Nikol Pashinyan, o candidato eleito, e agora o primeiro-ministro armênio, cujo partido pró-Contrato Civil da UE obteve uma vitória decisiva nas eleições parlamentares de 7 de junho, classificou os partidos de oposição que entraram no Parlamento como ilegais e prometeu tirá-los da posição política.
As consequências da recente eleição na Armênia, com vitória suspeita de candidato pró-Otan imperialista, indicam que a Armênia e a UE (União Europeia) caminham a passos largos para uma ditadura, o que pode colocar em movimento a classe trabalhadora.
A eleição foi amplamente vista como um referendo sobre o futuro político da Armênia, com o partido de Pashinyan pressionando por laços mais estreitos com a UE.
Os resultados oficiais da votação, anunciados no domingo (14), mostraram que o partido Contrato Civil obteve 49,74% dos votos, o suficiente para formar um governo por conta própria. O bloco oposição Armênia Forte, fundado pelo bilionário russo-armênio Samvel Karapetyan, ficou em segundo com 23,27%, enquanto a Aliança Armênia, do ex-presidente Robert Kocharyan, obteve 9,92%.
A Próspera Armênia, do empresário Gagik Tsarukyan, perdeu por pouco o limite de 4% para representação parlamentar, recebendo 3,98%. Todos os três grupos de oposição defendem laços mais estreitos com a Rússia, maior parceiro comercial da Armênia e principal fornecedor de energia.
Pashinyan, em sua fala ao parlamento, disse que a oposição representada no parlamento recém-eleito foi formada por meio de “ações absolutamente ilegais” e que a Armênia tinha “direito legítimo de privar esses círculos da oportunidade de mais atividade política.”
O primeiro-ministro, claramente, tem a intenção de eliminar a oposição, que em sua maioria é pró-russa. Lembrando que o recém-eleito tem sofrido protestos enormes nos últimos anos por ceder parte território ao Azerbaijão, sinal de que há enorme descontentamento por ele pela população armênia.
“Nada impede agora que nos concentremos na erradicação da oligarquia criminosa. Esse processo começou e não vai parar,” disse Pashinyam. A oligarquia a que ele se refere é a oposição contrária à União Europeia (UE).
Enquanto isso, na CEC (Comissão Central Eleitoral), se reuniram centenas de manifestantes do lado de fora exigindo a anulação da eleição alegando fraude generalizada. Os opositores, por sua vez, disseram que contestariam o resultado eleitoral no Tribunal Constitucional.
Os partidos oposicionistas alegam que sofreram muita repressão antes, durante e depois da eleição; já Pashinyan diz que a oposição praticou a compra de votos na campanha, e que tem planos para atingir financeiramente as principais figuras da oposição. Seu partido tem planos de confiscar bens pertencentes a Karapetyan, Kocharyan e Tsarukyan, argumentando que eles usaram suas riquezas para influenciar as eleições.
“Eles devem ficar com fome para que o pensamento de distribuir subornos eleitorais nunca sequer ocorra a eles”, disse Pashinyan. “Esta é uma agenda política, e neste sentido a revolução não pode mais permanecer de fachada.”
Isso significa que a mudança não vai continuar em situação confortável, superficial, o novo governo vai partir para a ação direta contra a oposição, tentará calar ou até mesmo caçar os direitos políticos dos opositores de seu governo pró-imperialista.
Hayk Mamijanyan, líder do bloco parlamentar disse “Eu Tenho Honra”, em entrevista ao jornal Izvestia, na segunda-feira, e ainda que Pashinyan recebeu “carta branca” pelo imperialismo para repressão contra políticos e dissidentes da oposição. E também acusou o primeiro-ministro Pashinyan de políticas anti-rússia em apoio à UE imperialista em troca de apoio político.
Os líderes da oposição afirmam acertadamente que a repressão tem motivação política, entendem que estão levando a Armênia a unir-se ao bloco europeu contra a Rússia, uma espécie de abraço de afogado que poderá arrastar o país para uma situação muito complicada.
Pashinyan está apontando para a proibição ou fechamento de partidos políticos na Armênia, exatamente como ocorre na UE, e isso é sinal claro de uma ditadura. O que a UE está impondo aos armênios é uma ditadura com características anti-Rússia e que servirá de modelo para os demais países que compõem o bloco.
Dado o alto grau de insatisfação da população na região, a manobra pode não obter sucesso. A política anti-russa e aumento de gastos militares têm aumentado o empobrecimento na Europa, o que provocará o choque entre classe operária europeia e o imperialismo.





