Nesta segunda-feira (27), as tropas de ocupação de “Israel” realizaram uma ampla operação de invasões e prisões na Cisjordânia e em Al-Quds ocupada.
As ações atingiram Ramalá, Al-Bireh, Nablus, Jenin, Al-Khalil, Beit Lahm, Tulkarm e cidades próximas de Al-Quds. Residências foram invadidas e reviradas, enquanto veículos militares bloquearam estradas e acessos a diferentes localidades palestinas.
Em Jenin, soldados prenderam vários moradores depois de entrarem em cidades e vilarejos da província. Outras prisões foram realizadas ao sul e a oeste de Al-Khalil, além de Beit Lahm e Tulkarm. Entre os capturados estavam palestinos que já haviam passado pelas prisões israelenses.
Na cidade de Al-Eizariya, a sudeste de Al-Quds ocupada, um palestino também foi preso durante uma invasão militar.
Em Qalandiya, ao norte de Al-Quds, soldados israelenses invadiram um centro de formação profissional da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).
As tropas lançaram gás lacrimogêneo dentro do complexo e mantiveram professores e funcionários administrativos presos em uma das salas. Militares também ocuparam o telhado do prédio do comitê local do campo de refugiados.
A operação foi realizada após uma noite de invasões em Qalandiya. Soldados percorreram vários bairros, dispararam bombas de efeito moral e lançaram gás lacrimogêneo, provocando incêndios no campo.
O centro da UNRWA atende cerca de 350 estudantes palestinos com idades entre 15 e 19 anos. O terreno foi cedido à agência pelo governo jordaniano antes da ocupação sionista da Cisjordânia, iniciada em 1967.
Em 11 de junho, autoridades palestinas denunciaram que “Israel” pretendia demolir o centro para construir outro complexo no local. A tomada do terreno faz parte da ofensiva contra as instituições palestinas e internacionais que ainda funcionam em Al-Quds ocupada.
O regime sionista já proibiu a UNRWA de atuar nos territórios ocupados. A decisão foi justificada com acusações contra funcionários da agência, supostamente envolvidos na operação Dilúvio de Al-Aqsa, de 7 de outubro de 2023. Apesar dos pedidos da ONU, o governo israelense não apresentou provas que sustentassem as acusações.
Na região de Al-Mughayyir, a nordeste de Ramalá, as tropas instalaram um posto de controle próximo ao Memorial dos Mártires e passaram a interromper moradores para verificar documentos.
Os soldados fecharam a planície de Marj Sia ao tráfego de veículos, bloqueando a estrada que liga Al-Mughayyir a Abu Falah. Jihad Amin Abu Alia foi preso em outro posto militar situado a oeste da cidade.
Ao norte de Al-Bireh, tropas invadiram o campo de refugiados de Al-Jalazone e dispararam gás lacrimogêneo. Reforços militares foram enviados ao local durante a operação.
Também houve prisões na entrada de Turmus Ayya. Em Deir Jarir, soldados fecharam o principal acesso ao vilarejo, isolando os moradores.
Em Idhna, a oeste de Al-Khalil, colonos atacaram palestinos e feriram um homem. Em vez de deter os agressores, os militares prenderam moradores que estavam no local e impediram a chegada de equipes médicas.
Nas proximidades de Beit Lahm, cerca de 40 colonos invadiram terras da aldeia de Al-Jab’a, perto do assentamento de Beit Ayin, construído sobre território palestino.
A ofensiva militar serve de cobertura para uma nova etapa da colonização da Cisjordânia. Em apenas quatro dias, colonos instalaram oito novos postos de ocupação em terras palestinas.
A expansão começou depois do ataque realizado na sexta-feira (24) contra a cidade de Tell, a sudoeste de Nablus. Colonos armados, acompanhados por soldados israelenses, assassinaram quatro palestinos e feriram outros quatro.
Durante o confronto, um palestino tomou a arma de um oficial e abriu fogo contra os invasores, matando dois militares israelenses, entre eles um major.
Dois dos novos postos foram montados nas últimas 24 horas. Um deles fica entre Deir Istiya e o assentamento de Immanuel, em uma área que deveria estar sob controle civil palestino. Outro foi instalado a oeste de Deir Ballut.
Na região de Tal al-Asour, a leste de Ramalá e Al-Bireh, colonos levantaram uma grande barraca e levaram caminhões-pipa e reservatórios de água para consolidar a ocupação do terreno.
O chefe do Comando Central das tropas israelenses, Avi Bluth, não ordenou a retirada de nenhum dos novos postos.
Segundo a Comissão de Colonização e Resistência ao Muro, colonos realizaram 3.488 ataques contra palestinos e suas propriedades durante o primeiro semestre de 2026.
No mesmo período, as autoridades israelenses executaram 341 operações de demolição. Ao todo, 740 construções palestinas foram destruídas, atingindo 923 pessoas.
A comissão registrou ainda a criação de 13 postos de ocupação em Al-Khalil, nove em Ramalá, oito em Nablus e quatro em Beit Lahm, além de outros espalhados pela Cisjordânia.
O Hamas denunciou que a campanha contra a UNRWA procura eliminar o direito de retorno dos refugiados palestinos. A ofensiva conta com o apoio dos Estados Unidos, onde foi apresentado ao Congresso um projeto dirigido contra a agência.
O dirigente do Hamas Ali Baraka classificou a proposta como uma violação do direito internacional e um ataque aos palestinos expulsos de suas terras durante a Nakba, em 1948.
Criada pela Resolução 302 da Assembleia Geral da ONU, em 1949, a UNRWA presta serviços de educação, saúde e assistência aos refugiados palestinos na Faixa de Gaza, Cisjordânia, Jordânia, Líbano e Síria.
Baraka afirmou que a extinção da agência não modificaria a condição jurídica dos refugiados nem retiraria seu direito ao retorno e à indenização, reconhecido pela Resolução 194 da ONU.
Enquanto intensifica as prisões e tenta desmontar a UNRWA, o governo israelense prepara a ampliação do assentamento de Eli, ao sul de Nablus. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, anunciou a construção de 763 unidades para colonos. O projeto poderá triplicar o tamanho do assentamento e levar milhares de novos ocupantes às terras palestinas.





