Donald Trump determinou no domingo, 16, que o Pentágono reduza substancialmente os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, horas antes do início da operação Ulchi Freedom Shield, que mobiliza 18 mil militares sul-coreanos até 27 de agosto. Trump afirmou que as manobras são caras e enviam um sinal hostil a um país que, segundo ele, tem se mostrado respeitoso enquanto ocupa a Presidência. Invocou sua “excelente relação” com Kim Jong-un e ainda atacou a Coreia do Sul por ter se recusado a participar da criminosa ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã.
O recuo chama a atenção porque parte de um governo extremamente agressivo. Estão aí os ataques ao Irã, o sequestro do presidente da Venezuela, o bloqueio total contra Cuba, o tarifaço contra dezenas de países e os atritos com o imperialismo europeu. Trump avança onde enxerga fraqueza e recua diante da força. Respeita Xi Jinping e Putin. Diante da resistência iraniana, que colocou seu governo em crise, também foi obrigado a mudar de tom.
Não existe amizade alguma entre Trump e Kim Jong-un. A Coreia do Norte impôs respeito aos Estados Unidos. Não abriu mão de sua independência, enfrenta o imperialismo, responde às provocações e, na sexta-feira anterior ao anúncio, denunciou os exercícios como ensaio de uma guerra de agressão. Sobretudo, mantém um arsenal nuclear pronto para ser empregado caso Washington e seus fantoches de Seul levem suas ameaças adiante.
Enquanto isso, o governo Lula faz discursos sobre soberania e entrega o País aos abutres imperialistas. Ao mesmo tempo, a direita nacional ganha terreno sob a farsa da frente ampla, sem que haja qualquer obstáculo real ao domínio estrangeiro sobre a economia brasileira.
A Coreia do Norte resiste porque fez uma revolução, expropriou a burguesia e estabeleceu a ditadura do proletariado. Sua economia está sob controle do Estado operário, e não dos banqueiros, como no Brasil. A burguesia nacional é o agente interno do capital estrangeiro nos países oprimidos. Enquanto essa classe permanecer no poder, não haverá independência real.
A expropriação, porém, não basta. O socialismo em um só país é impossível, entre outros motivos porque a força militar das grandes potências é incomparavelmente maior que a de uma nação isolada. Daí a importância das armas nucleares. Os Estados Unidos podem até atacar a Coreia, mas sabem que receberão uma resposta e sofrerão perdas materiais e humanas enormes. É por isso que pensam duas vezes antes de atacar quem possui a bomba.
O bloqueio econômico criminoso isola a Coreia do restante do mundo e impede seu pleno desenvolvimento. Mas sua independência política não foi roubada. Quem manda na Coreia do Norte são os coreanos. O Irã não teve tempo de adquirir a bomba e paga hoje um preço altíssimo por isso.
O Brasil e a esmagadora maioria dos países oprimidos não são soberanos porque não fizeram nem uma coisa nem outra. A Coreia do Norte fez as duas e, por isso, permanece de pé diante da maior potência militar do planeta, obrigando-a a recuar publicamente. Essa é a lição para os povos oprimidos de todo o mundo.





