Um homem foi condenado a cinco anos de prisão por uma suposta série de “ameaças” contra judeus no norte de Londres, capital da Inglaterra. Essas ameaças teriam ocorrido entre outubro de 2025 e março de 2026 e teve como cenário as proximidades de sinagogas em Stamford Hill, região com grande presença judaica. O responsável foi identificado como Tavius Jean Charles.
O episódio considerado mais grave ocorreu em 16 de março, quando a polícia foi chamada depois que um motorista relatou ter ouvido Jean Charles “gritar ameaças” contra judeus antes de ter a janela do passageiro do carro quebrada em Manor Road, Stamford Hill. Segundo a Polícia Metropolitana, o Jean Charles foi identificado com apoio da patrulha comunitária judaica (Shomrim) e preso em 23 de março.
Depois de ser solto sob fiança no dia seguinte, Jean Charles voltou a ser denunciado. A polícia afirmou que, apenas 73 minutos após sua liberação, recebeu a informação de que um homem com sua descrição havia dito, ao telefone, que seria “bom” explodir uma escola judaica. Ele foi localizado pouco depois e preso novamente por crime de ordem pública agravado por motivação religiosa.
A Promotoria afirmou que Jean Charles teria feito “ameaças” a pessoas nas proximidades de uma sinagoga e que teria abordado pessoas em seus carros. Em abril, diante das provas reunidas, ele mudou sua posição e admitiu a autoria dos fatos.
A condenação foi anunciada em 22 de maio de 2026, no Tribunal da Coroa de Southwark. Além da pena de prisão, Jean Charles recebeu uma ordem de restrição que o impede de entrar na região de Stamford Hill e de manter contato com as chamadas “vítimas”.
A Polícia Metropolitana afirmou que Jean Charles admitiu também uma acusação separada de posse com intenção de fornecer droga de classe A, ligada a um fato de junho de 2024. A imprensa britânica também registrou que ele foi sentenciado por crimes ligados a drogas, além dos “crimes de ódio”.
Em nota, a Polícia Metropolitana afirmou que o caso mostra o compromisso da corporação em combater crimes de ódio e destacou sua colaboração com a Promotoria e parceiros comunitários.
A mesma nota da polícia informa que, após ataques recentes contra as comunidades judaica e iraniana, detetives de contraterrorismo lideram 11 investigações, com 35 prisões e 10 pessoas acusadas. Separadamente, a polícia declarou ter feito mais de 90 prisões por “crimes de ódio” desde o fim de março, incluindo mais de 70 prisões por “crimes antissemitas”.
A corporação anunciou ainda uma nova Equipe de Proteção Comunitária, inicialmente formada por 100 policiais, reunindo policiamento de bairro, proteção especializada e capacidades de contraterrorismo. A justificativa seria a de proteger comunidades judaicas em Londres.
O mesmo Estado britânico supostamente preocupado com a defesa de uma minoria religiosa é um dos pilares internacionais da política imperialista no Oriente Médio. O Reino Unido é um aliado indispensável do imperialismo norte-americano e mantém relação estreita com o Estado de “Israel”. No caso da entidade sionista, não há meras ameaças contra os palestinos. Há um genocídio reconhecido até mesmo por organismos internacionais. Há mais de 30 mil crianças assassinadas.
O apoio ao sionismo traz gravíssimas consequências para a política interna britânica, uma vez que manifestações políticas contra “Israel”, são tratadas como suspeita de “terrorismo”. Essa política apareceu de forma ainda mais clara no caso do grupo conhecido como Ação Palestina. Desde que o governo britânico proibiu o grupo sob a legislação antiterrorista, em julho de 2025, apoiar publicamente a organização passou a ser crime. Em abril de 2026, mais de 500 pessoas foram presas em uma manifestação na Trafalgar Square por exibirem cartazes em apoio ao grupo. Entre os detidos, havia pessoas de 18 a 87 anos. Muitos carregavam cartazes com a frase: “eu me oponho ao genocídio. Eu apoio a Ação Palestina”.
Ou seja, o Estado britânico não está apenas prendendo pessoas por supostos “atos violentos” — embora ameaças feitas por um indivíduo isolado sequer pode serem classificadas dessa maneira. O Estado britânico está prendendo pessoas por opinião política, por cartazes, por solidariedade à Palestina e por oposição ao genocídio em Gaza. Mais de 2.700 pessoas já teriam sido presas por supostamente expressar apoio à Ação Palestina. A mensagem é: quem apoiar a Palestina pode ser enquadrado como terrorista.
A acusação de “antissemitismo” é o instrumento central dessa intimidação. O imperialismo procura identificar toda crítica a “Israel”, ao sionismo e à sua máquina de guerra com ódio contra judeus. Com isso, protege o Estado de “Israel” e seus crimes de guerra.
O caso de Jean Charles serve, portanto, como peça de propaganda. A partir de um processo criminal específico, o aparato estatal tenta apresentar a comunidade judaica como permanentemente ameaçada por qualquer mobilização pró-Palestina.
É assim que funciona a “democracia” dos países imperialistas. Em nome do combate ao “ódio”, o Estado elimina direitos democráticos elementares. Em nome da suposta proteção de uma comunidade, reprime milhões que se opõem a um genocídio. A campanha contra o “antissemitismo”, tal como conduzida pelo imperialismo, não é uma defesa real dos judeus. É uma arma política para proteger “Israel”, encobrir o genocídio e perseguir quem se levanta contra ele.




