O uso demagógico das crianças para aumentar a censura segue firme, e com apoio da esquerda pequeno-burguesa, que repercute as ações autoritárias do Estado, como faz o artigo TikTok é multado R$ 153,7 milhões por falhas na proteção de menores, assinado por Tatiana Py Dutra e publicado no sítio Revista Movimento nesta terça-feira (25).
Segundo o texto, “a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) aplicou uma multa de R$ 153,7 milhões à ByteDance, empresa responsável pelo TikTok, por falhas no tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (25) e determina também que a empresa elimine dados coletados de maneira irregular e apresente um plano para ampliar a proteção de menores na plataforma”.
Adiante, em vez de denunciar o cerco que as instituições estão montando para forçar as plataformas a ficarem cada vez mais restritas, a jornalista diz que “a punição é mais um alerta sobre um problema que ultrapassa a esfera da privacidade: crianças e adolescentes estão sendo expostos cada vez mais cedo a plataformas digitais construídas para prender a atenção, coletar informações sobre seus usuários e direcionar conteúdos e publicidade. Quando o público é formado por pessoas em processo de desenvolvimento, os riscos são ainda maiores.”
Nunca é demais lembrar que o Estado burguês é omisso com as “pessoas em processo de desenvolvimento”. Se estivesse, construiria mais escolas, todas equipadas com laboratórios, bibliotecas; remuneraria bem professores e servidores, etc. No entanto, o que temos é um completo abandono: escolas sucateadas, professores adoecendo, várias matérias que não conseguem professores da área e, ainda assim, essa esquerda prefere atacar as redes sociais. E é preciso deixar claro que se trata de uma política do imperialismo censurar as redes sociais.
Apesar de os adolescentes estarem literalmente abandonados pelo Estado, que não provê áreas de lazer, e saúde adequada para a juventude, o texto alega que “a exposição ilimitada de crianças e adolescentes às redes sociais envolve riscos que vão além da coleta de dados. Sistemas de recomendação são desenvolvidos para manter o usuário conectado e estimular novas interações. Para um adulto, esse mecanismo já pode favorecer o uso excessivo; para crianças e adolescentes, que ainda estão desenvolvendo capacidade de autocontrole e senso crítico, o impacto pode ser mais preocupante.”
Supostamente, as crianças estão perdendo o senso crítico e ficando descontroladas em função do uso de celulares.
Da mesma maneira que se fazia alarme sobre os malefícios do rádio e depois da televisão, o artigo afirma que “a busca permanente por atenção pode favorecer a exposição a conteúdos inadequados, padrões de comportamento nocivos, publicidade direcionada e formas de interação que exploram vulnerabilidades próprias dessa faixa etária”. Como desde sempre, a tática é colocar medo nas pessoas para convencê-las
“Isso também ajuda a explicar por que a proteção de menores não pode ser tratada como uma responsabilidade individual das famílias”, prossegue o texto, repetindo a falácia de que existe uma proteção aos jovens. E adiante: “Não é razoável transferir exclusivamente para pais e mães a tarefa de controlar sistemas tecnológicos desenvolvidos por grandes corporações, com equipes especializadas em dados, publicidade, algoritmos e comportamento humano”. Ou, seja, vai dizer que “a responsabilidade também é das plataformas e do Estado”, o que dará mais poder para a censura.
Como já denunciamos, o controle, na verdade, é sobre os usuários, pois as plataformas poderão censurar conteúdos sem a necessidade de uma ordem judicial. A esquerda pequeno-burguesa contribui com essa excrescência e ainda defende que “a multa aplicada ao TikTok representa, nesse sentido, uma tentativa de fazer valer um princípio básico: o interesse econômico das plataformas não pode estar acima da proteção integral de crianças e adolescentes”.
Elogio da censura
De maneira acrítica, o artigo diz que “usuários com menos de 16 anos terão configurações de privacidade mais restritivas por padrão. Alterações nessas configurações dependerão de autorização dos responsáveis. O TikTok também deverá reforçar mecanismos de controle parental e adotar filtros mais rigorosos para restringir o acesso de menores a conteúdos inadequados”.
A juventude de hoje, se depender da esquerda pequeno-burguesa, terá de se acostumar a viver em um mundo a cada dia mais parecido com o romance 1984, de George Orwell.
É absurdo defender que “para quem acessa a plataforma sem criar uma conta, haverá ainda outras limitações. A experiência será limitada a 12 horas, e o usuário não poderá criar conteúdo, comentar, enviar mensagens diretas, seguir outros usuários ou ser seguido. Também ficará impedido de publicar ou assistir a transmissões ao vivo”. Crianças e adolescentes não são tratados como pessoas com direitos democráticos que deveriam ser respeitados.
A esquerda deveria denunciar o sucateamento da rede preventiva, pois o apoio psicológico na rede pública (como os CAPSi) costuma sofrer com longas filas de espera e falta de profissionais, deixando famílias sem assistência no momento mais crítico.
É preciso denunciar a ausência de psicólogos nas escolas. A despeito de legislações aprovadas, a presença contínua de profissionais de saúde mental e assistentes sociais no ambiente escolar ainda é uma exceção, e não a regra.
Não bastasse tudo isso, há poucas opções públicas de lazer, esporte e cultura voltadas para a juventude nas periferias e centros urbanos, o que empurra o jovem para o isolamento em telas.
O texto finaliza dizendo que “não se trata de impedir crianças e adolescentes de acessar a internet”, mas é exatamente disso que se trata. É falso alegar que “trata-se de garantir que o direito à infância, à privacidade, à segurança e ao desenvolvimento saudável não seja colocado em segundo plano para alimentar modelos de negócio baseados na captura da atenção”; nada disso está sendo entregue à juventude, que nem consegue encontrar na esquerda quem a defenda do Estado castrador e repressivo.





