No último sábado (3), o padre José Amaro Lopes de Souza deu um depoimento, publicado no jornal Folha de São Paulo, relatando as condições não humanas do Centro de Recuperação Regional de Altamira, no sudoeste do Pará.
José Amaro é sucessor do trabalho da missionária Dorothy Stang (assassinada em Anapu-PA em 2005) tem 52 anos e, por ser acusado por fazendeiros do crime de extorsão, passou 92 dias preso provisoriamente no presídio de Altamira no Pará – local onde ocorreu, no último dia 29, o massacre que deixou 58 mortos.
O padre foi solto em julho devido a um habeas corpus dado por unanimidade pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e escapou do risco de ser uma das 58 vítimas.
Tratamento desigual
Logo que chegou no presídio, mandaram o padre Amaro ficar descalço, tirar o relógio. Poucos dias mais tarde, entrou um senhor preso, de sapato. Duas medidas diferentes para a mesma situação.
Superlotação e pena antes do julgamento
Padre Amaro foi colocado numa cela de 4x4m, que seria para uma pessoa com ensino superior. No entanto, ficou na cela com mais 3 pessoas, todas presos provisórios.
“Presos passam fome… não dá para comer dignamente”
“Para alimentação, a gente recebia um pão, um café e um copo de leite. No almoço, tinha um pacote de farinha, galinha assada ou carne. Repetiam na janta. As minhas irmãs mandavam comida, fruta”, disse padre Amaro.
Mas tinha limite, só podia entrar três maçãs, por exemplo. Sem ajuda, não dá para comer dignamente. Você recebe almoço ao meio-dia e a próxima refeição só chega seis horas depois.
Aquilo não é humano
“Nos dias de domingo, eles só servem café e almoço, não tem janta. Quem não tinha visita, ficava sem comida. Muitos pediam comida tarde da noite, aquilo não é humano. A gente juntava e dava pro carcereiro distribuir. Pão, bolacha. Às vezes, a gente entregava até sanduíches. Mas era pouco pra quantidade de presos que tinha.”
Calor infernal, celas de container
“Era quente demais. Tinha um ventilador ligado direto. A parede esquentava. Camisa, nem pensar, só short mesmo. Você sai do chuveiro e já está quente.
Tem um sistema de celas de container lá, um absurdo. Eram ao menos três. Os agentes entravam lá rapidinho pra fazer tranca e saíam pingando de suor. É só uma janelinha.
Quando os presos que ficam ali passavam perto de mim, eles fediam a couro velho. A aparência era diferente. Muito pra baixo mesmo. Largado. A cor da pelo fica amarela lá dentro, mas a dos presos dos contêineres era ainda mais amarela.”
A segurança de estar preso
“… uma noite chegou um jovem na enfermaria que havia sido furado no lado, na costela. Fizeram os procedimentos. Perfuraram o intestino dele, mas, graças a Deus, não morreu.”
O Partido da Causa Operária (PCO) tem denunciado a sucursal do inferno que são as prisões brasileiras, máquinas de moer pobres. Veja a explicação do companheiro Rui e o programa do partido para este tema.





