Humberto Costa quer colocar Bolsonaro na linha

Na última sexta-feira (26), o líder do Partido dos Trabalhadores (PT) no Senado, o pernambucano Humberto Costa, concedeu uma entrevista à Rádio Jornal, uma estação de rádio sediada em Pernambuco. Na entrevista, Costa critica a indicação de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente ilegítimo Jair Bolsonaro, para o cargo de embaixador do Brasil em Washington, nos Estados Unidos, alegando que “o que não falta no Brasil são bons diplomatas, pessoas preparadas para exercerem uma função como essa”.

O argumento principal utilizado por Humberto Costa para criticar a nomeação de Eduardo Bolsonaro é o de que ele não teria o conhecimento e o preparo técnico suficiente para assumir o cargo. Disse Costa:

O grande problema com Eduardo Bolsonaro é que ele não tem nenhuma experiência nessa área, não tem nenhuma formação em política internacional. A única experiência que ele tem é estar sendo agora presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, é uma pessoa que tem posições muito controversas com relação a própria migração de brasileiros para os Estados Unidos.

Criticar a falta de “preparo” de qualquer membro do governo Bolsonaro é uma política completamente inócua do ponto de vista da esquerda nacional. Afinal, o governo Bolsonaro não é um governo minimamente democrático: é um arranjo feito pelo imperialismo para garantir que a população seja saqueada incessantemente. Desde o golpe de 2016, todas as instituições do Estado estão voltadas única e exclusivamente para atender aos interesses da burguesia: não há lei, nem respeito a qualquer princípio democrático.

O papel da esquerda em relação ao governo Bolsonaro deve ser o denunciá-lo como parte da ofensiva do imperialismo contra os trabalhadores brasileiros e os trabalhadores da América Latina. Apontar suas incoerências ou falhas “técnicas” e “administrativas” não contribuirão em nada para levar adiante a luta contra a direita golpista. Tal política não passa, na verdade, de mera demagogia eleitoral: denunciar os “absurdos” do governo Bolsonaro serve apenas para que o senador pernambucano possa fazer propaganda de si mesmo nas eleições futuras.

Outro aspecto que merece destaque em relação à entrevista de Humberto Costa é a posição do senador em relação a políticos tradicionais da burguesia, intimamente vinculados ao imperialismo. Disse Costa:

Há um longo tempo há uma tradição entre os presidentes de priorizar os quadros do Itamaraty e quando não fizesse isso indicar pessoas que tivessem o conhecimento sobre política internacional, que tivessem uma vivência na questão de relações exteriores. Isso, no caso, de Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, que chegou a indicar um ex-presidente da República, Itamar Franco, para exercer o papel de embaixador em um país europeu.

O elogio a Fernando Henrique Cardoso é uma questão bastante recorrente em meio às discussões no interior da esquerda nacional. Repetidamente, setores da esquerda nacional aparecem alegando que haveria uma ala mais “democrática” na burguesia, que estaria em desacordo com as atrocidades da extrema-direita. Nada poderia ser mais falso: Fernando Henrique Cardoso, assim como o fazia Itamar Franco, representa os mesmos interesses de Jair Bolsonaro: os interesses do imperialismo. Em seu governo, FHC não hesitou em matar milhares de crianças de fome, tampouco em se alinhar com os Estados Unidos nos ataques bárbaros aos países que são oprimidos pela burguesia mundial.

O único caminho para derrotar o governo Bolsonaro e barrar seus ataques é através da mobilização revolucionária dos trabalhadores. É preciso organizar uma ampla mobilização que ponha o governo Bolsonaro abaixo, pressione os golpistas para convocarem novas eleições e tire o ex-presidente Lula das masmorras de Curitiba.

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