Segunda-feira (29), o presidente golpista Jair Bolsonaro fez declarações infames contra Fernando Santa Cruz, pai do atual presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. Fernando foi vítima da ditadura militar, assassinado sob custódia do Estado, segundo depoimentos de agentes da ditadura e documentos dos militares, conforme esclarecido pela Comissão da Verdade. Bolsonaro inventou uma história alternativa para tripudiar de uma pessoa assassinada pelos militares e defender a tortura e o assassinato, seja na época seja no presente.
Falando a jornalistas, Bolsonaro afirmou que “um dia se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto para ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele”. Essa declaração desencadeou uma série de reações contra o governo, tanto em setores da direita golpista, que procura agora não se queimarem tanto, seja em setores da esquerda.
Entre as reações, surgiu o assunto do impeachment de Bolsonaro. O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta, declarou: “Não podemos mais tapar o sol com a peneira. Bolsonaro tem que ser impedido. Ele é um criminoso que idolatra genocidas, torturadores e ditadores. Ele e seu clã miliciano conduzem o país para um estado policial autoritário que corrói a democracia e as instituições da República”. Essas declarações de Bolsonaro caracterizariam crime de responsabilidade, o que justificaria pedidos de impeachment.
O impeachment seria uma saída muito limitada para a crise do ponto de vista dos trabalhadores. A essa altura, trata-se de uma manobra para tentar ainda salvar o governo, substituindo o presidente. Portanto, apresentar agora o impeachment como uma forma de enfrentar o golpe seria em grande medida uma bravata. O enfrentamento institucional, nesse caso, seria um enfrentamento dado nas condições impostas pelos golpistas, em um processo que continuaria sob o controle dos golpistas.
Porém, até agora sequer o pedido de impeachment apareceu. Sequer uma luta nos marcos institucionais está colocada para acabar com o governo Bolsonaro. Amplos setores da esquerda continuam, especialmente no Congresso, levando adiante a política de esperar Bolsonaro terminar o mandato e tentar desgastá-lo eleitoralmente. Essa política é um perigo para os trabalhadores. Não necessariamente o governo continuará fraco indefinidamente. E caso se fortaleça, os ataques contra a classe trabalhadora e suas organizações será muito duro. É preciso exigir o fim do governo, e é necessário fazê-lo nas ruas.





