Na última terça-feira, 23 de agosto, Vinícius Gomes da Paixão, candidato a governador de Goiás pelo Partido da Causa Operária (PCO), foi entrevistado pelo portal POPULAR e pela rádio CBN. Leia a entrevista abaixo.
Por que pautas nacionais no seu plano de governo?
Dentro do PCO, a gente considera que o Brasil tem um desenvolvimento muito desproporcional. O nosso Estado, como o nosso partido enxerga, continua muito atrasado. O desenvolvimento é muito desproporcional. E uma coisa que o partido defende, por exemplo, é que a ênfase na questão da Amazônia e da Petrobras, do fortalecimento da Petrobras com o objetivo de construir mais refinarias, e retomar aquilo que o PT, o governo do PT, do presidente Lula, de uma forma um tanto quanto tímida, de fato fez, que foi alavancar o desenvolvimento dessa empresa. A gente acha que Goiás só vai se desenvolver se a gente passar por uma articulação nacional de recursos. Isso envolve uma luta nacional muito árdua contra os ditames do imperialismo, que é aquela velha explicação que a esquerda sempre dá, a questão do Banco Mundial, da financeirização do orçamento público a favor dos grandes interesses desses setores aí. A gente defende que o orçamento do Estado depende, essencialmente, de ser uma ferramenta para o desenvolvimento.
O senhor em relação a Enel defende o quê?
É, tem a probabilidade da Enel sair e entrar uma empresa nova. A gente defende a estatização como outros partidos de esquerda, como vêm apresentando. Mas, estatizar só por estatizar não significa nada, até porque antes era uma porcaria também. Então, o que o PCO defende é que estatize, mas crie os conselhos de controle popular de discussão com a comunidade, e crie uma máquina de comunicação para que possa regular esse serviço e discutir essas contradições. O que o goiano ganhou com essa privatização? É difícil pensar diferente, porque o povo foi roubado desde quando foi feita essa privatização, é uma empresa italiana. Ela vai fazer remessa para onde? Para o exterior. Qual o sentido disso aí?
O PCO tem defendido, nos últimos tempos, o armamento da população, a liberdade de expressão a qualquer custo, mesmo que se comentam crimes, e o fim do Supremo Tribunal Federal (STF). São pautas que os bolsonaristas, os mais radicais, defendem. Essa aproximação do discurso de um partido que se coloca como de esquerda com essa pauta bolsonarista, como é que o senhor avalia?
São três assuntos, né? Assim, existe a aproximação do discurso, mas o conteúdo é bem diferente. Eu vejo dessa forma. Essa questão do direito ao armamento é um problema ligado à autodefesa, então não é apenas no sentido ligado a essa perspectiva da defesa do patrimônio pessoal, que é muito a ênfase dos bolsonaristas, mas é do direito de organização de defesas em grupos. Exemplo, os grupos indígenas que são extremamente atacados pelo latifúndio. A gente defende sim que grupos oprimidos tenham o direito de se armar, todos os grupos.
O senhor tem arma?
Não, não tenho arma.
Então são grupos específicos, não é armamento geral? Por que o plano de governo fala em armamento da população para autodefesa em todos os casos.
Assim, eu não tenho arma em casa, eu não tenho domínio né da arma, do armamento. Isso precede a própria necessidade de usar a arma de fogo. Quer dizer, eu defendo o meu direito e o direito da população como legítima defesa, também, como autodefesa. A gente é comunista, a gente não é esquerdista. A gente pertence a uma linha bem diferente dessa esquerda aí que acha que vai derrotar o fascismo com panelaço. Isso aí não tem condição. A esquerda, praticamente, desistiu do 7 de Setembro. Agora, o Dia da Independência, os bolsonaristas podem ir e a gente vai no dia 10 de setembro?
E dos outros temas, a liberdade de expressão e o Supremo?
É, a teoria do partido em relação a liberdade de expressão é que ela tem que ser irrestrita. Quer dizer, o que acontece hoje em dia é que tudo vira incitação, você fala uma coisa, você tá incitando, isso vai ter um efeito cascata terrível. . A gente, evidentemente, não vai sair aí atacando gratuitamente as pessoas, histericamente. Até porque o bolsonarista acaba sendo caracterizado por isso. A reação tem que ser feita do ponto de vista político, do ponto de vista do esclarecimento. Agora, o que fizeram com o PCO foi sacanagem. A gente chamou lá o cidadão, o careca lá de cabeça de ovo. Usou umas palavras de baixo calão até para dar ênfase, né. Mas, o PCO é um partido que tem muito mais conteúdo político do que isso. Aí, o Alexandre de Moraes colocou o PCO no inquérito das fake news.
