As propostas da UP (Unidade Popular) para as eleições provocaram críticas e até piadas nas redes sociais por serem extremamente reduzidas. Ficou claro para todos que o programa é uma tremenda improvisação, cuja finalidade é apresentar o partido nas eleições de forma muito radical.
A UP, que tanto critica o PT, tratando a sigla como um partido eleitoreiro, segue o mesmo roteiro. De qualquer maneira, é preciso deixar de lado esse aspecto cômico e amadoresco da proposta da UP para desmascarar suas concepções políticas oportunistas e direitistas.
O primeiro ponto apresentado diz o seguinte: “Reajuste de 100% do salário-mínimo. Revogação das reformas trabalhista e da previdência. Redução da jornada de trabalho para todos os trabalhadores; fim da escala 6×1; 36 horas semanais”.
Essa proposta salarial, de cara, é insuficiente para manter uma família. Dobrar o salário-mínimo pode parecer revolucionário, mas o salário mínimo calculado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), para uma família de 4 pessoas está em R$ 8,1 mil, cinco vezes maior que a proposta da UP.
Identitarismo
A Unidade Popular decreta em seu programa o “fim do feminicídio e do assédio às mulheres. Salário igual e creche no local de trabalho. Prisão de todos os agressores e assassinos das mulheres”. Em um país em que a polícia mata 6 mil pessoas por ano, a esmagadora maioria homens jovens e negros, a UP embarca na onda da punição ao “feminicídio”, uma categoria de crime inventada apenas para se aumentar penas e pressionar ainda mais a população.
No Brasil, há pelo menos 965 mil presos, quase um milhão de pessoas pobres presas, das quais 70% são compostas de negros e pardos, o equivalente a 671 mil pessoas. E isso não é tudo: de 25% a 33% dos presos são provisórios; isto é, ainda não foram julgados e podem passar meses ou anos na cadeia. Para UP, pelo jeito, isso ainda é pouco.
“O feminicídio”, do ponto de vista social, é resultado da violência à qual a população foi atirada. A violência só pode ser resolvida de modo geral e não apenas para um setor da sociedade, por oprimido que este seja, como as mulheres. A violência é fruto da pobreza e dos abismos sociais, que a cada dia se aprofundam. Exigir punição e cadeia diante de problemas sociais é típico da direita e do identitarismo, uma ideologia liberal que se infiltrou na esquerda, que a enfraquece e arrasta para posições extremamente reacionárias.
“Reforma Agrária Popular. Fim do latifúndio. Controle estatal dos preços dos alimentos e controle e redução do uso de agrotóxicos”. A UP, como se pode constatar, age sob influência direta do “ecossocialismo”, uma tendência pequeno-burguesa e reformista que rejeita o marxismo e serve apenas para afastar a classe trabalhadora da revolução.
É preciso também desmistificar o uso de defensivos agrícolas, ou de agrotóxicos, como se costuma dizer no Brasil. Em um país tropical, propenso à reprodução de insetos, se não for feito o controle de pragas, a produção de alimentos pode cair de 20% a 40%.
O que é necessário fazer é a fiscalização da correta aplicação dos defensivos e, claro, o constante incentivo à pesquisa para que métodos cada vez mais eficientes sejam desenvolvidos.
Outro tema recorrente na esquerda pequeno-burguesa diz respeito ao imperialismo, que aparece no ponto 10: “Fim da submissão do Brasil aos EUA, à China e a todos os países imperialistas – Retomada da base de Alcântara e revogação do contrato de entrega das terras raras.”
Não se pode combater o imperialismo sem que este seja compreendido e caracterizado da forma correta. O imperialismo é um bloco formado por cinco países: Alemanha, França, Reino Unido, Estados Unidos (o mais importante) e Japão. Eles controlam os principais recursos globais, o sistema financeiro e o fluxo de mercadorias. São esses países que promovem as guerras, golpes de Estado, fraudam eleições, sancionam, ameaçam e oprimem os demais países.
A China, apesar do tamanho de sua economia, não é um país imperialista. A esquerda pró-imperialista se aproveita do fato de os chinses exportarem capitais para os classificar como imperialistas. Como um país sancionado e ameaçado de perder parte de seu território pode fazer parte do imperialismo? Não faz sentido.
A China, ao lado da Rússia e do Irã, é o principal alvo do grande capital. Aqueles que atacam esses países estão, de fato, trabalhando como força auxiliar do imperialismo.
O ponto 12, “Defesa do meio ambiente e da Amazônia. Fim da exploração estrangeira de nossos minérios”. É outra adesão ao “ecossocialismo” e à política do imperialismo, que quer que o Brasil “proteja” a Amazônia; ou seja, que a deixe intacta para que ele mesmo a explore no momento oportuno, pois a região é riquíssima em petróleo, gás, metais preciosos, biodiversidade, além de sua gigantesca bacia hidrográfica.
Trata-se do programa de George Soros para o Brasil. É por isso que o magnata financia ONGs que supostamente estariam interessadas em defender as matas, os mares, os índios e os animais. Mas esse agente imperialista está de olho nas riquezas; por isso, busca impedir que o Brasil e a região se desenvolvam.
A primeira ação de um partido realmente revolucionário para a Amazônia seria a de expulsar as ONGs estrangeiras do solo brasileiro e regulamentar o setor, recheado de sabotadores, como Marina Silva, ligada a Soros e ao Banco Itaú.
A corrupção…
Outros pontos destacados são: o “combate à corrupção, confisco dos bens dos corruptos e de suas empresas” e a “expropriação das empresas que têm trabalho análogo à escravidão”. O combate à corrupção é uma farsa. Para constatar essa realidade, basta observar a política brasileira com seus mensalões, lava-jatos, etc.
Os processos são sempre políticos, como estão fazendo agora contra o PCO – Partido da Causa Operária. Quando não interessa punir, como se constata no caso do escândalo do Banco Master, em que aparecem os nomes de ministros do Supremo Tribunal Federal e familiares seus, o “combate” não vai adiante. A esquerda tem que derrotar a burguesia, não ficar fazendo papel de polícia.
Quanto ao trabalho análogo à escravidão, a UP deve ter se esquecido da escravidão salarial à qual a classe trabalhadora é submetida; no entanto, sua pífia proposta salarial vai manter o povo na escravidão.
Vira e mexe aparece a questão da “punição exemplar para os torturadores e assassinos da ditadura, revisão da lei da Anistia. Luta pelo direito à memória, verdade, justiça e reparação; Desmilitarização das polícias!” Isso simplesmente não vai acontecer, a esquerda não tem força para punir os torturadores da ditadura. Além disso, é uma proposta que não mobiliza a classe trabalhadora.
Quanto à polícia, não adianta desmilitarizar. As polícias civis também matam, promovem chacinas, etc. A polícia é o braço armado do Estado e é ilusão acreditar que desmilitarizar a polícia ou obrigar os policiais a fazer curso de arranjos florais vá resolver alguma coisa.
É preciso acabar com as polícias e colocar a segurança nas mãos da população para que esta crie comitês populares de segurança por bairro. Essa é a proposta para um partido revolucionário.
A última proposta é pelo “fim da exploração do homem pelo homem, socialização de todas as grandes empresas. Construção de uma sociedade socialista”. Colocado assim, parece radical, mas, como isso não está na ordem do dia, não passa de esquerdismo vazio.
Ninguém deve se deixar enganar pelo ar improvisado e amadorístico do programa da UP, pois nele estão contidas as propostas identitárias e repressivas da Rede Globo, bem como defende os interesses de um George Soros, que busca controlar a Amazônia em nome da “ecologia”.





