o pessoal tem que decidir: ou está lutando contra o fascismo, ou está a favor, porque as duas coisas ao mesmo tempo é difícil.”

Pimenta também comentou a saída de Flávio Bolsonaro do País após o segundo turno. Segundo o dirigente, a decisão ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar que o candidato derrotado entregasse seu passaporte.

O presidente do PCO considerou que Bolsonaro agiu corretamente ao deixar o Brasil, diante do risco de ser submetido a um processo de perseguição política.

“Terminadas as eleições, o Alexandre de Moraes mandou intimar o Flávio Bolsonaro, o candidato derrotado, a entregar o passaporte. Aí o homem fez as malas, pegou a família, que foi uma decisão, na minha opinião, sábia dele de levar a família, e saiu do País. Aí eu tive que presenciar, nós todos tivemos que presenciar, o pessoal cinicamente falando o seguinte: quem não deve não teme. Como se todo mundo não soubesse que o juiz que estava na captura dele é um juiz do STF e, para cúmulo, Alexandre de Moraes.”

O dirigente criticou a reação de integrantes do PT, que afirmaram que Bolsonaro não deveria temer o Judiciário caso fosse inocente.

Para contestar esse argumento, Pimenta recordou a prisão de Lula durante a Operação Lava Jato. Observou que o atual presidente foi condenado e impedido de disputar as eleições de 2018, apesar de sustentar sua inocência.

Lembrou que o STF anulou posteriormente as condenações por problemas relacionados à competência do tribunal responsável pelos processos, não por meio de uma decisão que examinasse e rejeitasse definitivamente todas as acusações quanto ao mérito.

Segundo Pimenta, a experiência de Lula deveria demonstrar aos próprios petistas que a inocência não impede uma condenação motivada por interesses políticos.

O dirigente também criticou parlamentares do PT que passaram a defender medidas judiciais contra outros políticos bolsonaristas, entre eles Lucas Pavanato e Nikolas Ferreira.

Para ele, essas manifestações indicaram que parte do partido pretendia utilizar o Judiciário para perseguir os adversários derrotados nas eleições.

“Eu espero que isso daqui seja apenas uma empolgação totalitária de integrantes do PT, porque, se o pessoal for com isso, primeiro que caracterizaria o regime uma ditadura total. Quer dizer, você vai para as eleições e, terminadas as eleições, o pessoal bota todo mundo na cadeia. Não tem sentido.”

O presidente do PCO afirmou que a defesa dos direitos democráticos dos bolsonaristas não implica qualquer concordância com seu programa político.

Segundo ele, a perseguição aos adversários de direita deve ser combatida pelo mesmo motivo que o Partido combate a perseguição às organizações de esquerda.

Pimenta relacionou essa política à crise do regime brasileiro, cujas instituições, segundo ele, mantiveram grande parte das características herdadas da ditadura militar.

Afirmou que a Constituição de 1988 promoveu mudanças limitadas no aparelho estatal, preservando o Judiciário, as Forças Armadas e a influência dos grandes capitalistas sobre o poder político.

Para o dirigente, a crise aberta pelo golpe de 2016 acelerou o desenvolvimento de tendências antidemocráticas, entre elas a censura, a perseguição judicial e as prisões políticas.

“A perseguição ao bolsonarista não é luta contra o fascismo, é uma expressão da crise do regime, que obviamente confunde a cabeça de muita gente, porque os bolsonaristas são de direita. E o PT é um partido, genericamente falando, de esquerda, então a pessoa se confunde. Mas não é isso que está acontecendo. O que está acontecendo é que você tem um regime antidemocrático que persegue a oposição política, que é a direita. Calhou que a oposição política seja direita. Se fosse de esquerda, também ia ser perseguida.”

A perseguição política foi também o assunto da abertura do programa. Pimenta criticou um projeto de lei defendido pela deputada Erika Hilton (PSOL) e apresentado pela senadora Soraya Thronicke, que estabelece penas de prisão para a criação e divulgação de determinadas informações consideradas falsas.

O dirigente leu trechos da proposta e questionou os critérios utilizados para definir o que constituiria uma notícia falsa.

Segundo ele, o texto estabelece conceitos suficientemente amplos para permitir que o Judiciário transforme divergências políticas e científicas em crimes.

Pimenta criticou especialmente os dispositivos relacionados à divulgação de informações sobre saúde pública, vacinas e tratamentos médicos. Para ele, a proposta poderia permitir que o chamado consenso científico e as orientações de autoridades sanitárias fossem utilizados para impedir questionamentos.

O dirigente mencionou as mudanças nas recomendações das autoridades durante a pandemia de Covid-19 para demonstrar que posições científicas podem ser revistas.

Também apontou uma contradição na propaganda de Erika Hilton. Segundo ele, a parlamentar apresentou o projeto como uma medida contra as grandes empresas estrangeiras de tecnologia, embora o texto estivesse voltado principalmente à punição de indivíduos.

“Então vocês devem ter reparado, eu li todo o projeto aqui. Vocês devem ter reparado que não aparece aqui a Meta, o X, o Instagram, o Facebook, o TikTok, não aparece nenhuma empresa. Mas quando você vê a propaganda feita pela Erika Hilton, seria para combater essas empresas. Onde é que estava o combate? Faz uma propaganda para tornar crime as notícias falsas utilizando para propaganda uma notícia falsa, que isso aqui seria para combater empresas estrangeiras que querem dominar o Brasil.”

Pimenta também abordou o caso de Isadora Borges, alvo de processos judiciais por declarações sobre transexuais.

O programa Análise Política da Semana, apresentado por Rui Costa Pimenta, vai ao ar todos os sábados, às 13 horas, pela Causa Operária TV (COTV).

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