A operação do governo norte-americano para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro é apenas o capítulo mais recente de uma longa lista de intervenções e mudanças de regime encenadas pelo imperialismo em toda a América Latina ao longo das últimas décadas.
Com a adoção da Doutrina Monroe no século XIX, o imperialismo essencialmente declarou o continente americano como seu próprio quintal. Sob esta política, o imperialismo desempenhou um papel na encenação de dezenas de golpes e derrubadas de governos no século XX, incluindo vários casos de intervenção militar direta e ocupação, atingindo um pico durante a chamada Guerra Fria.
Alguns golpes bem sucedidos
Guatemala, 1954 — Em junho de 1954, o presidente eleito da Guatemala, Jacobo Árbenz, foi deposto por um grupo de mercenários treinados e financiados pelo imperialismo. O motivo do primeiro golpe imperialista em um país latino-americano na era da Guerra Fria foi uma reforma agrária que ameaçava os interesses da United Fruit Corporation. A CIA reconheceu o seu papel no golpe e desclassificou documentos relevantes apenas na década de 2000, revelando o que se tornaria um modelo para futuras intervenções do imperialismo: a estratégia envolvia operações psicológicas e resultados políticos manipulados para além do golpe em si.
República Dominicana, 1965 — Uma década depois, o imperialismo recorreu à intervenção militar direta para causar uma crise em um país caribenho. Citando uma “ameaça comunista”, o imperialismo enviou as suas forças militares para Santo Domingo para reprimir os apoiadores de Juan Bosch – o primeiro presidente democraticamente eleito da República Dominicana, que tinha sido derrubado por uma junta militar. O imperialismo enviou mais de 20.000 tropas para a ilha na Operação Power Pack para apoiar as forças anti-Bosch. Eleições subsequentes em 1966, marcadas por alegações de fraude, levaram um candidato apoiado pelo imperialismo ao poder.
Chile, 1973 — O presidente democraticamente eleito do Chile– Salvador Allende – foi deposto num golpe apoiado pelo imperialismo em 1973. O assassinato de Allende tornar-se-ia o exemplo mais citado da agressividade do imperialismo nos golpes latino-americanos. Antes do golpe, a CIA conduzia operações secretas e espalhava propaganda anticomunista pela imprensa desde meados da década de 1960 para impedir, em primeiro lugar, que Allende se tornasse presidente. Após a sua eleição em 1970, o imperialismo gastou três anos e mais 8 milhões de dólares em atividades secretas, ao mesmo tempo que expandia os contatos com as forças militares chilenas e a oposição militante pró-golpe. A mudança de regime de 1973 levou a uma ditadura de 17 anos sob Augusto Pinochet. Durante esse período, dezenas de milhares de pessoas foram presas por motivos políticos, muitas das quais foram submetidas a tortura.
Alguns golpes que falharam
Cuba, 1961 — Em abril de 1961, uma força de exilados cubanos apoiada pelo imperialismo desembarcou na costa sul de Cuba para derrubar o governo de Fidel Castro. Castro tinha chegado ao poder na ilha caribenha após uma revolução ter derrubado o ditador Fulgencio Batista, apoiado pelo imperialismo, em 1959. A invasão da Baía dos Porcos terminou em desastre, pois as forças militares cubanas lideradas pelo próprio Castro derrotaram a força de 1.500 homens em apenas dois dias. A tentativa de golpe empurrou Cuba para mais perto da União Soviética e preparou o cenário para a Crise dos Mísseis de 1962.
Nicarágua, 1979 — O imperialismo também procurou reverter o resultado de outra revolução na América Latina que derrubou o ditador apoiado pelo imperialismo, Anastasio Somoza, e levou o esquerdista Daniel Ortega ao poder na Nicarágua em 1979. O presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, autorizou secretamente a CIA a fornecer 20 milhões de dólares em ajuda aos militantes que se opunham a Ortega, conhecidos como os Contras.





