Eleições 2026

Rui apresenta programa do PCO em entrevista ao Galo Preto

Em conversa com Leandro Fortes, candidato tratou de privatizações, petróleo, soberania nacional e bloqueio da grande imprensa ao PCO

O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) à Presidência da República, Rui Costa Pimenta, participou na terça-feira (25) do programa do canal Galo Preto, apresentado pelo jornalista Leandro Fortes. A entrevista percorreu alguns dos principais temas da campanha do Partido, com destaque para a reestatização das empresas privatizadas, a reconstrução da indústria nacional e a luta contra a submissão do Brasil ao imperialismo.

A conversa começou pela declaração de Fernando Haddad de que, se eleito governador de São Paulo, não pretende reestatizar a Sabesp. Para Rui, a posição mostra até que ponto o PT abandonou uma política tradicional da esquerda.

O candidato lembrou que o próprio PT denunciou as privatizações realizadas pelo governo Tarcísio de Freitas, mas agora trata a entrega da Sabesp como fato consumado. Na avaliação de Rui, concessões e parcerias com empresas privadas passaram a ocupar um espaço cada vez maior na política dos governos petistas.

O PCO defende outra orientação. Segundo Rui, a reversão das privatizações é uma das questões fundamentais para qualquer projeto de desenvolvimento do País.

“Para nós, por exemplo, seria um dos problemas-chave da luta nesse momento aqui, o problema das privatizações”, afirmou.

O dirigente relacionou a reestatização diretamente à recuperação da indústria brasileira. Recordou que a siderurgia, a rede elétrica, o setor petrolífero, a mineração e importantes instituições financeiras nacionais foram construídos com participação decisiva do Estado.

Para Rui, esperar que o grande capital privado reconstrua a indústria nacional não levará a lugar algum. Empresas estratégicas sob controle estatal poderiam servir de base para investimentos em infraestrutura, indústria pesada e novos setores tecnológicos.

A mesma política deveria valer para a indústria de defesa, que, segundo ele, não pode ficar subordinada aos interesses de grupos privados.

A discussão levou à questão de como enfrentar a reação dos Estados Unidos a uma política desse tipo. Rui reconheceu que uma ofensiva contra as privatizações e pela retomada das riquezas nacionais provocaria choques com o imperialismo, mas rejeitou a ideia de que isso seja motivo para desistir antecipadamente.

Para ele, o problema não pode ser resolvido apenas por uma decisão administrativa tomada dentro do governo. Seria necessária uma mobilização dos trabalhadores, sindicatos e organizações populares em defesa da reestatização.

“Se esse movimento se transforma num grande movimento popular, eu acho que o governo teria plenas condições de estatizar o petróleo e outros setores da economia que foram privatizados. Vai enfrentar o imperialismo, vai enfrentar, mas não tem muito jeito. Sem briga, não vai dar para resolver o problema.”

Rui também rejeitou a ideia de que os trabalhadores brasileiros estejam condenados à passividade. Segundo ele, existe atualmente uma paralisia do movimento operário, mas a história do País mostra uma classe trabalhadora capaz de grandes mobilizações.

O candidato destacou que essa situação não será superada espontaneamente. É preciso uma força política que faça propaganda, organize os trabalhadores e apresente uma saída para a crise.

Petróleo brasileiro para o povo brasileiro

A Petrobrás ocupou uma parte importante da entrevista. Rui denunciou a contradição entre a enorme riqueza petrolífera do País e a permanência de graves problemas sociais enquanto parcela dos lucros do setor é apropriada por investidores privados.

Para ele, o Brasil precisa recuperar integralmente o controle sobre o petróleo.

Rui citou outros países produtores para mostrar a importância estratégica dessa riqueza. Em sua avaliação, o petróleo foi decisivo para países como Irã e Rússia ampliarem sua capacidade econômica e resistirem às pressões das potências imperialistas.

No Brasil, a situação seria particularmente absurda porque o País desenvolveu tecnologia própria para exploração e refino, dispõe de grandes reservas e possui uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.

A entrevista abordou também a exploração da Margem Equatorial. Rui defendeu medidas de proteção ambiental, mas criticou a utilização da questão ecológica para impedir que o Brasil explore suas próprias riquezas naturais.

Sua posição é que a exploração precisa estar vinculada à luta pela nacionalização do setor. Abrir novas áreas para depois entregar seus recursos ao capital estrangeiro não resolve o problema nacional.

A relação com a China apareceu na mesma discussão. Questionado por Leandro Fortes, Rui defendeu que um governo interessado em conquistar maior independência dos Estados Unidos deveria aprofundar fortemente as relações com Pequim.

Não se trata, segundo ele, de transformar a China em modelo político, mas de agir de acordo com os interesses do Brasil. Em sua avaliação, a cooperação chinesa desempenha papel importante na capacidade de países como o Irã resistirem à ofensiva norte-americana.

Um minuto para o candidato do PCO

A desigualdade da cobertura eleitoral também teve destaque na entrevista.

Rui denunciou as regras que permitem às grandes emissoras excluir candidatos dos debates ao mesmo tempo em que afirmam existir isonomia entre os partidos.

Ele citou como exemplo uma entrevista que realizaria na Rede Globo. Enquanto outros candidatos haviam recebido sabatinas extensas, o espaço destinado ao candidato do PCO seria de apenas um minuto.

“Eu vou ser entrevistado amanhã, sabe quanto vai durar a entrevista? Um minuto. Vou responder uma única pergunta. Isso eles chamam de isonomia, é uma farsa.”

Rui chamou atenção ainda para a contradição da própria imprensa quando critica candidatos que deixam de comparecer aos debates sob o argumento de que isso prejudica o direito do eleitor à informação.

Se esconder um candidato da população é antidemocrático, afirmou, excluir previamente determinadas legendas também é.

O PCO defende a participação de todos os candidatos nos debates.

Segundo Rui, o bloqueio não se limita à televisão. Grandes veículos muitas vezes sequer divulgam a agenda da candidatura do Partido. Por isso, a campanha tem buscado ampliar sua presença em podcasts, canais independentes e programas transmitidos pela Internet.

A própria entrevista ao Galo Preto mostrou a importância desse espaço. Em vez do minuto concedido pela grande imprensa, Rui pôde desenvolver suas posições sobre privatizações, Petrobrás, industrialização, soberania nacional e política externa diante de uma audiência que acompanhou e participou da conversa.

Durante a transmissão, diversos espectadores manifestaram apoio à candidatura do PCO. Leandro Fortes chegou a comentar o aumento do número de pessoas no canal declarando voto em Rui.

Num processo eleitoral em que a grande imprensa procura decidir antecipadamente quais candidatos o público poderá conhecer, entrevistas como a do Galo Preto tornam-se um meio importante para furar esse bloqueio e colocar o programa do PCO diretamente em discussão.

 

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