O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou bombardear Omã nessa segunda-feira (17) caso o país interfira nas operações norte-americanas no Estreito de Ormuz.
“Se Omã atrapalhar, vamos bombardear aquele lugar até não sobrar nada”, declarou Trump em entrevista ao jornalista Trey Yingst, da Fox News.
A declaração ocorre no fim do prazo de dois meses estipulado para as negociações com o Irã. Washington não conseguiu impor um acordo aos iranianos nem resolver a disputa em torno do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo.
Também nessa segunda-feira, o governo iraniano informou que mantém conversações com Omã sobre o estreito, embora tenha classificado as tratativas como complexas. O país árabe atua como interlocutor diplomático na crise, mas passou novamente a ser ameaçado por Washington.
A intimidação contra Omã aparece justamente diante da dificuldade dos EUA em dobrar o Irã. Sem conseguir alcançar seus objetivos pela guerra e pelas negociações, Trump amplia a pressão sobre os demais países envolvidos na crise.
Não é a primeira declaração desse tipo. Em maio, durante uma reunião de gabinete, o presidente norte-americano afirmou que “Omã vai se comportar como todo mundo, ou teremos que explodi-los”.
A ameaça é dirigida a um país historicamente próximo aos Estados Unidos e mostra que Washington não hesita em atacar nem mesmo seus aliados quando estes contrariam sua política para a região.
Na entrevista à Fox News, Trump também afirmou existir um canal direto e informal entre seu governo e o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. Ao mesmo tempo, descartou qualquer urgência para chegar a um acordo.
“Eles são bons jogadores de pôquer, mas estão em apuros. Não tenho prazo definido. Não estou com pressa”, afirmou. Essa suposta segurança entra em contradição com a nítida irritação expressa na ameaça a Omã. Na verdade, Trump encontra-se em apuros, sem saber como se livrar de uma guerra de agressão que pensou, no início, terminar em poucos dias. Não contava com o poder de reação e a bravura dos iranianos.
Apesar da declaração, o prazo estabelecido anteriormente terminou sem acordo. Enquanto o Irã mantém sua posição e Omã continua envolvido nas conversações sobre Ormuz, Trump volta a recorrer à ameaça de bombardear mais um país do Oriente Médio, demonstrando seu desespero diante de uma crise política interna que se aprofunda.





