Antônio Carlos Silva, dirigente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), definiu o XII Congresso Nacional da organização como um marco do distanciamento da sigla em relação à política de conciliação da esquerda tradicional. Em entrevista concedida durante o evento ao Diário Causa Operária (DCO), ele classificou o PCO como uma força política estritamente “antissistema”, voltada para a organização revolucionária da classe trabalhadora fora do terreno eleitoral.
Ao analisar o desenvolvimento da legenda nos quatro anos que separam o atual congresso do anterior — um ciclo que, segundo ele, foi precedido pela luta contra o golpe de Estado —, Antônio Carlos afirmou que o agravamento da crise imperialista exigiu um posicionamento combativo na política externa.
“Nesse último ano nós tivemos o avanço da crise imperialista, que fez com que o posicionamento do PCO marcasse claramente a posição do partido como anti-imperialista. Um partido que esteve à frente na defesa da luta do povo palestino, da Venezuela, do Irã, e apoiando a ação combativa da Rússia no enfrentamento com a OTAN”, enumerou o dirigente.
Para Antônio Carlos, essa postura intransigente expôs a fissura do PCO com outros setores progressistas.
“Essa experiência marcou profundamente o fato de que o partido se deslocou ainda mais da política dominante da esquerda pequeno-burguesa, que foi uma política de conciliação e de adaptação, não só na política interna, mas principalmente de maneira destacada na política internacional”, avaliou.
Questionado sobre as diferenças entre o Congresso do PCO e as convenções de outros partidos de esquerda e de direita que ocorrem neste mesmo período, o dirigente rechaçou o caráter pragmático e institucional dessas agremiações.
“Esse congresso não é um congresso eleitoral. Vai muito além de uma preparação para as eleições, ao contrário do que a gente vê acontecer nos outros acontecimentos partidários”, cravou. “É a preparação da militância e do debate político para uma etapa que nós consideramos que vai ser de continuidade do aprofundamento da crise, em que a direita arma uma ofensiva.”
O dirigente defendeu que a classe trabalhadora deve ser munida de um programa para um embate que transcende o calendário das urnas, reivindicando a essência radical da organização.
“O partido, neste momento, é claramente o partido anti-sistema, mas não na perspectiva da moda em que essa palavra vem sendo usada, e sim numa perspectiva revolucionária. É um partido que se organiza para mobilizar, para chamar à luta por fora das eleições, não apenas no terreno eleitoral”, explicou.
Antônio Carlos concluiu afirmando que as resoluções do congresso visam fortalecer as ferramentas de organização política dos trabalhadores para responder de forma incisiva à direita, inspirando-se em levantes populares internacionais.
“As eleições, com certeza, são um momento importante, mas é preciso preparar para enfrentar a ofensiva da direita. Inclusive de uma maneira revolucionária, como estamos vendo neste momento na Bolívia, no Irã e em outros lugares”, finalizou.




