Seleção Brasileira

Brasil faz dever de casa e vence em último jogo antes da Copa

Seleção venceu o Egito por 2 a 1 nos EUA em partida pouco exigente

Juca Simonard, do Zona do Agrião

A Seleção Brasileira não fez uma grande partida. Mesmo assim, em sua última partida antes da Copa do Mundo, a equipe nacional bateu a Seleção Egípcia por 2 a 1 já em solo norte-americano, em Cleveland. 

Como no jogo contra o Panamá, o primeiro tempo foi fraco. Começamos pressionando e deu certo. Bruno Guimarães venceu um defensor egípcio em uma saída de bola adversária e colocou para dentro.

Cinco minutos depois, uma falha bisonha dos jogadores mais experientes da Seleção, Casemiro e Marquinhos — os dois primeiros na hierarquia dos capitães. Casemiro se complicou, mas a bola sobrou para Marquinhos que, ao recuar a bola para o goleiro, acabou dando um passe para deixar Ziko — em homenagem ao craque brasileiro — cara a cara com Alisson.

O Brasil voltou pressionando, mas aí chegou o desastre: Wesley saiu lesionado de campo. Nosso único lateral ofensivo, que estava atuando quase de atacante, dando profundidade à Seleção. Quando sai para a entrada de Danilo, com características mais defensivas — não por acaso tornou-se zagueiro nos últimos anos —, perdemos repertório ofensivo.

A lesão de Wesley foi a pior notícia da partida. Se ficar de fora da Copa do Mundo, nossas opções para a lateral direita são dois zagueiros improvisados — Danilo e Ibanez. Fora um dos melhores jogadores dentre os que iniciaram a partida contra o Panamá. Um lateral de características brasileiras, um quase-atacante.

No lado esquerdo, nossos dois laterais esquerdos, Alex Sandro e Douglas Santos, também não têm características ofensivas. Por isso, uma solução seria talvez jogar com uma linha de três zagueiros e sem laterais para não manter o time muito recuado.

Com a saída de Wesley, o jogo ficou truncado. É difícil até falar quem jogou bem no primeiro tempo. Vinícius Júnior, apesar de ter perdido um gol, e Raphinha não foram mal; buscaram jogo, mas não foram suficientemente eficientes para ultrapassar o paredão egípcio. Vini, inclusive, foi bem nas jogadas individuais que tentou — e sofreu um pênalti que não foi marcado pela arbitragem no final do primeiro.

No meio-campo, Paquetá começou a partida muito bem, mas caiu um pouco de rendimento. Mesmo assim, faz uma bela dupla com Bruno, melhor jogador em campo no primeiro tempo. Já nosso terceiro homem do meio, Casemiro, foi novamente muito mal, de certa forma, displicente. Displicente também foi Igor Thiago, que teve dificuldade de controlar a bola e também perdeu um gol.

Apesar dos gols perdidos, o grande problema da Seleção, a meu ver, continua sendo o sistema defensivo. Douglas Santos foi bem e continua sendo a melhor opção para a lateral. Ibanez, desta vez, também foi bem. No entanto, erros como o do Marquinhos não podem acontecer em jogos de Copa do Mundo. Precisa entrar focado e não dar sorte para o azar.

O técnico Ancelotti repetiu a decisão de alterar toda a equipe no segundo tempo, mantendo apenas Douglas e Raphinha em campo — depois, foram substituídos por Alex Sandro e Martinelli, respectivamente. O Brasil voltou a jogar bem, pressionando em cima e dominando a partida. Em uma dessas jogadas, sai o segundo gol brasileiro: marcação alta de Matheus Cunha e Douglas e uma jogadaça de Raphinha que adentrou a área e passou para Endrick marcar um belo gol.

Com exceção disso, não há muito a ser avaliado na segunda etapa. Após o segundo gol, a Seleção — provavelmente por orientação técnica — tirou o pé e ficou na segunda marcha; deixou o Egito jogar e esperou para jogar no contra-ataque. Natural, tratando-se de um amistoso uma semana antes da estreia na Copa do Mundo, não haveria motivo para se desgastar fisicamente.

