Guerra no Oriente Próximo

Revelado: chanceler estava no escritório de Khamenei durante bombardeio

Abbas Araghchi relatou que estava no prédio quando ocorreu o ataque norte-americano e israelense contra o escritório do líder iraniano

Ali Khamenei

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em entrevista à Al Mayadeen que estava no escritório do aiatolá Ali Khamenei no momento em que o prédio foi bombardeado, nas primeiras horas da agressão dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã.

Segundo Araghchi, ele havia retornado das negociações em Genebra na sexta-feira e foi ao escritório de Khamenei na manhã seguinte, às 9 horas, para apresentar pessoalmente um relatório sobre as tratativas e os acontecimentos que indicavam a possibilidade de uma guerra.

“Depois de retornar das negociações de Genebra na sexta-feira, fui ao escritório de Saied Khamenei às 9 horas da manhã de sábado para apresentar meu relatório, que dizia respeito às negociações e aos acontecimentos que haviam surgido na sexta-feira, o que tornava a perspectiva de guerra muito mais provável”, afirmou.

O ataque ocorreu enquanto o chanceler ainda estava no local. A ala do prédio onde Araghchi estava não foi destruída, mas o edifício foi atingido. O ministro relatou que tentou sair dos escombros enquanto sua preocupação principal era saber se Khamenei havia sido alvo do bombardeio.

“No momento do martírio de Saied Ali Khamenei, eu estava em seu escritório, que foi atacado”, disse Araghchi. “Enquanto tentávamos sair debaixo dos escombros, meus pensamentos estavam inteiramente voltados para saber se ele havia sido atingido”.

O chanceler afirmou que, no momento do ataque, não pensou em sua própria segurança. “No momento do bombardeio, eu estava tão profundamente preocupado com o Líder que não estava preocupado comigo mesmo”, declarou.

Araghchi disse ainda que, pelo que conhecia da rotina de Khamenei, tinha certeza de que o líder iraniano estaria em seu escritório. O ministro relatou que os dois dias seguintes foram de grande incerteza até a confirmação do martírio.

O chanceler também afirmou que Khamenei se recusou a se abrigar, mesmo diante dos sinais de que a agressão militar contra o Irã estava se aproximando.

“O que aconteceu nunca será esquecido, nem agora, nem nunca”, declarou Araghchi. “Deixou uma ferida em nossos corações que talvez nunca cicatrize completamente”.

Na entrevista, Araghchi afirmou que os inimigos do Irã esperavam que o assassinato de Khamenei enfraquecesse a República Islâmica. Segundo ele, ocorreu o contrário. As estruturas do Estado iraniano foram acionadas, uma nova direção foi reunida e Saied Mojtaba Khamenei foi escolhido para suceder seu pai.

“A República Islâmica do Irã é mais forte do que qualquer sistema que dependa de indivíduos”, afirmou o chanceler.

Araghchi disse que, durante esse período, o Ministério das Relações Exteriores trabalhou para levar a posição iraniana ao mundo e para que governos e populações compreendessem a injustiça sofrida pelo povo iraniano e a legitimidade de sua causa.

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