A postura política do Partido da Causa Operária diante da crise causada pela pandemia do coronavírus de ir para os bairros populares para contribuir na organização da população e de formação de conselhos populares vem causando um grande desconforto na esquerda pequeno burguesa, que apenas quer tomar uma solução individualista sem avaliar a situação da classe trabalhadora.
O PCO, ao contrário da totalidade da esquerda pequeno burguesa, não correu e se escondeu em casa durante a quarentena, colocou sua militância nas ruas, porque a maioria da classe operária não tem as mínimas condições de ficar em quarentena.
Nas periferias de todo o país, a população não tem o que comer, sofre com a falta de água, de coleta de esgoto e está sem nenhum recurso para garantir a sua sobrevivência no período de quarentena, ao contrário do cenário cor-de-rosa pintado pela esquerda de que é preciso ter a “consciência” de ficar em casa. É importante lembrar aqui que as principais medidas de controle apresentadas pela esmagadora maioria dos especialistas é água limpa e recentes estudos informam que a transmissão do coronavírus pode ocorrer pelas fezes e pelo esgoto.
Os trabalhadores estão totalmente desassistidos, não somente nos locais de trabalho e transporte, mas nos bairros sem nenhuma maneira de sequer adquirir uma máscara ou álcool gel. Moram em casas muito pequenas e sem condições de ficarem o dia inteiro e não é por acaso que nos bairros pobres a população está nas ruas com as crianças. Se não bastassem estarem de maneira forçada nas ruas, o abandono é tão grande que não há sequer informações sobre o que está acontecendo.
Diante desse cenário, para qualquer organização de esquerda, em especial para os militantes do PCO é uma vergonha deixar a população sozinha e sofrendo as consequências da crise econômica e do coronavírus.
Outra coisa que não podemos deixar de criticar aqui é esse setor da esquerda que, por não ter uma política própria, vai a reboque da direita e apoia a repressão para manter a quarentena. O PCO é absolutamente contra essa ditadura que a direita está impondo no País sob a justificativa de combater o coronavírus. O governo tem que realizar uma campanha para que as pessoas fiquem em casa e esclareça o problema e suas consequências, mas acreditar que governos de direita tomam essas medidas para salvar a população é de uma ingenuidade política sem tamanho.
A esquerda e os que criticam o PCO deveriam perguntar qual seria o sentido de sindicatos, partidos políticos e movimentos sociais responsáveis pela organização dos trabalhadores estarem fechados ou em quarentena. Para que serve lideranças e militantes dessas organizações que não vão às ruas num momento de crise, como a que estamos vivendo ou em uma ditadura militar, como nos anos de chumbo a partir de 1964?
Na verdade, os militantes estão indo de casa em casa nas periferias para defender o povo da política dos novos “heróis” da esquerda que surgiram com a pandemia, como Doria, Witzel e o ministro da saúde fascista Luiz Henrique Mandetta. Direitistas conhecidos por esmagar a população pobre e que agora são aplaudidos.
O PCO e seus militantes vão colocar todos os seus recursos e militantes para irem a essas periferias para organizar os trabalhadores e não ficar em casa olhando a situação de miséria do povo e vendo as pessoas morrerem.
Neste momento, existem dois tipos de pessoas. As pessoas que estão vendo a situação de calamidade e que querem defender a humanidade e isso só pode se dar com a mobilização popular e as pessoas que apenas querem salvar a própria pele, numa política mesquinha e individualista do salve-se quem puder.




