Leste Europeu

Milhares saem às ruas na Hungria em marcha contra a OTAN

"Marcha pela paz" contou com o presidente Victor Orbán

Neste sábado (1º), dezenas de milhares de pessoas se reuniram em Budapeste, na capital da Hungria, para uma “Marcha pela paz”, que teria como objetivo reivindicar o fim da guerra entre Rússia e Ucrânia – isto é, entre a Federação Russa e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A manifestação ocorreu a uma semana da eleição para o Parlamento Europeu, e está sendo considerada pela imprensa imperialista como uma demonstração de força dos elementos mais próximos ao governo russo.

Isso porque o próprio presidente húngaro, Victor Orbán, participou e convocou o ato público. Segundo ele, a manifestação seria um “ponto de virada existencial entre a paz na Europa e uma guerra mundial”.

A manifestação contou também com manifestantes de países vizinhos. Eles marcharam ao longo do rio Danúbio, em Budapeste, da icônica Ponte das Correntes da cidade até a Ilha Margarida, agitando bandeiras e cartazes com os dizeres “Sem Guerra”.

Em seu campanha em torno do ato, Orbán, acusou os representantes do imperialismo de “belicistas” que buscavam envolver diretamente a Hungria no conflito. Para a imprensa imperialista, no entanto, os apelos do presidente húngaro por um cessar fogo não passaria de propaganda “pró-Putin”, pois permitiria à Rússia manter os territórios que ocupou.

“Só podemos ficar fora da guerra se os eleitores húngaros apoiarem o governo”, disse ele durante um discurso na Ilha Margarida. “Devemos vencer as eleições europeias de tal forma que os burocratas de Bruxelas, em seu medo, abram as portas da cidade para nós e deixem seus escritórios rapidamente.”

A imprensa imperialista vem apresentando Orbán como um “autocrata” que seria quase como um “fantoche” do presidente russo Vladimir Putin. No entanto, o fato é que, mesmo que seja uma figura de extrema direita, Orbán possui contradições com o imperialismo, o que tem feito com que se aproximasse dos russos. Afinal, como ele mesmo disse, a política do imperialismo pode acabar arrastando seu país para a guerra.

A Hungria se recusou a fornecer armas à vizinha Ucrânia e ameaçou atrapalhar a ajuda financeira da União Europeia a Kiev e bloquear sanções contra Moscou. A ideia de que a Hungria seja arrastada para a guerra de fato tem preocupado a população.

“Confio em Viktor Orbán. Que nossos filhos tenham um país habitável, não um país bombardeado”, disse o morador de Budapeste József Fehér na manifestação. “As armas que a Europa deu aos ucranianos poderiam ser viradas contra nós. E nós não queremos isso”.

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