A agressão militar imperialista e sionista contra a República Islâmica do Irã completa seu primeiro mês neste sábado (28), tornando-se um dos maiores conflitos militares desde a Segunda Guerra Mundial. O que foi planejado como uma “operação de decapitação” rápida e cirúrgica transformou-se em um pântano para os Estados Unidos. O Irã não apenas resistiu ao impacto inicial, como passou à ofensiva. O desfecho da guerra pode não ser ainda o fim imediato do imperialismo, mas será, sem dúvida, o começo do fim de sua dominação sobre o Oriente Próximo.
A guerra teve origem na operação batizada por “Israel” de Rugido do Leão e coordenada pelo governo norte-americano sob a denominação de Fúria Épica. O ataque, planejado ao longo de meses, teve início por volta das 9h40 do fuso-horário local, concentrando-se inicialmente na zona central e no norte da capital, Teerã. O alvo principal da operação criminosa foi a residência oficial do Líder da Revolução Islâmica, localizada em um complexo fortificado.
O anúncio do martírio do Aiatolá Khamenei foi feito na madrugada do domingo seguinte, 1º de março, pelo Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) e pelo governo iraniano. O comunicado oficial confirmou que Khamenei foi vítima de um ataque direto enquanto cumpria funções em seu escritório. Além do Líder, o bombardeio resultou na morte de vários de seus familiares próximos, incluindo sua filha, genro, nora e neto. Em nota oficial, o CGRI descreveu a ação como uma agressão covarde e criminosa, afirmando que a nação havia perdido uma figura inigualável em sua era pela prudência nos assuntos e coragem diante das potências imperialistas.
Nas primeiras horas da ofensiva, o impacto sobre a população civil foi imediato e severo. Além dos danos em Teerã, onde bairros residenciais próximos ao boulevard Marzdaran e à praça Sepah foram atingidos, o balanço inicial apontou ataques em outras 23 províncias. O episódio mais chocante ocorreu em Minab, na província de Hormozgan, no sul do país. Por volta das 10h45 do sábado (28), uma escola primária feminina, conhecida como Shajareh Tayyebeh, foi atingida por mísseis Tomahawk disparados por forças norte-americanas. O balanço final das buscas nos escombros, encerrado dias depois, contabilizou 165 mortas, em sua maioria alunas, além de dezenas de feridos graves.
No total nacional, os bombardeios iniciais da coalizão agressora EUA-“Israel” deixaram 201 mortos e 747 feridos apenas no primeiro dia. Áreas civis como estádios, hospitais e usinas de dessalinização de água foram listadas nos relatórios de danos. Em resposta, o governo iraniano decretou 40 dias de luto público e sete dias de feriado nacional, enquanto a população começou a ocupar as praças de cidades como Mashhad, Isfahan e Teerã em protesto contra a agressão. Donald Trump, por meio de declarações em redes sociais, manteve a posição de que os ataques seriam necessários para neutralizar o programa nuclear e a influência regional do Irã.
O assassinato de Khamenei e o massacre na escola de Minab transformaram a operação militar em uma conflagração total, encerrando qualquer possibilidade imediata de saída diplomática e abrindo caminho para a Operação Promessa Cumprida 4, a contraofensiva em múltiplas ondas conduzida pelo CGRI.
Promessa Cumprida 4
A resposta militar da República Islâmica do Irã, articulada sob a denominação de Operação Promessa Cumprida 4, estabeleceu uma nova dinâmica caracterizada pela saturação sistemática das defesas aéreas da coalizão agressora e pelo bombardeio de ativos estratégicos no Golfo Pérsico. Iniciada nas primeiras 24 horas após o martírio do Aiatolá Khamenei, a contraofensiva iraniana não se limitou a disparos evoluiu para uma doutrina de ondas coordenadas, atingindo bases militares dos Estados Unidos no Barém, no Catar, no Cuaite e nos Emirados Árabes Unidos. De acordo com os comunicados técnicos do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) e do Quartel-General Central Selo dos Profetas, a estratégia consistiu no emprego inicial de veículos aéreos não tripulados (VANTs) de baixo custo e mísseis de gerações anteriores para forçar o exaurimento dos estoques de interceptores avançados, como os sistemas Patriot e THAAD.
