Candidata ao governo

“Pela 1ª vez os revolucionários disputam eleições no Tocantins”

Carmen Hannud, candidata do PCO ao governo de Tocantins, concede entrevista exclusiva ao DCO após ser perseguida e demitida de seu emprego

Em mais um episódio da série de entrevistas relativas às eleições de 2022, o Diário Causa Operária entrevistou Carmen Hannud, candidata ao Governo de Tocantins pelo Partido da Causa Operária (PCO). Natural de São Paulo, Carmen foi demitida de seu emprego como professora universitária após o anúncio de sua candidatura e nos conta um pouco sobre essa situação.

Diário Causa Operária: conte-nos um pouco sobre sua história, Carmen. Tanto pessoal, quanto política e profissional.

Carmen Hannud: me chamo Carmen Hannud, nasci em 1991 em São Paulo capital. Fiz faculdade em Bauru, na Unesp, de psicologia e, depois, fui fazer um mestrado, também na UNESP, em ciências sociais.

Em São Paulo, durante a faculdade, me envolvi tanto com o movimento estudantil, quanto no movimento indigenista ali na região de Bauru. No movimento estudantil, construí o Centro Acadêmico de Psicologia, sofri perseguição política em decorrência de uma mobilização que fizemos, em meados de 2010. Participei do movimento estudantil estadual de psicologia, o Corep (Conselho Regional de Estudantes de Psicologia).

Depois, no mestrado, continuei participando da pauta indígena e me envolvi com a APG, que é a Associação de Pós-Graduandos, um movimento estudantil da pós-graduação. Antes de ir para Araraquara, comecei a me envolver com um coletivo voltado para questões de cidadania.

Terminei o mestrado em 2016 e, antes disso, prestei um processo seletivo para trabalhar no Cimi, que é o Conselho Indigenista Missionário, uma entidade da Igreja Católica voltada para os direitos humanos dos povos indígenas, e não para a evangelização.

Fiquei no Cimi até 2017, antes de entrar no Crepop, o Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas, que é um órgão do conselho de psicologia voltado para produção de conhecimento sobre políticas públicas. Nós fazemos pesquisas, eventos para trazer debates novos para a categoria, participamos do controle social das políticas públicas, dialogamos com os movimentos sociais e por aí vai. Também faço doutorado em psicologia em uma faculdade no Pará.

Nesse momento, comecei a me envolver com o movimento de moradia, mas ainda de maneira mais incipiente. Participava de atividades, dei algumas oficinas voltadas para educação popular etc. No final de 2017, prestei a seleção para dar aula e vim aqui para Araguaína trabalhar na Faculdade Católica Dom Orione no curso de psicologia.

Na faculdade, me sindicalizei, mas não disputei o sindicato, pois a questão de montar chapa é bem difícil no que diz respeito à oposição. Continuei no movimento indigenista e na Direção do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM). Além disso, montamos o Tribuna do Movimento, que é o jornal do movimento de moradia, com o qual eu contribuo.

Lá para 2020, com a pandemia, começamos a intensificar a nossa atuação com populações em situação de rua. Foi quando eu sofri perseguição política: o município pediu a minha cabeça para a faculdade.

No começo deste ano, vim para o PCO, onde decidimos me lançar como candidata ao governo. Então, fui imediatamente demitida e, agora, estou desempregada, mas sigo militando.

DCO: depois disso, da sua demissão, seus alunos se manifestaram, certo?

CH: quando fui demitida, os alunos fizeram uma mobilização não só pela minha demissão, mas por outras, pelo mesmo processo de precarização. Fizeram uma reunião entre eles, uma assembleia, fizeram reuniões com a direção e fizeram dois atos. Uma das reivindicações era justamente a minha volta. Parece que, inclusive, existem matérias, que eu estava ministrando, que até agora estão sem professores.

Nesse sentido, a juventude é muito importante não só para a minha candidatura em si – quando falo minha, digo para o Partido -, mas para a própria revolução. Uma das nossas pautas é a universidade pública para todos: pública, gratuita e de qualidade. Eu mesma falava sobre isso em sala de aula, uma universidade particular, indagando os alunos do porquê eles tinham que estar em uma universidade privada enquanto outros tinham que acessar a pública.

Então essa questão do livre ingresso às universidades, estando em nosso programa, é muito importante que seja pensada e construída com a força da juventude juntos.

DCO: em relação a essa questão da juventude, o seu vice foi barrado de concorrer justamente pela sua idade. O que você tem a dizer sobre isso?

CH: meu vice é jovem. Entendendo, inclusive, o potencial revolucionário da juventude, entendemos que a idade mínima para todos os cargos tem que ser 18 anos. Então, realmente, é algo bastante antidemocrático dentro da justiça eleitoral e o que podemos falar sobre isso é que teremos que trocar o vice, mas que defendemos essa idade mínima para todos os cargos, inclusive os majoritários.

DCO: e a esquerda no Tocantins? Porque a sua candidatura se destaca dentre todas as outras?

CH: eu acho que a minha candidatura em Tocantins se destaca, em primeiro lugar, porque é a primeira vez que o PCO lança candidato a governo aqui no Tocantins. Sendo o PCO o único partido revolucionário do Brasil hoje, é a primeira vez que temos um partido revolucionário disputando o seu programa, colocando o seu programa na rua aqui no estado.

Então diria que o principal destaque é esse. Estamos ocupando a tribuna não para almejar um cargo, mas para divulgar o nosso programa em um momento em que o País, e o próprio PCO, está sendo extremamente atacado, censurado e perseguido. Numa eleição histórica, no sentido de que estamos tentando combater o golpe desde 2016 e o País está essa barbárie toda que temos acompanhado e vivido.

Então, é uma candidatura histórica porque estamos tentando fazer toda essa mobilização aqui no estado em um contexto histórico bastante específico. Me sinto muito honrada de poder estar participando disso, é algo que está fazendo muito sentido pra mim, deposito muita fé nesse processo, nesse trabalho.

Nunca havia saído candidata, tenho muito a aprender, mas acho que, mesmo assim, é uma contribuição muito importante para a luta, como um todo, e para o próprio PCO.

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