Nesta quarta-feira (7), uma operação conjunta entre o Departamento de Guerra, o Departamento de Justiça e o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, com suporte logístico direto do Reino Unido, culminou na captura do petroleiro de bandeira russa Marinera (antigo Bella 1) em águas internacionais do Atlântico Norte. O ato foi classificado pelo governo russo como “bandidagem internacional”.
A operação de pirataria contra o Marinera durou duas semanas. O navio, que transportava petróleo venezuelano sancionado, tentou evadir a fiscalização alterando seu registro para a bandeira russa em 24 de dezembro de 2025.
O petroleiro estaria se aproximando da Venezuela antes do Ano Novo, quando a guarda costeira dos Estados Unidos tentou detê-lo no Mar do Caribe. A tripulação recusou-se a permitir a entrada dos militares norte-americanos a bordo e mudou de curso, seguindo em direção ao Atlântico. Desde então, o petroleiro vem sendo seguido por um navio de guerra dos Estados Unidos e por aeronaves de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
A companhia proprietária russa, BurevestMarin, assegurou que o navio, que navega em lastro (vazio) e sem carga a bordo, tentou reiteradamente comunicar sua identidade e caráter civil, mas a perseguição continuou com vigilância aérea de aviões de reconhecimento. A empresa alertou que qualquer tentativa de desembarque ou abordagem em meio a uma tempestade representaria uma “ameaça grave e injustificável” para a vida dos militares e da tripulação.
O sequestro ocorreu na estratégica “Brecha GIUK”, um importante corredor no Atlântico Norte situado nas proximidades de Reino Unido, Groenlândia e Islândia. Aeronaves de reconhecimento P-8A Poseidon e “tanques voadores” AC-130J deram cobertura para que um helicóptero MH-6 Little Bird, pertencente às forças especiais dos Estados Unidos, realizasse a descida de tropas no convés do petroleiro em meio a condições climáticas extremas: ventos de 20 m/s e ondas de 5 metros.
O governo norte-americano justificou a ação com base em um mandado de um tribunal federal dos Estados Unidos por violação de sanções contra o Irã e a Venezuela. A perda de contato com a embarcação foi confirmada pelo Ministério dos Transportes da Rússia logo após a invasão.
O Reino Unido confirmou o fornecimento de “apoio operacional pré-planejado”, incluindo o uso de bases e vigilância aérea da Força Aérea Real. O ministro da Defesa britânico, John Healey, afirmou que o alvo era uma embarcação com “histórico nefasto”.
A Rússia, por meio do parlamentar Andrei Klishas, denunciou o ato como “pirataria descarada”, apontando que, segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, nenhum Estado tem o direito de usar força contra embarcações registradas em outras jurisdições em águas internacionais.
Donald Trump foi explícito ao conectar as apreensões navais ao sequestro de Nicolás Maduro. O presidente norte-americano anunciou que a Venezuela “entregará” de 30 a 50 milhões de barris de petróleo sancionado aos Estados Unidos. Segundo seu plano, o lucro dessas vendas será controlado diretamente pelo governo norte-americano sob a justificativa de “reconstruir o país” e beneficiar o povo norte-americano.
Após a apreensão do Marinera, o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio ao petróleo venezuelano segue em vigor em escala global. “O bloqueio ao petróleo venezuelano sancionado e ilícito permanece em PLENO VIGOR — em qualquer parte do mundo”, escreveu. Em outra declaração, reforçou:
“Os Estados Unidos continuam a aplicar o bloqueio contra todos os navios da frota clandestina que transportam ilegalmente petróleo venezuelano para financiar atividades ilícitas, roubando o povo venezuelano. Somente o comércio de energia legítimo e legal — conforme determinado pelos EUA — será permitido.”
Também nesta quarta-feira (7), o Comando Sul dos Estados Unidos informou o sequestro de um petroleiro sem nacionalidade no mar do Caribe. Em publicação na rede X, o órgão declarou:
“Em uma ação realizada antes do amanhecer desta manhã, o Departamento de Guerra, em coordenação com o Departamento de Segurança Interna, apreendeu sem incidentes um petroleiro motorizado da chamada frota obscura, sem nacionalidade e sob sanções”.
A embarcação, identificada como M/T Sophia, está sendo escoltada para território norte-americano.
No mesmo dia, a agência britânica Reuters alegou que o governo Trump teria notificado o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, membro da ala radical do chavismo, de que ele poderá ser o próximo a ser sequestrado caso não apoie a presidente interina, Delcy Rodríguez.
A Reuters informou que autoridades dos EUA estão “especialmente preocupadas” com o fato de Cabello — visto por muitos como o verdadeiro “número 2” do regime — poder sabotar o plano dos Estados Unidos de influenciar a presidente interina.
Cabello tem publicado vídeos nas redes sociais comandando dezenas de homens fortemente armados patrulhando as ruas de Caracas. Ele controla a polícia, as agências de contra-inteligência e as milícias conhecidas como colectivos. Em seus vídeos, ele aparece usando um boné com o slogan “Duvidar é trair”, um gesto interpretado como um aviso de que qualquer concessão aos EUA será vista como uma traição ao chavismo.