Essa tática de atração e saturação resultou no esgotamento acelerado da capacidade defensiva em instalações críticas para o imperialismo. Na base de Al-Udeid, no Catar, e em Al-Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos, o volume de alvos simultâneos superou a cadência de tiro das baterias defensivas, permitindo que mísseis balísticos de precisão, como os modelos Emad, Fattah e Kheibar Shekan, atingissem hangares de manutenção, centros de comando e controle e depósitos de combustível. Relatórios de inteligência regional indicaram que a disparidade de custos entre os projéteis de ataque iranianos e os mísseis interceptores da coalizão — que podem custar entre 2 milhões e 4 milhões de dólares por unidade — gerou um estresse logístico severo ao governo norte-americano, que se viu obrigado a priorizar a defesa de áreas específicas.
Ao longo do primeiro mês de guerra, a Operação Promessa Cumprida 4 registrou uma escalada quantitativa e qualitativa, partindo da primeira resposta imediata até o anúncio da 84ª onda de ataques. Nas fases iniciais, o foco concentrou-se na destruição de radares de alerta antecipado e bases de monitoramento, visando “cegar” o dispositivo militar norte-americano no Golfo. A partir da segunda semana, o Irã passou a utilizar mísseis de combustível sólido e ogivas pesadas, atingindo alvos em profundidade nos territórios ocupados por “Israel”, incluindo Telavive, Haifa e a região de Dimona. O CGRI confirmou que a 83ª onda, uma das mais recentes, utilizou mísseis de precisão com ogivas múltiplas contra instalações de armazenamento de petróleo em Asdod e unidades militares no assentamento de Madaiin, demonstrando a manutenção da capacidade de fogo mesmo após semanas de bombardeios da coalizão contra o território iraniano.
No teatro de operações marítimo, a resposta iraniana manifestou-se por meio do controle operacional do Estreito de Ormuz e de ataques diretos a embarcações de guerra. O anúncio da 20ª onda da operação foi dedicado à memória dos marinheiros da fragata Dena, afundada por forças norte-americanas, e resultou em ações contra o porta-aviões USS Abraham Lincoln no Mar de Omã. Segundo o comando militar iraniano, o uso de VANTs kamikaze e mísseis balísticos antinavio forçou o recuo do grupo de batalha dos EUA para áreas a mais de 1.000 quilômetros da costa, limitando a projeção de poder aéreo da coalizão. A persistência das ondas de ataque forçou o confinamento em abrigos nos territórios ocupados e desorganizou a logística de suprimentos das bases norte-americanas.
Mojtaba Khamenei
A República Islâmica do Irã passou por um processo de sucessão acelerado pela conjuntura de guerra, culminando na ascensão de Saied Mojtaba Hosseini Khamenei como o terceiro Líder da Revolução Islâmica. Nos primeiros oito dias após o assassinato do Aiatolá Saied Ali Khamenei, a condução política do país foi assumida por um conselho provisório de liderança, conforme estabelecido no artigo 111 da Constituição iraniana. Este colegiado foi composto pelo presidente da República, Massoud Pezeshkian, pelo chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei, e pelo xeique Alireza Arafi, membro do Conselho dos Guardiães. Durante esse intervalo, o conselho focou na manutenção do funcionamento do Estado e na coordenação das primeiras ondas de retaliação militar, enquanto a Assembleia dos Peritos — órgão de 88 religiosos eleitos responsável pela escolha do líder — organizava a sucessão em meio a ataques criminosos da coalizão agressora.
A eleição formal ocorreu em 8 de março de 2026, durante uma sessão extraordinária da Assembleia dos Peritos. O rito sucessório foi marcado pelo bombardeio do secretariado da Assembleia por forças da coalizão, resultando na morte de funcionários administrativos, fato que não impediu a realização da votação. Saied Mojtaba Khamenei, de 56 anos, foi eleito por grande maioria.
Nascido em Mashhad e formado nos seminários teológicos de Qom, Mojtaba Khamenei possui uma trajetória ligada à Defesa Sagrada (guerra Irã-Iraque), tendo servido no Corpo de Guardas da Revolução Islâmica ao lado de comandantes que hoje ocupam postos de comando no CGRI. Antes de sua eleição, ele assessorava diretamente seu pai e lecionava cursos avançados de jurisprudência islâmica por mais de 17 anos.
