Organização das Nações Unidas

Venezuela exige libertação imediata de Maduro na ONU

“Apesar da gravidade dos acontecimentos, a Venezuela gostaria de informar a este órgão e à comunidade internacional que suas instituições estão funcionando normalmente"

A Venezuela exigiu que os Estados Unidos respeitem a imunidade diplomática do Presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, pedindo sua libertação imediata e o retorno seguro à Venezuela.

Falando no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira (5), o Representante Permanente da Venezuela, Samuel Moncada, disse que os Estados Unidos deve, respeitar integralmente as imunidades concedidas a Maduro e Flores sob o direito internacional. “Solicitamos que seja exigido ao governo dos EUA o pleno respeito às imunidades do Presidente Nicolás Maduro e da Primeira-Dama Cilia Flores, bem como sua libertação imediata e retorno seguro à Venezuela”, disse Moncada aos diplomatas.

Ao discursar em uma sessão separada do Conselho de Segurança das Nações Unidas, Moncada afirmou que as instituições da Venezuela permanecem plenamente funcionais, apesar do que descreveu como uma intervenção militar dos EUA que levou à captura do presidente. Ele ressaltou que a ordem constitucional foi preservada e que o Estado continua a exercer controle efetivo sobre todo o território venezuelano, de acordo com a constituição.

“Apesar da gravidade dos acontecimentos, a Venezuela gostaria de informar a este órgão e à comunidade internacional que suas instituições estão funcionando normalmente e que a ordem constitucional foi preservada”, afirmou Moncada.

A Rússia também se manifestou durante a sessão do Conselho de Segurança, com o embaixador Vassily Nebenzia instando o governo norte-americano a libertar imediatamente Maduro e sua esposa. Nebenzia descreveu Maduro como o “presidente legitimamente eleito de um Estado independente” e alertou contra o que chamou de uma violação perigosa das normas internacionais.

Cuba convocou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a responder urgentemente ao que descreveu como ações “bárbaras e criminosas” dos Estados Unidos contra a Venezuela, alertando que a escalada representa uma séria ameaça à paz e segurança internacionais.

Falando durante uma sessão do Conselho de Segurança nesta segunda-feira, o Representante Permanente de Cuba na ONU, Ernesto Soberón, condenou a operação militar dos EUA que levou à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Soberón acusou os Estados Unidos de agir com “extrema crueldade e traição”, descrevendo a operação como uma violação inaceitável das normas internacionais.

“As Forças Armadas dos EUA atacaram a Venezuela com extrema crueldade e traição e, em um ato barbárico inaceitável, capturaram seu presidente legítimo e sua esposa”, disse Soberón, instando a comunidade internacional a responder imediatamente ao que chamou de um ataque criminoso.

Na mesma reunião de emergência, o diplomata brasileiro Sérgio Danese, a quem foi concedida a palavra apesar de o Brasil não ser membro do Conselho de Segurança, alertou que a crise na Venezuela não pode ser resolvida através da imposição de controle externo ou do estabelecimento de um protetorado.

Ele descreveu a ação militar dos EUA e o sequestro de Maduro como “um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, ressaltando que qualquer resolução para a crise deve respeitar o direito do povo venezuelano à autodeterminação.

A Representante Permanente da Colômbia na ONU, Leonor Zalabata, denunciou o que descreveu como violações da soberania da Venezuela após os bombardeios dos EUA realizados em 3 de janeiro.

Ao discursar no Conselho de Segurança da ONU, Zalabata disse que as explosões em Caracas constituíram uma violação direta da integridade territorial da Venezuela e careciam de qualquer justificativa legal ou moral sob o direito internacional. Ela alertou que o uso da força por um membro permanente do Conselho para controle político estabelece um precedente perigoso, evocando o que chamou de “períodos sombrios” de interferência estrangeira na América Latina.

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