O PCO entrou no inquérito das fake news porque o perfil do partido estava fazendo ataques ao Supremo, inclusive defendendo a extinção do Supremo, o que é contra a Constituição, e também falando em fraudes nas urnas na eleição do Lula, sem nenhuma comprovação.
Assim, a gente não sabe de nada. Mas, a gente tem a suspeita de que existe falibilidade nas urnas eletrônicas. Mas, as urnas foram santificadas nos últimos dois anos aí. São invioláveis, né. São totalmente confiáveis, aí você não podia falar nada ou expressar nada em qualquer sentido contra isso aí. Existe a polêmica, a gente tem suspeitas. Agora, qual que é o problema de ter uma suspeita sobre determinado tipo de coisa? A pessoa tem que ter o direito de suspeitar.
A extinção do STF seria baseada nisso?
É, mas aí é que tá o problema né?! O PCO sempre defendeu, a gente defende, por exemplo, o fim do sistema bicameral e a construção do sistema monocameral. Fim do Senado, porque o Senado é constituído por ex-governadores, é uma estrutura que a gente considera muito arcaica. A gente defende o fim dessa instância, e a gente sempre defendeu que o STF precisasse ser dissolvido, que os membros sejam eleitos por voto direto pela população. A gente não é alienígena, não é ET. Esse modelo existe em países na Europa, nos Estados Unidos, onde membros do judiciário são eleitos. A nossa dissolução é que se monte uma junta judiciária, da terceira instância, que sejam pessoas eleitas. E a gente não concorda com os bolsonaristas quando falam que foi o PT que colocou os ministros no STF. Até porque o PT governava por acordo, o famoso centrão. Então, o que ele colocou foi fruto dessa negociação para buscar administrar as relações junto do Congresso.
Se Lula fez esses acordos com o centrão, que o PCO condena, e se Lula não tem também essas mesmas pautas do PCO, porque o PCO está apoiando a candidatura do ex-presidente Lula?
Por que a gente apoia o Lula? Porque do jeito que as coisas estão dentro da esquerda brasileira, é a última liderança popular histórica da classe trabalhadora. A gente não concorda com muito daquilo que o Lula fala, não concorda com muito daquilo que o PT faz. A gente discorda dos métodos de luta, a gente discorda de quase tudo. Mas, ele é uma liderança política histórica, ele é um líder operário histórico. Então, ele tem um profunda relação com o movimento operário.
Na área econômica, o senhor propõe a redução do preço do litro da gasolina em 50%. De que forma isso é possível?
A questão do aumento do preço do combustível não tem nada a ver com o ICMS, até porque o ICMS não passou por aumentos ou por reajustes significativos nos últimos dez anos. O que mudou foi a política de paridade de preço do petróleo em relação ao valor do dólar, no mercado externo. Então, a gente precisa quebrar essa política de pareamento que leva ao aumento do lucro que beneficia os acionistas da Petrobras. Então, a gente acha que isso aí não tem nada a ver com abaixar ICMS.
O POPULAR publicou pesquisa Serpes que mostra que mais de 28% do eleitorado goiano se diz de direita. Considerando isso, e o apoio em nível nacional do PCO ao PT, por que aqui não houve uma união da esquerda também?
É complicado né?! Porque aí a gente tem que enumerar os partidos e as políticas que eles levam adiante. Por exemplo, a UP e o PCB não estão apoiando o Lula no primeiro turno. A gente apoia o Lula desde antes de ele ser preso. Então, já tem esses dois problemas aí né?!
E com o PT?
O PT, em Goiás, foi atrás do Gustavo Mendanha, foi atrás do Marconi. Para a gente o que vale muito mais é a organização da luta dos trabalhadores, é a mobilização. A gente acha que o mais importante é fortalecer a consciência da classe trabalhadora, para fazer um enfrentamento ao tamanho das contradições que temos que lidar com elas.
A sua chapa aqui é composta por seu pai e por sua mãe. O PCO e o senhor não conseguiram mobilizar outros trabalhadores para compor essa chapa?
Eram as pessoas que estavam mais perto, então a gente optou por elas. Então, a gente achou mais interessante fazer esse tipo de trabalho, e foi o trabalho mais fácil também. Esse negócio aí de ser chapa familiar é meio clichê né, porque o Ronaldo Caiado ele vem de uma família de coronéis do século 19.
Mas a esquerda costuma criticar isso.
A gente acha que convencer os parentes é uma coisa positiva, até porque a gente não vai ser eleito mesmo, a gente também não está coligado com ninguém, a gente também não quer cargo, a gente não quer a boquinha, a gente não quer mamar no Estado. E convencer a família é até mais difícil do que convencer um estranho.





