Nesta segunda-feira (4), a República Islâmica do Irã declarou que navios de guerra norte-americanos tentaram se aproximar do Estreito de Ormuz em “modo escuro”, com aparelhos desligados, antes de reativarem seus radares.
A Marinha do Irã afirmou que emitiu advertências às embarcações dos Estados Unidos. Como os avisos foram ignorados, as forças iranianas dispararam mísseis de cruzeiro, foguetes e veículos aéreos não tripulados (VANTs) de combate nas proximidades dos navios. A República Islâmica declarou que a ação teve caráter de advertência e que qualquer entrada não autorizada no Estreito será considerada violação do cessar-fogo anunciado no início de abril.
A reação iraniana ocorreu horas depois de o presidente norte-americano Donald Trump anunciar uma operação militar para “romper” o controle iraniano sobre Ormuz e permitir a passagem de navios comerciais. O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) advertiu que nenhuma embarcação militar ou comercial poderá atravessar o Estreito sem coordenação com as autoridades iranianas.
O Irã controla o Estreito desde os primeiros dias da agressão conjunta dos Estados Unidos e de “Israel”, iniciada no fim de fevereiro. Apenas navios considerados não hostis e que cumprem os protocolos de segurança definidos pelos militares iranianos têm autorização para atravessar a região. A medida deixou cerca de três mil navios e 20 mil marinheiros retidos nos dois lados da passagem, provocando forte alta nos preços internacionais do petróleo.
A imprensa iraniana também desmentiu a versão do Comando Central dos EUA, que afirmou ter afundado seis pequenas embarcações iranianas e interceptado mísseis e VANTs. Um alto oficial militar iraniano classificou a declaração como “mentira”. Segundo o CGRI, nenhum navio comercial ou petroleiro atravessou o Estreito nas últimas horas, e as alegações norte-americanas de trânsito normal seriam “fabricadas”.
Ao mesmo tempo, a agência Fars informou que uma fragata norte-americana foi atingida por dois mísseis após ignorar repetidos avisos das forças iranianas perto do porto de Jask. De acordo com a versão iraniana, o navio tentava atravessar Ormuz violando as novas regras de navegação impostas pela República Islâmica, foi obrigado a interromper o movimento e recuar.
A tensão aumentou ainda mais após um incêndio atingir instalações petrolíferas em Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. Autoridades emiradenses acusaram o Irã de lançar VANTs e mísseis contra o local. Órgãos da imprensa capitalista no Brasil, como o portal Poder 360, reproduziram a acusação. Já fontes militares iranianas negaram qualquer plano de atacar instalações dos Emirados Árabes e afirmaram que o episódio foi consequência da “aventura militar” dos Estados Unidos para criar um corredor ilegal de passagem no Estreito.
Três incidentes marítimos também foram registrados em águas próximas aos Emirados Unidos. Um petroleiro vazio, identificado como MV Barakah e operado pela ADNOC Logistics and Services, foi atingido por um projétil a cerca de 78 milhas náuticas ao norte de Fujairah, sem vítimas entre os tripulantes. Também foram relatados incêndios em uma embarcação de carga ao norte de Dubai e em um terceiro navio a oeste do porto de Saqr.
O Irã advertiu os Emirados Árabes Unidos contra qualquer ação hostil. Uma fonte militar citada pela agência Tasnim afirmou que, caso o país do golfo atue como instrumento de “Israel” ou cometa uma “ação imprudente”, suas instalações poderão se tornar alvos iranianos. A fonte disse ainda que os Emirados Árabes estão “sentados em uma casa de vidro frágil”.
No plano diplomático, o Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou ter recebido, por mediação do Paquistão, a resposta dos Estados Unidos à proposta iraniana de 14 pontos para encerrar a guerra. O porta-voz Esmaeil Baghaei afirmou que o plano trata exclusivamente do fim da agressão norte-americana e israelense contra o Irã e a região, não de negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Baghaei acusou o governo norte-americano de manter sua política de “exigências ilimitadas” e afirmou que os Estados Unidos mudam constantemente de posição, dificultando qualquer processo diplomático. Ele também criticou países europeus que se manifestaram sobre Ormuz, dizendo que deveriam pressionar os Estados Unidos a interromper a escalada militar.
O Irã afirma que está disposto a reabrir o Estreito de Ormuz, mas somente mediante o fim definitivo da agressão sionista e imperialista, além do encerramento do bloqueio contra seu comércio marítimo. Até lá, não haverá passagem livre para navios hostis no Golfo Pérsico.





