O VAR, do inglês Video Assistant Referee, ou simplesmente árbitro de vídeo, foi introduzido de maneira mais marcante no futebol a partir da Copa do Mundo de 2018. Desde então, o que se viu no futebol foi o aumento significativo do controle dos dirigentes de federações sobre as partidas.
A principal justificativa para a implantação do VAR, que foi amplamente difundida pela imprensa golpista, era a de que o vídeo iria inibir os erros de arbitragem. Ou seja, a principal justificativa era a “ética” no futebol. A propaganda dizia que com o vídeo teríamos um futebol limpo, o fair play, como gostam de propagar os defensores do futebol moderno. Como já conhecemos muito bem, essa cruzada ética no futebol, essa cruzada contra a corrupção, levou a mais corrupção.
É possível dizer, sem exageros, que a própria vitória da França na Copa do Mundo foi resultado direto da ação do VAR desde o início do campeonato. Arrumando resultados favoráveis que possibilitaram ou facilitaram a seleção francesa a chegar até a final e ser a campeã. É preciso lembrar que a “arrumação” de resultados não se dá apenas diretamente nos jogos daquele time que se quer beneficiar, mas nos jogos que definem também indiretamente as classificações e adversários da próxima fase. O VAR é um sistema de controle geral de resultados de um determinado campeonato.
Trazido para o Brasil, o VAR já protagonizou episódios grotescos nos campeonatos nacionais. O último foi a anulação de nada menos do que quatro gols do Atlético-PR contra o Flamengo. Independente do mérito da anulação desses gols, o fato é que tal controle sobre o que está acontecendo em campo não faz parte do que é o futebol. É impossível lembrar algum jogo, antes de existir o VAR, que terminou com quatro gols do mesmo time anulados. Este episódio foi apenas um, mas já tivemos muito desde a implantação do VAR no Brasil.
Quando um fator externo ao jogo anula o principal motivo de existência do futebol como paixão, o gol, está decretada a morte do futebol. O futebol tem suas próprias regras, suas próprias leis. O que está escrito no regulamento de uma partida serve para balizar o árbitro de modo que a partida possa ser conduzida de acordo com certa normalidade. No entanto, para quem já jogou futebol ou o acompanha de perto, tais regras não são rígidas. Muitas das vezes, elas estão sujeitas a interpretações, pois é da natureza desse esporte. Apenas para pegar um exemplo, no caso de uma falta, a não ser que ela seja uma agressão bem clara de um jogador contra o outro, está passível de interpretação. Isso porque o futebol é um esporte de contato físico permanente, portanto, é impossível determinar exatamente quando houve falta ou não. E não há nem haverá vídeo no mundo que consiga chegar a essa conclusão sem que continue sendo uma questão de interpretação. Isso vale inclusive para outros casos que aparentemente seriam mais fáceis, como por exemplo, se a bola bateu na mão de um jogador ou se o jogador colocou a mão na bola.
Portanto, o VAR não tem sentido de existência, pois a maioria dos lances continuarão sendo um problema de interpretação. Daí que podemos apenas concluir que o VAR é um enorme arbitrariedade. Isso fica claro inclusive na utilização do VAR nos jogos. Não há critérios.
Na realidade os critérios são definidos pelos dirigentes e cartolas que comandam o futebol e que são apenas o instrumento dos grandes capitalistas que lucram com o esporte.
O VAR, que foi corretamente apelidado de “vídeo para arrumar resultado”, é um instrumento de corrupção dentro do esporte. É um instrumento para meter a mão em determinado time contra o outro. Tudo de acordo com os interesses daqueles que têm mais dinheiro e que portanto são os que controlam os campeonatos.
Acabou que, em nome da ética, temos agora um esquema de roubalheira institucionalizado para favorecer resultados. Assim como o golpe no Brasil que, em nome da luta contra a corrupção, resultou na entrega institucionalizada do País ao imperialismo, no futebol, em nome da ética e do fair play, estamos sujeitos ao controle absoluto dos grandes cartolas e capitalistas do esporte. Estamos sujeitos, portanto, à morte do futebol ou, o que é a mesma coisa, a implantação do chamado futebol moderno, que é o futebol europeu, com muita “ética” (sabemos que é só no discurso e demagogia) e pouco drible, pouca emoção e pouco talento. Por isso, todos os verdadeiramente interessados no futebol devem denunciar amplamente a VAR e toda a operação para atacar o futebol genuinamente popular.




