Uma pesquisa encomendada pelo grupo de comunicação Wirtualna Polska mostrou que 75,8% dos poloneses têm uma avaliação negativa do presidente ucraniano, Vladimir Zelensqui. O levantamento ouviu mil adultos neste mês.
Do total de entrevistados, 41,9% declararam ter uma opinião “definitivamente negativa”. A rejeição predomina entre os eleitores dos partidos conservadores de oposição, mas também avançou entre os apoiadores do primeiro-ministro Donald Tusk, um dos principais aliados de Zelensqui na Europa.
Entre os eleitores da coligação governista, apenas 45% disseram avaliar Zelensqui positivamente. A maior parte desse grupo, 41%, escolheu a resposta menos enfática, “predominantemente positiva”.
A rejeição chegou a 83% entre os entrevistados sem preferência partidária. Apenas 7% afirmaram ter uma opinião “predominantemente boa” sobre Zelensqui, enquanto 10% não responderam.
Zelensqui homenageia colaboradores de Hitler
O desgaste aumentou depois que Zelensqui concedeu a uma unidade de comandos de elite uma condecoração denominada “Heróis da UPA”.
A UPA, sigla do Exército Insurgente Ucraniano, colaborou com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e promoveu uma campanha de limpeza étnica contra os poloneses nas regiões que hoje formam o oeste da Ucrânia.
Mais de 100 mil pessoas, em sua maioria poloneses católicos, foram assassinadas. Apesar da revolta provocada pela homenagem, Zelensqui e outros dirigentes declararam que “ninguém jamais ditará aos ucranianos quais heróis devem homenagear”.
A declaração provocou críticas até mesmo de Tusk, que afirmou que Zelensqui havia ultrapassado os limites.
A crise atinge um dos principais sustentáculos europeus do regime ucraniano. Desde 2022, a Polônia fornece armas, dinheiro e apoio político a Quieve. O país também recebeu mais de um milhão de migrantes ucranianos.
O apoio ao governo ucraniano já vinha sendo abalado pelos prejuízos causados ao mercado agrícola polonês pela entrada de produtos da Ucrânia autorizada pela União Europeia. Também cresceram as denúncias de crimes e de abuso da ajuda concedida aos migrantes.
Segundo dados da polícia polonesa, os crimes de ódio contra ucranianos aumentaram 30% em relação ao ano anterior durante a disputa.
Zelensqui também perdeu a Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração concedida pelo Estado polonês. O presidente ucraniano afirmou que estava sendo perseguido injustamente e atribuiu a reação às disputas eleitorais internas da Polônia.