Em sua primeira mensagem pública como líder, divulgada em 12 de março, Saied Mojtaba Khamenei estabeleceu as diretrizes estratégicas para o prosseguimento da guerra. O pronunciamento enfatizou a continuidade da “guerra de defesa eficaz” e a manutenção do Estreito de Ormuz como uma via bloqueada para forças hostis. O novo líder reconheceu o peso da responsabilidade ao suceder figuras como Khomeini e seu pai, Ali Khamenei, e mencionou perdas pessoais na guerra, incluindo o martírio de sua esposa, sua irmã, sua sobrinha e seu cunhado em bombardeios anteriores. A mensagem prometeu “vingança severa” pelo sangue dos iranianos assassinados, citando especificamente o massacre das estudantes em Minab, e advertiu que a República Islâmica estava preparada para abrir novas frentes de combate caso a agressão imperialista persistisse.
A nomeação foi imediatamente acompanhada por declarações formais de lealdade de todas as esferas do poder militar. O Estado-Maior das Forças Armadas e o Quartel-General Central Selo dos Profetas emitiram notas de reconhecimento, descrevendo Mojtaba Khamenei como qualificado para conduzir o sistema no atual momento histórico. O CGRI, por sua vez, classificou a escolha como uma “nova aurora” que frustrava os cálculos externos de desestabilização interna.
Estreito de Ormuz
O controle do Estreito de Ormuz pela República Islâmica do Irã é o desdobramento econômico mais grave do primeiro mês de guerra. Logo após o assassinato de Ali Khamenei, o CGRI oficializou o fechamento da passagem, estabelecendo protocolos de trânsito que paralisaram o fluxo de hidrocarbonetos para todos os países aliados da coalizão agressora. De acordo com dados de monitoramento marítimo de plataformas como Marine Traffic e consultorias como a Kpler, o tráfego de navios-tanque na região sofreu uma redução de 90% nas semanas seguintes ao início das hostilidades. Estima-se que mais de 54 milhões de barris de petróleo bruto tenham ficado retidos em embarcações ancoradas ou em tanques de armazenamento na Arábia Saudita, no Iraque e nos Emirados Árabes Unidos.
A crise energética escalou ainda mais após o bombardeio israelense contra o campo de gás iraniano de Pars do Sul, responsável por mais de 70% da produção de gás natural do país. Em resposta imediata, o CGRI acionou a fase ofensiva da Operação Promessa Cumprida 4 voltada para infraestruturas de energia dos aliados dos Estados Unidos. Ataques coordenados atingiram a Cidade Industrial de Ras Laffan, no Catar, resultando em danos significativos à maior instalação de exportação de Gás Natural Liquefeito (GNL) do mundo. A QatarEnergy suspendeu a produção, retirando do mercado cerca de 20% do suprimento global de GNL, o que provocou um aumento imediato nos preços do combustível na Europa e na Ásia. Na Arábia Saudita, refinarias da Aramco em Riade e unidades em Ras Tanura também registraram incêndios e interrupções após salvas de mísseis e VANTs iranianos atingirem depósitos de combustível e centros logísticos.
O Irã apresentou uma proposta de “Nova Ordem Marítima” para o Estreito de Ormuz, reivindicando soberania total e o direito de cobrança de taxas de trânsito para qualquer embarcação autorizada a cruzar a via, em um modelo análogo ao exercido pelo Egito no Canal de Suez. A nova liderança iraniana, sob Saied Mojtaba Khamenei, condicionou a reabertura parcial do estreito ao levantamento de sanções e ao reconhecimento do direito iraniano de gerir a segurança da passagem sem interferência da Marinha dos Estados Unidos ou de forças da coalizão. O bloqueio seletivo, que proíbe terminantemente navios com bandeiras ou destinos vinculados aos agressores, provocou o cancelamento de coberturas de seguro de guerra por parte de grandes companhias internacionais, elevando os custos de frete e inviabilizando rotas comerciais tradicionais pelo Golfo Pérsico.
Ao final deste primeiro mês, o impacto nos preços das commodities energéticas reflete a profundidade do impasse. O preço do barril de petróleo Brent, que era negociado em torno de 80 dólares antes de 28 de fevereiro, ultrapassou a marca de 110 dólares nas bolsas internacionais, com economistas alertando para o risco de o valor dobrar caso a guerra de infraestrutura se prolongue.
