Quase 40 minutos. Esse é o tempo necessário para reunir, numa única compilação, os lances faltosos, desleais e controversos produzidos pela seleção argentina ao longo de todos os seus jogos na Copa do Mundo de 2026. Não se trata de um ou dois choques próprios de uma competição disputada, mas de uma coleção interminável de pisões, soladas, cotoveladas, puxões, provocações, simulações e reclamações. Diante das imagens, cai por terra a propaganda da suposta “raça” argentina. O que aparece é uma equipe que fez da violência um método de jogo e contou, partida após partida, com uma tolerância escandalosa da arbitragem.
A duração do vídeo é por si só uma denúncia. Quarenta minutos correspondem a quase um tempo inteiro de futebol. Nenhuma seleção produz tamanho arquivo de brutalidades por acaso. A repetição mostra uma orientação: quando faltava futebol, sobravam pancadas; quando o adversário conseguia jogar, entravam em cena a falta tática, a provocação e a intimidação; quando a infração merecia cartão, o árbitro frequentemente fingia não ver.
Messi deu o exemplo contra a Argélia
O lance que definiu desde cedo o padrão do torneio ocorreu na estreia contra a Argélia. Aos 31 minutos, com a Argentina vencendo por 1 a 0, Lionel Messi atingiu por trás a panturrilha de Aïssa Mandi com as travas da chuteira. O zagueiro caiu gritando de dor. Era uma entrada para expulsão, mas o árbitro Szymon Marciniak não mostrou sequer o cartão amarelo, e o VAR também permaneceu em silêncio.
Protegido, Messi continuou em campo e marcou mais dois gols na vitória por 3 a 0. A Federação Argelina apresentou uma reclamação formal à FIFA, enquanto a imprensa do país classificou o episódio como um escândalo de arbitragem. A mensagem dada aos argentinos era inequívoca: até o jogador mais protegido do torneio poderia pisar num adversário sem punição.
A impunidade foi ainda mais reveladora porque Messi tentou, na final, usar a arbitragem para eliminar um adversário. Sem conseguir superar Marc Cucurella com a bola, apontou para a própria boca e quis convencer o juiz de que o espanhol havia coberto os lábios para proferir uma ofensa. Nenhuma ofensa foi identificada. O argentino, que escapara do vermelho depois de cravar as travas em Mandi, tentou fabricar uma expulsão com uma denúncia inexistente. Da agressão impune à simulação de vítima, a conduta foi a mesma: buscar fora do futebol o resultado que não conseguia obter jogando.
Da cotovelada à pancadaria
Na semifinal contra a Inglaterra, a selvageria começou aos três minutos. Enzo Fernández acertou uma cotovelada na cabeça de Elliot Anderson. A jogada merecia cartão vermelho, mas o árbitro Ismail Elfath marcou somente a falta. Pouco depois, o primeiro advertido foi justamente Anderson, por uma infração em Messi.
Os argentinos perceberam rapidamente que podiam bater. Leandro Paredes provocou os adversários, Lisandro Martínez e Cristian Romero distribuíram entradas duras, e Anderson foi caçado durante os minutos seguintes. Somente no primeiro tempo houve 19 faltas, 12 cometidas pela Argentina. A pancadaria destruiu a partida a tal ponto que, pela primeira vez desde o início dos registros, em 1966, um jogo de Copa chegou ao intervalo sem uma finalização na direção do gol.
A Argentina terminou a semifinal com 15 faltas oficiais e apenas três cartões amarelos — números que nem sequer incluem todas as entradas ignoradas pelo árbitro. Enzo, que deveria ter sido expulso no começo, permaneceu em campo para marcar o gol de empate aos 85 minutos. Depois de desmontar a Inglaterra na base da violência e da intimidação, a equipe virou nos minutos finais e chegou à decisão.
O escândalo contra o Egito exibiu outra face do mesmo favorecimento. Um gol egípcio foi anulado, e, no lance que terminou com a virada argentina por 3 a 2, Mac Allister puxou a camisa de Fathy dentro da área. Na continuação, Julián Álvarez desarmou Salah, e a Argentina marcou. As reclamações egípcias foram respondidas com uma chuva de cartões contra jogadores e integrantes da comissão técnica do Egito. A equipe favorecida atacava; quem protestava contra o favorecimento era punido.
