Guerra no Oriente Próximo

Irã prepara resposta ofensiva a eventual invasão dos EUA

Comando militar iraniano anuncia “surpresas estratégicas” e reforça posições no estreito de Ormuz diante da possibilidade de uma operação terrestre norte-americana

O Irã anunciou que poderá passar da defesa para ações ofensivas caso os Estados Unidos ampliem a guerra contra o país. A advertência foi feita enquanto expira formalmente o memorando firmado entre Teerã e Washington e cresce a disputa em torno do estreito de Ormuz.

O brigadeiro-general Yadollah Javani, chefe do departamento político do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), afirmou que as forças iranianas estão preparadas para tomar as medidas necessárias para defender o país. Segundo ele, até agora os esforços do Irã tiveram caráter defensivo, mas podem adquirir um caráter ofensivo. Javani advertiu que os adversários devem esperar “surpresas estratégicas”.

A declaração ocorre depois de Donald Trump afirmar que o estreito de Ormuz seria “em breve” declarado território norte-americano. A Casa Branca tentou posteriormente apresentar a declaração como uma brincadeira. Para o comando iraniano, no entanto, as ameaças dos Estados Unidos devem ser levadas a sério.

O chefe do Exército iraniano, Amir Hatami, respondeu afirmando que soldados norte-americanos envolvidos em qualquer operação terrestre dentro do Irã serão considerados alvos. Ao mesmo tempo, o país reforçou suas posições militares nas ilhas e regiões costeiras próximas ao estreito de Ormuz, inclusive com unidades de resposta rápida.

A preocupação de Teerã com uma possível operação terrestre se baseia também na interpretação dos ataques norte-americanos realizados em julho. Mohsen Rezaee, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, afirmou que os Estados Unidos atacaram cerca de 50 cidades em 15 províncias, atingindo pontes, estradas, radares, torres de controle marítimo, instalações costeiras e posições militares. Na avaliação do dirigente iraniano, os bombardeios poderiam ter preparado as condições para uma tentativa de tomar o estreito de Ormuz e avançar em direção a instalações nucleares em Isfahan.

Não há, segundo a própria Al Jazeera, indicação recente de que Washington tenha decidido realizar uma invasão terrestre. A direção iraniana, porém, afirma que não pode descartar essa possibilidade diante da guerra já travada pelos Estados Unidos e pelo Estado de “Israel” contra o país.

Rezaee também afirmou que uma operação dessa dimensão exigiria um contingente muito superior a 40 mil ou 50 mil soldados. Segundo ele, seriam necessários pelo menos 100 mil militares para atravessar regiões como os montes Zagros e a província de Fars.

O Irã vem preparando planos específicos para impedir que tropas estrangeiras desembarquem em suas ilhas e na costa sul. Entre os pontos reforçados está a ilha de Carque, onde ficam instalações fundamentais para a exportação de petróleo iraniano. O porta-voz do Exército, Mohammad-Reza Akraminia, declarou que o objetivo é impedir que forças estrangeiras consigam estabelecer posições em território iraniano.

O CGRI também indicou que instalações dos Estados Unidos e de seus aliados poderão ser atingidas caso Washington ataque a infraestrutura civil iraniana. Foram mencionados como possíveis alvos sistemas de energia, usinas e estruturas ligadas à internet. Setores políticos iranianos chegaram a defender ataques terrestres contra interesses norte-americanos no Barein e no Cuaite caso tropas dos Estados Unidos invadam o Irã.

A orientação mais ofensiva também apareceu após mudanças no comando militar iraniano. Ao nomear Ahmad Vahidi comandante-em-chefe do CGRI, o dirigente supremo Mojtaba Khamenei afirmou que as forças deveriam combinar “dissuasão máxima” com preparação para operações ofensivas contra o inimigo.

A tensão ocorre ainda em torno do memorando firmado entre Irã e Estados Unidos em junho. Embora o acordo tenha praticamente desmoronado com a retomada dos combates em julho, seu prazo formal chegou ao fim nesta segunda-feira (17). O Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que o documento não estabelecia expressamente um prazo de dois meses para a suspensão dos combates e rejeitou qualquer tentativa de transformar seu vencimento em ultimato contra Teerã.

O governo iraniano também declarou que a abertura completa do estreito de Ormuz dependerá do cumprimento dos compromissos assumidos por Washington. As negociações conduzidas com Omã para uma abertura parcial ainda não chegaram a um acordo.

A preparação militar iraniana é uma resposta à enorme superioridade bélica colocada em movimento pelo imperialismo norte-americano contra o país. Depois dos bombardeios realizados pelos Estados Unidos e pelo Estado de “Israel”, Teerã procura deixar claro que uma eventual tentativa de desembarque ou ocupação de território iraniano não ficaria limitada a uma resposta defensiva dentro de suas fronteiras.

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