Frente libanesa
A entrada formal do partido libanês Hesbolá na conflagração regional ocorreu em 2 de março (de acordo com fuso-horário local), rompendo o cessar-fogo estabelecido em 2024 após meses de registros de violações de soberania por parte de “Israel” e dos Estados Unidos. Batizada de Operação Palha Devorada, em referência a textos do Alcorão que simbolizam o fracasso de exércitos invasores, a ofensiva libanesa foi apresentada pelo secretário-geral Naim Qassem como uma resposta necessária ao acúmulo de agressões e ao martírio do Aiatolá Saied Ali Khamenei. De acordo com os comunicados militares da organização, o período anterior ao conflito aberto foi marcado por mais de 10 mil violações aéreas, terrestres e marítimas do território libanês, resultando em uma média de um martirizado por dia durante os 15 meses em que o Hesbolá cumpriu integralmente com o acordo de cessar-fogo. A nova fase da guerra no norte de “Israel” deslocou o eixo de combate para uma zona de extermínio de blindados e ataques de profundidade contra centros de inteligência e monitoramento.
A Operação Palha Devorada utilizou uma combinação de mísseis de longo alcance e enxames de VANTs para atingir instalações de alto valor estratégico. Entre os alvos confirmados pelo Hesbolá figuram a base de Meron, responsável pelo monitoramento das operações aéreas no norte da Palestina ocupada, onde radares de longo alcance sofreram danos significativos, e a base de Glilot, situada nas proximidades de Telavive e vinculada à Unidade 8200 de inteligência militar. Também foram registrados ataques contra a base naval de Atlit, quartel-general da unidade Shayetet 13, e bombardeios sucessivos ao complexo industrial e portuário de Haifa. A eficiência dessas ações foi intensificada pela coordenação com a defesa aeroespacial iraniana, que anteriormente havia degradado a rede de radares de alerta precoce da coalizão, diminuindo o tempo de reação dos sistemas de interceptação israelenses para menos de dez minutos em diversas ocasiões.
O número de operações do Hesbolá cresceu exponencialmente no fim de março, chegando a um recorde de 94 operações militares em um único intervalo de 24 horas. Os combates concentraram-se nas localidades de Khiam, Qantara, Deir Seryan e Markaba, onde unidades de infantaria da resistência libanesa realizaram emboscadas e utilizaram mísseis guiados antitanque contra as Forças de Ocupação de “Israel”. Em um único dia de enfrentamentos em Qantara e al-Taybeh, a organização anunciou a destruição de 15 tanques Merkava, forçando o recuo das unidades blindadas sob cortina de fumaça.
A agressão de “Israel” e dos Estados Unidos no Líbano resultou em danos extensos à infraestrutura civil e social. Bombardeios atingiram blocos residenciais no subúrbio sul de Beirute, a sede da emissora Al-Manar TV e diversas filiais da instituição financeira Al-Qard al-Hasan, que o Hesbolá descreve como uma rede de apoio social para as populações necessitadas. O Ministério da Saúde libanês contabilizou mais de 40 mortos e 250 feridos nas primeiras 48 horas da escalada, além do deslocamento forçado de populações de aproximadamente 85 aldeias e cidades do sul.
Frente iraquiana
Uma grande mudança na doutrina militar do Iraque aconteceu em 24 de março, quando o Conselho Ministerial de Segurança Nacional, sob a presidência do primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani, autorizou formalmente as Forças de Mobilização Popular (FMP) e as Forças Armadas a exercerem o direito de autodefesa contra ataques estrangeiros. A decisão ocorreu após bombardeios norte-americanos atingirem posições da FMP em Anbar e no Curdistão iraquiano, resultando no assassinato de 15 integrantes da resistência, entre eles o comandante de operações da província de Anbar, Saad Daway. O decreto do governo Al-Sudani marcou o fim antecipado da missão da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, que anteriormente possuía um cronograma de retirada gradual previsto para setembro, mas que foi inviabilizado pela escalada da guerra regional entre a República Islâmica do Irã e a coalizão EUA-“Israel”.
No plano tático, o cerco à Base Vitória, localizada no complexo do Aeroporto Internacional de Bagdá, tornou-se o marco da ação da resistência iraquiana. Durante as últimas duas semanas de março, a instalação foi alvo de bombardeios diários executados com foguetes Katyusha e VANTs de ataque. A intensidade das operações, que chegaram a registrar oito ataques em um período de 24 horas, superou a capacidade de resposta dos sistemas defensivos C-RAM e Patriot, atingindo hangares e alojamentos. Diante dos ataques, o comando militar dos Estados Unidos pediu que o governo iraquiano mediasse uma trégua de 48 horas, permitindo a retirada de equipamentos pesados, blindados e sistemas de comunicação sensíveis para fora do território iraquiano, com destino à Jordânia e à Turquia.
