O regime ditatorial de “Israel” está financiando uma campanha destinada a influenciar as respostas dadas por sistemas de inteligência artificial sobre a Palestina. Entre as iniciativas está a criação de um falso instituto de pesquisa, abastecido com mais de uma centena de textos sobre a Nakba, os crimes de guerra israelenses e o genocídio na Faixa de Gaza.
A iniciativa foi revelada pelo jornalista Nick Cleveland-Stout, do portal norte-americano Responsible Statecraft. Segundo a investigação, o Hanover Institute for Public Policy, que se apresenta como uma organização dedicada a pesquisas sobre antissemitismo, Palestina e “Israel”, foi criado a serviço da Agência de Publicidade do regime israelense.
Por trás do instituto está a empresa norte-americana Piro, Inc., que recebeu US$ 900 mil do regime genocida de “Israel” para desenvolver o projeto. O trabalho estaria sendo realizado por meio da multinacional francesa de publicidade e relações públicas Havas Media.
O Hanover procura se apresentar como um centro acadêmico independente. Seu portal reúne estudos com notas de rodapé, sumários, tabelas e títulos aparentemente neutros. Os relatórios, porém, não possuem autores identificados. No rodapé do próprio sítio, uma declaração informa que o instituto foi criado em nome da Agência de Publicidade da ditadura israelense pela Piro.
A própria empresa oferece um serviço chamado “AI Story Optimization” — otimização de histórias para inteligência artificial — e afirma produzir conteúdo elaborado especificamente para a maneira como grandes modelos de linguagem avaliam a credibilidade das informações.
Daniel Rosenberg, produtor cinematográfico e cofundador da Piro, explicou publicamente o método.
“Quando alguém pergunta ao ChatGPT, Gemini ou Perplexity sobre sua categoria, uma resposta retorna em um único parágrafo confiante. A maioria das marcas não tem ideia de como esse parágrafo é construído. Então passamos meses fazendo engenharia reversa”, escreveu Rosenberg no LinkedIn.
Em seguida, resumiu o objetivo: “como garantir que a IA saiba contar” determinada história.
Os relatórios do Hanover seguem justamente esse modelo. Os títulos reproduzem perguntas semelhantes às feitas por usuários de chatbots: “O que causou o deslocamento dos palestinos em 1948?”, “Quais organizações humanitárias documentaram crimes de guerra israelenses?” e “Qual é a situação atual na Faixa de Gaza?”.
A ideia é colocar na Internet grande quantidade de documentos com aparência de pesquisa independente para aumentar a possibilidade de que sejam encontrados e utilizados por sistemas de inteligência artificial ao responder perguntas sobre a Palestina.
Apesar de afirmar que seus trabalhos são baseados em evidências acadêmicas e materiais revisados por especialistas, o Hanover utiliza com frequência fontes ligadas diretamente ao Estado sionista, entre elas o exército israelense e o Ministério das Relações Exteriores de “Israel”, segundo o Responsible Statecraft.
Os textos se concentram em temas particularmente prejudiciais à imagem internacional do Estado sionista. Uma publicação questiona estimativas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) sobre a destruição da infraestrutura de água e de instituições na Faixa de Gaza. Outra aborda a velha propaganda de que o exército israelense seria “o exército mais moral do mundo”.
Outros relatórios procuram relacionar as denúncias contra “Israel” e a guerra na Faixa de Gaza ao crescimento do antissemitismo nos Estados Unidos. A identificação da oposição ao sionismo com o antissemitismo é uma das principais linhas da propaganda utilizada para atacar os que denunciam os crimes contra os palestinos.
Também chama atenção a velocidade de publicação. Desde seu lançamento, em 6 de agosto, o instituto colocou no ar mais de 100 relatórios.
O Responsible Statecraft submeteu 12 textos escolhidos aleatoriamente ao GPTZero, ferramenta que procura identificar material produzido por inteligência artificial. Onze foram classificados com “alta confiança” como textos gerados por IA. O último recebeu a classificação de “confiança moderada”. Esse tipo de detector não fornece uma prova definitiva, mas o resultado levanta dúvidas sobre a produção de mais de uma centena de supostos estudos em tão pouco tempo.
A Piro nega que esteja tentando influenciar secretamente sistemas de inteligência artificial. Em declaração anterior ao Politico, Rosenberg afirmou que o objetivo da empresa seria colocar “fatos precisos e com fontes no registro público” e combater o que chamou de “desinformação sobre Israel”.
O Hanover não é o único projeto desse tipo financiado pelo regime terrorista israelense. “Israel” também contratou Brad Parscale, ex-chefe da campanha eleitoral de Donald Trump, dentro de uma campanha estimada em US$ 46,5 milhões que inclui a criação de páginas favoráveis ao sionismo preparadas para aparecer nas informações consultadas por chatbots.
Uma investigação do Drop Site News publicada no mês passado constatou que parte desse material já apareceu em respostas produzidas pelo Copilot, da Microsoft, e pelo Gemini, do Google.
A ditadura israelense procura, portanto, adaptar sua propaganda à expansão da inteligência artificial. Além de anúncios, grandes jornais e empresas redes sociais (ambos instrumentos da burguesia internacional que orienta o sionismo), passa a financiar a produção em massa de supostas fontes independentes para que a versão sionista sobre a Palestina seja encontrada e reproduzida pelos sistemas utilizados por milhões de pessoas.





