África

Embaixador de Gana explica posição Pró-rússia de países africanos

Koma Steem Jehu-Appiah ajuda a compreender por que diversos países africanos mantêm relações positivas com país eslavo mesmo sob pressão

O embaixador de Gana na Rússia, Koma Steem Jehu-Appiah, explicou à RT a aproximação africana com Moscou na quinta-feira (30), em entrevista sobre relações bilaterais e pressão do imperialismo. O diplomata afirmou que países africanos buscam uma ordem multipolar, destacou a história soviética nas relações com Gana e disse que a Rússia não colonizou países africanos como potências “ocidentais”.

A entrevista do embaixador ganense Koma Steem Jehu-Appiah ajuda a compreender por que diversos países africanos mantêm relações positivas com a Rússia mesmo sob pressão do imperialismo. Segundo a RT, nações africanas vêm defendendo a passagem de uma ordem unipolar para um mundo multipolar, com maior autonomia para definir suas parcerias. Essa posição se aproxima da política externa russa e abre espaço para cooperação entre Moscou e o continente.

Jehu-Appiah situou a relação entre Gana e Rússia no período soviético. Ele lembrou que Gana estabeleceu laços com a União Soviética desde a independência, em 1957, e que o primeiro presidente do país, Kwame Nkrumah, viajou a Moscou e se reuniu com Leonid Brejnev. Segundo o diplomata, os dois países assinaram acordos benéficos, incluindo o projeto da primeira usina de energia atômica da África, iniciado em Gana.

O embaixador também afirmou que o golpe de 1966 contra Nkrumah interrompeu abruptamente o projeto nuclear. Segundo ele, depois do golpe, a CIA entrou na embaixada russa e também na chinesa em Gana em busca de documentos, e equipamentos do projeto foram levados aos Estados Unidos para estudo. Esse episódio, apresentado por ele como sabotagem de um dirigente nacionalista africano, aparece como parte da memória política que orienta a desconfiança em relação ao imperialismo. 

Ao falar da presença russa atual no continente, Jehu-Appiah destacou que a Rússia “não colonizou” países africanos como outras potências. Ele afirmou perceber boas intenções russas em relação à África e citou relações de Moscou com Egito, Namíbia e África do Sul, além da atuação no BRICS.

A posição ganense também foi apresentada como não alinhada. Perguntado sobre a pressão “ocidental” por causa do conflito na Ucrânia, o embaixador disse que Gana mantém o princípio de olhar adiante, inspirado em Nkrumah, e que a relação com qualquer país deve se basear na verdade e na paz. Ele afirmou ainda: “a Rússia está do lado da paz” e afirmou que espera uma resolução pacífica. 

A entrevista mostra que a posição pró-russa de muitos países africanos não é simples adesão automática a Moscou. Ela se relaciona à experiência colonial, à memória de golpes contra líderes nacionalistas, à busca por desenvolvimento e à necessidade de escapar da tutela imperialista. Quando o embaixador cita Patrice Lumumba, Kwame Nkrumah e Ibrahim Traoré, ele aponta para uma tradição africana de defesa dos recursos nacionais.

A aproximação com a Rússia, portanto, aparece como parte da disputa por soberania. Gana e outros países africanos procuram alternativas para comércio, energia, educação e cooperação técnica. A pressão imperialista, longe de isolar Moscou automaticamente, reforça em setores africanos a percepção de que a boa relação com a Rússia pode representar uma política externa mais independente.

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