Na final, 24 faltas e cartões guardados
Contra a Espanha, na final, a Argentina abandonou de vez qualquer aparência de futebol. Foram 24 faltas em 120 minutos. No tempo regulamentar, a equipe de Lionel Scaloni já acumulava 18 infrações, cinco amarelos e nenhuma finalização. A Espanha controlava a bola; os argentinos respondiam derrubando o jogador que tentasse avançar.
Mac Allister atingiu Dani Olmo numa entrada dura que ficou sem cartão. Tagliafico repetiu a violência contra o mesmo jogador. Messi acertou Cubarsí no campo de defesa espanhol e também escapou da advertência. Aos 90+3 minutos, Enzo Fernández entrou de sola em Pau Cubarsí, fora do tempo da bola, fez o espanhol girar no ar e finalmente recebeu o segundo amarelo. O espantoso não foi a expulsão, mas o fato de ela ter demorado tanto.
Mesmo depois disso, a proteção continuou. Leandro Paredes, que já tinha cartão, derrubou Ferran Torres na entrada da área numa falta que exigia nova advertência. O árbitro marcou a infração, mas guardou o cartão e evitou que a Argentina ficasse com nove jogadores. A equipe ainda terminou a decisão com cinco amarelos e um vermelho, quando uma arbitragem minimamente séria poderia ter expulsado dois ou três argentinos.
A selvageria não terminou com o jogo. Logo após o apito final, Nahuel Molina desferiu um golpe contra Rodri e deu início a uma briga generalizada. Paredes agarrou Eric García pelo pescoço e derrubou Gavi; o auxiliar argentino Roberto Ayala atingiu Dani Olmo e depois admitiu a agressão, embora tentasse reduzi-la a um “empurrão”. A FIFA abriu um procedimento disciplinar para investigar jogadores, membros da comissão técnica e a própria Associação do Futebol Argentino. Derrotada dentro de campo, a equipe encerrou a Copa exatamente como a disputou: trocando o futebol pela pancadaria.
O contraste com o desempenho futebolístico é devastador. A Argentina não acertou uma única finalização no gol espanhol durante 120 minutos. Messi não finalizou. Incapaz de criar, o time apelou para a violência, a catimba e a pressão sobre o juiz. Nem os dois gols anulados da Espanha, nem a licença para bater, nem a tentativa de arrastar a decisão aos pênaltis foram suficientes: Ferran Torres marcou na prorrogação e confirmou o título espanhol.
Cai a máscara da ‘raça argentina’
A compilação de quase 40 minutos impede que cada episódio seja tratado como um acidente isolado. Da Argélia à final, passando por Egito e Inglaterra, a Argentina adotou a falta e a deslealdade como instrumentos permanentes. A violência não foi um excesso ocasional de uma equipe nervosa, mas o recurso central de uma seleção que, diante de adversários organizados, não tinha futebol para se impor.
Chamar isso de “raça” é transformar brutalidade em virtude. Não há mérito em pisar na panturrilha de um adversário, acertar uma cotovelada na cabeça, entrar de sola, simular agressões ou cercar o árbitro para obter no grito aquilo que não se conquistou com a bola. Há somente antijogo e covardia, agravados pela certeza de que a FIFA e seus árbitros fariam todo o possível para conservar Messi e a Argentina no torneio.
As imagens reunidas pela Internet deixaram o esquema exposto. Durante décadas, a grande imprensa pôde apresentar a violência argentina como malícia, personalidade ou espírito competitivo. Desta vez, qualquer torcedor pode assistir à sequência completa e tirar a conclusão inevitável: a campanha argentina na Copa de 2026 foi uma longa sessão de selvageria protegida. Quarenta minutos de vídeo mostram o que os resultados, os cartões e a propaganda tentaram esconder — quando a bola não bastava, a Argentina batia; quando batia, a arbitragem deixava passar.





