Lionel Messi voltou a desperdiçar um pênalti no sábado (15), durante a derrota do Inter Miami por 4 a 1 para o Nashville, pela Major League Soccer (MLS).
O Nashville vencia por 1 a 0 quando o clube da Flórida teve a oportunidade de empatar. Messi assumiu a cobrança, mas o goleiro Brian Schwake defendeu.
O argentino ainda deu a assistência para o único gol do Inter Miami, mas sua participação não impediu que a equipe fosse goleada.
O novo pênalti desperdiçado chama atenção principalmente por causa da enorme propaganda feita em torno de Messi. Há muitos anos, a imprensa esportiva procura apresentá-lo não simplesmente como um bom jogador, mas como um fenômeno quase incomparável, chegando frequentemente a colocá-lo acima dos maiores jogadores da história do futebol.
O que se vê em campo está muito distante dessa propaganda.
A dificuldade nos pênaltis não é uma pequena exceção em meio a um jogador completo. É mais uma das limitações de um atleta cuja fama foi elevada muito acima de suas capacidades reais pela imprensa, pelas grandes empresas e por toda a máquina comercial montada em torno do futebol.
Messi já desperdiçou cobranças importantes ao longo da carreira, inclusive em partidas decisivas. Ainda assim, seus fracassos recebem tratamento muito diferente daquele dispensado a outros jogadores. Quando erra, procura-se uma explicação que preserve sua imagem. Quando acerta uma jogada, imediatamente reaparece a campanha para apresentá-lo como um jogador extraordinário.
A cobrança de pênalti é um fundamento básico do futebol. Não se trata de “loteria”, como frequentemente se diz para desculpar jogadores famosos. É necessário saber colocar a bola, enganar o goleiro e suportar a pressão da cobrança.
Nesse aspecto, Messi mais uma vez fracassou.
A propaganda em torno do argentino é tão exagerada que até seus defeitos mais evidentes precisam ser apresentados como acidentes. O problema, porém, não está apenas nos pênaltis. Messi nunca correspondeu à imagem do jogador praticamente perfeito fabricada pela imprensa esportiva.
Sua carreira foi construída em condições extremamente favoráveis, sobretudo no Barcelona, onde atuou durante anos em uma das equipes mais fortes do futebol mundial, cercado por jogadores excepcionais. Mesmo assim, a propaganda individualizou os êxitos coletivos e procurou transformar praticamente todas as conquistas do clube em demonstrações da suposta genialidade do argentino.
O mesmo mecanismo aparece diante dos fracassos. As derrotas são atribuídas ao restante da equipe, ao treinador ou às circunstâncias da partida; as vitórias, por sua vez, servem para alimentar o culto a Messi.
Contra o Nashville, não houve nenhum acontecimento extraordinário. Houve apenas mais uma partida em que a realidade ficou muito abaixo da fama do jogador. O Inter Miami foi goleado por 4 a 1 e seu maior astro teve nos pés a oportunidade de mudar o início da partida, mas não conseguiu sequer converter o pênalti.