A evacuação da Base Vitória gerou um efeito em cadeia nas missões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no país. O contingente italiano, composto por aproximadamente 100 soldados em funções de treinamento e assessoria, abandonou suas posições e deslocou-se para a Jordânia, enquanto a Missão da OTAN no Iraque transferiu seu centro de operações para o Comando Conjunto da Aliança em Nápoles, na Itália. O recuo norte-americano limitou a presença militar remanescente à região do Curdistão iraquiano, especificamente na base aérea de Harir e no consulado em Erbil. No entanto, o controle de rotas terrestres por brigadas da FMP entre Bagdá e o norte comprometeu o reabastecimento logístico dessas unidades, deixando o dispositivo militar dos Estados Unidos em uma condição de isolamento geográfico.
A integração operacional entre o exército iraquiano e as milícias revolucionárias permitiu que a Resistência Islâmica no Iraque passasse a operar sob a doutrina de unidade de frentes. A autorização formal de autodefesa emitida pelo governo central validou as ações armadas desses grupos contra a permanência de tropas estrangeiras, transformando o Iraque em um Estado combatente alinhado ao Eixo da Resistência.
Frente iemenita
Em pronunciamento realizado em 5 de março, o líder do Ansar Alá, Saied Abdul-Malik al-Houthi, declarou que as forças iemenitas permanecem em estado de prontidão total, resumindo a postura do grupo com a afirmação de que seus “dedos estão no gatilho” para intervir em defesa da República Islâmica do Irã.
O perigo da ameaça iemenita para o imperialismo reside no monitoramento do Estreito de Babelmândebe, a porta de entrada sul do Mar Vermelho. Com o Estreito de Ormuz bloqueado pelas forças navais iranianas, Babelmândebe tornou-se a única via de escoamento para o petróleo da Arábia Saudita que utiliza o Oleoduto Leste-Oeste até o porto de Yanbu. O comando do Ansar Alá sinalizou que, em caso de persistência dos ataques contra a infraestrutura energética do Irã, as forças iemenitas ativariam um bloqueio total em Babelmândebe, inviabilizando a última rota de exportação de hidrocarbonetos remanescente para os aliados dos Estados Unidos na região. Do ponto de vista logístico, o fechamento simultâneo dos dois estreitos isolaria completamente a Península Arábica do comércio marítimo mundial, agravando a crise de suprimentos e elevando os custos de frete e seguro a patamares históricos.
No plano militar, o Iêmen manteve uma cadência de operações de longo alcance em apoio à Operação Promessa Cumprida 4. Unidades de mísseis e VANTs iemenitas realizaram ataques sistemáticos contra a cidade portuária de Eilat, no sul da Palestina ocupada, visando saturar as defesas antiaéreas israelenses e forçar o deslocamento de interceptores do norte para o sul.
A mobilização popular no Iêmen acompanhou a escalada militar, com manifestações de massa na capital Saná e outras províncias reunindo milhões de pessoas em solidariedade ao Irã e à Palestina. Durante o Dia de Al-Quds, no fim do Ramadã, al-Houthi rejeitou abertamente a eficácia de organismos internacionais e vias diplomáticas, defendendo a resistência armada como o único meio de conter a ofensiva imperialista.
Feitos militares
Ao completar 30 dias de conflito, o balanço das operações conduzidas pela República Islâmica do Irã e seus aliados revela uma degradação sistemática da infraestrutura de guerra e da projeção de poder naval e aeroespacial da coalizão liderada pelos Estados Unidos.
No mar, o evento de maior destaque foi o recuo do porta-aviões USS Abraham Lincoln. Após ser atingido por quatro mísseis balísticos em 1º de março e, posteriormente, por enxames de veículos aéreos não tripulados VANTs de fabricação iraniana em 5 de março, o grupo de batalha norte-americano abandonou sua posição a 340 km da costa iraniana, recuando mais de 1.000 km em direção a águas distantes no Mar de Omã. Esse movimento limitou a capacidade de incursão aérea da coalizão e demonstrou a vulnerabilidade da Marinha dos Estados Unidos.