O que ficou de positivo, mais uma vez, são os jogadores que vieram do banco rendendo. Endrick mostrou que tem estrela e é decisivo; Luiz Henrique mostrou sua força no mano a mano; Danilo Santos, sua inteligência no meio; Fabinho, a solidez defensiva; Danilo — o mais questionado dessa convocação — e Bremer mostraram que são opções importantes para a zaga.

Enfim, amistoso deve ser tratado como amistoso. A Seleção fez seu dever de casa, que era vencer e chegar com moral para a Copa. Decidiu se preservar para isso e, na minha opinião, fez certo. Agora acabou: vamos para cima em busca da sexta estrela!

Minhas notas

Alisson: 5. Não foi exigido; o gol do Egito era indefensável.

Weverton: 5. Assim como Alisson, não foi exigido. O Egito deu apenas um chute a gol e marcou.

Wesley: 6. Estava dando profundidade para o ataque no lado direito, mas saiu lesionado com 20 minutos de jogo.

Danilo: 5. Partida boa, não fez uma grande atuação, mas não comprometeu.

Marquinhos: 3. Pior da partida. Falhou feio no gol do Egito e fez partida burocrática de passes para o lado.

Bremer: 5. Partida tranquila, não errou nada e fez bem a linha defensiva quando demos a bola para o Egito jogar.

Ibanez: 6. Foi bem quando exigido, fez bem a marcação da sobra pelo lado esquerdo.

Leo Pereira: 5. Também não foi muito exigido, mas se posicionou bem quando o Egito atacou no segundo tempo.

Douglas Santos: 6. Boa partida, participou do segundo gol, foi bem defensivamente quando exigido.

Alex Sandro: 5. Jogou pouco, no momento em que o Brasil deixou o Egito jogar. Não comprometeu.

Casemiro: 4. Fez péssima partida, displicente. Teve culpa no gol egípcio. Como participou de alguns ataques, ganhou ponto. Mas foi, ao lado de Marquinhos, o pior em campo.

Fabinho: 6. Sólido defensivamente, ajudou a articular o meio-campo.

Bruno Guimarães: 8. Melhor do primeiro tempo. Além de marcar o gol, quase todas as jogadas ofensivas da Seleção passaram por ele.

Danilo Santos: 7. Jogador inteligente. Apareceu para o jogo e foi bem quando exigido.

Paquetá: 7. Muito bem no primeiro tempo. Fez uma bela dobradinha com Bruno Guimarães e ajudou na saída de bola e na marcação.

Matheus Cunha: 6. Buscou jogo e fez a pressão que resultou no segundo gol brasileiro, mas depois sumiu.

Vinícius: 6. Foi para cima no primeiro tempo, sofreu pênalti (não marcado), mas teve dificuldades de superar a retranca egípcia e perdeu um gol.

Luiz Henrique: 6. Oscilou um pouco. Começou muito bem, mostrando sua principal qualidade, o drible, depois sumiu.

Raphinha: 7. Fez um primeiro tempo bom, dando o passe que deixou Vinícius na cara do gol. Articulou algumas jogadas, mas teve dificuldades. Na segunda etapa, faz uma bela jogada e dá o passe para o gol de Endrick.

Martinelli: 5. Entrou no final do segundo tempo e praticamente não tocou na bola. Passou de ano por não comprometer.

Igor Thiago: 4. Se impôs fisicamente, mas perdeu gol, tomou decisões erradas, teve dificuldade de dominar a bola. Não foi muito exigido, mas quando foi, não foi bem.

Endrick: 8. Ganha o craque do jogo pelo gol e pela entrega. Marcou o gol que deu a vitória para o Brasil e deu a vida em campo. Mostrou que tem vontade e qualidade para ser o centroavante titular da Seleção.

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