As Forças Armadas do Máli retomaram o controle de Menaka, perto da fronteira com o Níger, na quarta-feira (29), após a retirada de combatentes que haviam participado de uma ofensiva coordenada pelo imperialismo contra o país. A recuperação da cidade ocorreu depois de uma série de ataques em diferentes regiões malianas, em meio à tentativa de grupos armados de desestabilizar o governo de Bamaco.
Os combatentes da chamada Província do Estado Islâmico no Sael deixaram Menaka enquanto o Exército maliano tentava reafirmar o controle da cidade. A ofensiva ocorreu depois de ataques coordenados iniciados no fim de semana, envolvendo grupos armados ligados à Al Qaeda e também separatistas tuaregues. O governo de Máli respondeu com patrulhas terrestres e aéreas em áreas como Mopti, Gao e Sevaré.
A Rússia, aliada de Bamaco depois da expulsão das forças francesas e da redução da presença imperialista no país, presta apoio técnico, logístico e militar, mas o enfrentamento territorial é conduzido pelo próprio Máli.
Os ataques recentes atingiram várias áreas do país. Reportagens internacionais apontaram ofensivas contra Kati, Gao, Mopti, Sevaré e outras localidades, além de movimentos de grupos separatistas em Kidal. Também foi noticiada a morte do ministro da Defesa, Sadio Camara, em um ataque contra sua residência, mostrando a gravidade da investida contra o governo maliano.
A imprensa imperialista procura enquadrar esses grupos como “rebeldes” ou forças movidas principalmente por religião. Essa apresentação encobre o caráter político da ofensiva contra Máli. Depois de anos de intervenção francesa e de presença militar estrangeira no Sael, os grupos armados que atacam o Estado maliano funcionam como instrumento de pressão contra um governo que rompeu com Paris e buscou novas alianças. A ofensiva contra cidades e bases militares serve aos interesses da França, da União Europeia e dos Estados Unidos, que perderam espaço na região.
Desde os golpes de 2020 e 2021, Máli alterou sua política internacional e aprofundou a cooperação com a Rússia. Após a expulsão de forças francesas e da Organização das Nações Unidas (ONU), o país passou a contar com apoio russo em segurança. Essa mudança é parte da crise de influência do imperialismo francês no oeste africano, especialmente em países que rejeitaram a tutela militar e política de Paris.
A reconquista de Menaka mostra que a ofensiva não conseguiu quebrar a capacidade de reação do Estado maliano. Mesmo diante de ataques simultâneos, mortes de autoridades e pressão militar em diferentes pontos do país, o Exército reorganizou operações e voltou a se impor em uma cidade estratégica perto da fronteira com o Níger.
A tentativa de desestabilizar Máli deve ser entendida no âmbito da disputa pelo controle político e econômico da África. O país tem recursos minerais e posição estratégica. A perda de influência francesa abre espaço para novas alianças e para maior margem de manobra de Bamaco. Por isso, cada avanço de grupos armados é utilizado pela imprensa do imperialismo para apresentar o governo maliano como incapaz e para atacar sua aproximação com Moscou.