Em contrapartida, a Marinha norte-americana executou o afundamento da fragata iraniana IRIS Dena em águas internacionais ao sul do Ceilão. O ataque, realizado por um submarino norte-americano enquanto a embarcação retornava de um exercício na Índia, resultou na morte de 104 marinheiros e no desaparecimento de outros 20. O comando militar iraniano classificou o episódio como um precedente perigoso para a navegação internacional, respondendo com ataques diretos a contratorpedeiros da classe Arleigh Burke no Mar Arábico e consolidando o bloqueio total do Estreito de Ormuz para navios vinculados aos agressores. No Oceano Índico, mísseis Qadr 380 atingiram um destróier norte-americano durante uma manobra de reabastecimento a 650 km da costa, provocando incêndios no convés e forçando a interrupção de operações logísticas navais da Quinta Frota.
No domínio aeroespacial, a rede unificada de defesa aérea do Irã e as unidades do Eixo da Resistência impuseram perdas significativas à frota de reconhecimento e ataque da coalizão agressora. Em 30 dias, foram abatidos 11 VANTs norte-americanos do tipo MQ-9 Reaper, cada um avaliado em aproximadamente 30 milhões de dólares. Somam-se a esse balanço a destruição de mais de 25 VANTs israelenses da família Hermes (modelos 450 e 900) e aeronaves de reconhecimento Orbiter. Um dos feitos mais destacados da defesa aeroespacial iraniana foi o abate de um caça F-15E Strike Eagle nas fronteiras sudoeste do país, utilizando novos sistemas de mísseis terra-ar que operam de forma integrada à rede de radares de fabricação nacional. O Quartel-General Selo dos Profetas informou que a captura intacta de um Hermes 900 totalmente armado permitiu o acesso a tecnologias de inteligência e sensores do inimigo em tempo real. A vulnerabilidade aérea do imperialismo norte-americano é tão grande que a emissora imperialista CNN admitiu, ao vivo, que um jato F-35 “caiu” pela primeira vez na história.
A estratégia iraniana focou primordialmente na “cegueira estratégica” do inimigo através da neutralização de componentes vitais da arquitetura de defesa antimíssil. Ataques de precisão com mísseis hipersônicos Fattah e mísseis balísticos Kheibar Shekan atingiram e destruíram radares avançados AN/TPY-2 e baterias do sistema THAAD localizados no Golfo e na Jordânia. A perda desses ativos, estimada em mais de 1,9 bilhão de dólares, comprometeu a detecção precoce de projéteis e facilitou a penetração das ondas subsequentes da Operação Promessa Cumprida 4 nos territórios ocupados. A taxa de interceptação do sistema “Domo de Ferro” de “Israel” e das baterias Patriot norte-americanas caiu drasticamente após as primeiras duas semanas de guerra, devido à destruição dos terminais de comunicação via satélite e dos centros de comando e controle em bases como Al-Udeid e Sheikh Isa.
O Eixo da Resistência também demonstrou capacidade de infiltração nos níveis operacionais da coalizão agressora. O grupo hacker Handala executou um dos maiores vazamentos de dados militares da história da região ao divulgar identidades, endereços e registros de 50 pilotos de caças F-35 e F-16 das forças israelenses. Simultaneamente, o grupo publicou coordenadas precisas e mapas da infraestrutura crítica de água e eletricidade de “Israel”, alertando para ataques cibernéticos e físicos coordenados contra subestações e centros de dessalinização. A eficácia das ações iranianas no domínio da informação forçou a empresa norte-americana Planet Labs, sob diretrizes governamentais, a impor um blecaute de 14 dias em imagens de satélite de alta resolução do Oriente Médio, em uma tentativa de ocultar a extensão dos danos sofridos por bases militares no Catar, no Barém e no Iraque.
A combinação desses feitos militares resultou em uma alteração profunda na correlação de forças. Enquanto o governo norte-americano e o governo israelense impuseram censura rigorosa sobre as baixas e os danos materiais em instalações sensíveis como Dimona e Haifa, registros veiculados na Internet demonstraram a superioridade iraniana até o momento. O uso de mísseis com ogivas pesadas de uma tonelada e a coordenação entre forças estatais e não estatais permitiram ao Eixo da Resistência sustentar um ritmo de combate que exauriu os estoques de munição de precisão do adversário.
