Na noite de terça-feira, 30/07, mais quatro detentos da casa de detenção de Altamira no Pará foram assassinados, elevando para 62 pessoas mortas nessa que já é a segunda maior chacina em presídios brasileiros, ficando atrás apenas dos 111 presos assassinados pela polícia militar no Presídio de Carandiru, na capital paulista, em 1992.
Após o motim na casa de detenção em Altamira que teria sido originado por disputas entre facções Comando Classe A (CCA) e Comando Vermelho (CV) – segundo versão da Polícia -, o governo do Pará decidiu transferir 30 presidiários para outros presídios e casas de detenção do Estado.
De acordo com nota oficial do governo, os presidiários estavam sendo transportados em caminhão-cela da polícia militar e em determinado momento, no trajeto entre as cidades de Nova Repartimento e Marabá, teria ocorrido uma briga generalizada que teria resultado na morte por enforcamento de quatro presos.
Os corpos dos detentos só foram localizados no destino. O que primeiro chama a atenção é que foi dentro de um caminhão da polícia, portanto com escolta policial e que que uma briga envolvendo 30 pessoas tenha passado absolutamente desapercebida pela segurança da operação, que não tenha produzido nenhum tipo de barulho ou gritos dos envolvidos..
Mais. O governo garante que os presos “eram da mesma facção e viviam juntos nas mesmas celas. Foram comparsas no confronto entre facções”.
A nota acrescenta, ainda, que “durante o transporte, estavam algemados, divididos em quatro celas. A capacidade das celas era para até 40 presos, e 30 eram transportados. O Estado não possui caminhão com celas individuais”.
No mínimo estamos diante de uma história mirabolantemente fantasiosa. Quem assassinou presos algemados, todos da mesma facção, que entram em briga entre si e a segurança responsável pelo transporte simplesmente não percebe que estaria ocorrendo alguma coisa de anormal?
No caso do Pará, é do conhecimento público que depois do Rio de Janeiro, é o Estado onde mais mais cresceram as milícias de extrema-direita compostas por policiais e ex-policias e que já dominam boa parte do tráfico de drogas e de armas e de cobrança de “alugueis”nas das favelas e periferias das cidades.
Uma outra circunstância ainda aponta para uma questão muito particular. As milícias estão em guerra justamente com a Facção Comando Vermelho, justamente o grupo que foi chacinado no presidio de Altamira. Pelos relatos divulgados na imprensa, integrantes do Comando Classe A aproveitaram o momento em que as celas foram abertas para o café da manhã para promover o massacre.
Será tudo coincidência? Diante de um quadro como esse não é difícil vincular a briga entre facções aos interesses das próprias milícias, ou seja, a setores da Polícia. O “ajuste de contas” entre facções rivais tem como grande beneficiário o crime organizado paraestatal.