Crise nos EUA e em ‘Israel’
A condução da agressão contra a República Islâmica provocou uma divisão no governo Donald Trump e uma erosão na base de apoio do Partido Republicano nas primeiras quatro semanas de conflito. Notícias indicam uma disputa entre os defensores de uma ofensiva prolongada, liderados por senadores como Lindsey Graham, e o setor do governo preocupado com o impacto eleitoral e econômico, encabeçado pelo vice-presidente James David Vance. O vice-presidente, que anteriormente manifestou desconfiança em relação a intervenções estrangeiras, questionou reservadamente as chances de sucesso da operação e a viabilidade de uma mudança de regime por meio de bombardeios limitados.
A desaprovação popular à decisão de lançar ataques militares em conjunto com “Israel” atingiu 59% da população norte-americana, de acordo com pesquisa conduzida pelo instituto SSRS para a CNN. Os dados revelam que 60% dos entrevistados não confiam na liderança de Trump para tomar decisões sobre o uso da força militar e acreditam que o governo não possui um plano claro para o encerramento das hostilidades. Nas bases radicais do movimento trumpista, a insatisfação manifestou-se como um repúdio ao que classificam como “priorização de interesses externos” em detrimento da agenda doméstica, com lideranças ideológicas orientando o boicote a candidatos republicanos nas eleições de meio de mandato como retribuição à escalada militar.
Nos territórios ocupados por “Israel”, o primeiro mês de guerra resultou em uma crise de infraestrutura civil e de segurança interna. O governo israelense enfrentou críticas severas durante sessões de emergência no parlamento, onde foi revelado que aproximadamente 3,2 milhões de pessoas permanecem sem acesso a abrigos padronizados, especialmente nas regiões norte e central, atingidas pela cadência ininterrupta de mísseis iranianos e do Hesbolá. A Autoridade Tributária de Israel registrou mais de 11 mil pedidos de indenização por danos materiais em edifícios e veículos até a terceira semana de março, com Telavive concentrando o maior volume de ocorrências.
Impasse
Ao final da terceira semana de conflito, a guerra segue em um impasse absoluto, caracterizado por propostas de rendição mútua e a ausência de canais diretos de negociação. Em 24 de março, o governo de Donald Trump formalizou, por intermédio do Paquistão, um plano de cessar-fogo estruturado em quinze pontos fundamentais. O documento norte-americano exigia, como condição primária para o fim dos bombardeios, o desmantelamento completo e irreversível da infraestrutura nuclear iraniana, incluindo a desativação definitiva das instalações de Natanz, Fordow e Isfahan, além da entrega imediata de todo o estoque de urânio enriquecido à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
A proposta avançava também sobre a capacidade de defesa convencional da República Islâmica, demandando a suspensão de todo o desenvolvimento de mísseis balísticos e a limitação do arsenal remanescente a fins estritamente defensivos, sob supervisão externa. No plano regional, os Estados Unidos condicionaram o acordo ao encerramento do apoio logístico e financeiro ao Eixo da Resistência, citando nominalmente o Hesbolá e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas, na sigla em árabe), e à declaração do Estreito de Ormuz como uma zona marítima de livre trânsito, retirando do CGRI qualquer autoridade de controle ou inspeção sobre a navegação internacional.
A resposta da República Islâmica do Irã foi de rejeição integral aos termos, classificando o plano de Trump como uma tentativa de “negociação unilateral”. O porta-voz do Comando Central Selo dos Profetas, tenente-coronel Ibrahim Zolfaghari, afirmou que o governo norte-americano estava “negociando consigo mesmo” ao apresentar exigências que ferem a soberania nacional. O Irã apresentou uma contraproposta centrada na retirada total e incondicional de todas as bases militares dos Estados Unidos no Oriente Próximo, incluindo as instalações no Barém, Iraque, Jordânia e na Península Arábica. O país também exigiu reparações financeiras pelos danos causados à sua infraestrutura civil e energética e a implementação de uma nova ordem para o Estreito de Ormuz.
Diante da rejeição iraniana, Donald Trump anunciou, por meio de sua plataforma social, uma trégua unilateral de ataques contra usinas elétricas e infraestruturas de energia, inicialmente por cinco dias e depois prorrogada até 6 de abril de 2026. O presidente norte-americano alegou que a medida visava facilitar negociações “produtivas” que estariam ocorrendo nos bastidores. No entanto, o Ministério das Relações Exteriores do Irã e o novo Líder da Revolução Islâmica, Saied Mojtaba Khamenei, negaram categoricamente a existência de qualquer diálogo direto com os Estados Unidos, reafirmando que a resistência armada continuará até que a ameaça contra o país seja eliminada.



