Quinta feira (4), o jornal Folha da São Paulo publicou uma matéria com o “filósofo” britânico Roger Scruton, onde o acadêmico aponta a esquerda como pessoas “não normais” no sentido patológico. O jornal paulista ousou ir mais longe que o espanhol El País, que caracterizou assim os “extremos”, e botou toda a esquerda no mesmo balaio: pessoas anormais.
Embora possa parecer uma extrapolação apontar a intenção do filósofo como do jornal, não devemos acreditar que todo o destaque tenha sido dado de graça. Scruton é conhecido por ser polêmico, na verdade é desses que apresenta-se como conservador e diz que tem hegemonia nas universidades e nos governos.
Bolsonaro chegou por vezes a divulgar vídeos de Scruton e citá-lo em suas redes sociais, o próprio mentor do presidente, Olavo de Carvalho, foi quem introduziu o britânico no país na década de 90. Não é à toa essa identificação na extrema-direita brasileira com o filósofo, pois a tática usada por ela sempre foi essa, apontar a esquerda como o mainstream, hegemônica, como se fosse ela a a causa das crises capitalistas. Usa-se da tradicional demagogia fascista que confunde qualquer setor mais atrasado da pequeno-burguês. Obviamente Roger alega não concordar com Bolsonaro, agora que o capitão está mais impopular do que nunca, mas não faz mais que botar em um linguajar rebuscado e erudito as ideias de Bolsonaro.
A ideia de apresentar a esquerda como patológica nasceu dos nazistas. Em quanto a direita tradicional sempre atacou a esquerda de forma mais discreta, sempre simulando uma democracia, o fascismo veio para ser mais incisivo, mas direto; mais escrachado. Enquanto a Folha vez ou apresentam ponto de vistas com vernizes de esquerda, Scruton vem com a difamação mais direta e pujante, cujo jornal aproveita e apresenta como se estivesse apenas divulgando um modo de pensar diferente.
A opinião da burguesia vem sempre dissimulada através de sua imprensa. A Folha concede espaço para figuras esquerdistas da pequeno-burguesia terem colunas, enquanto nos editoriais solta seu verdadeiro veneno, ataca, difama e cerca a esquerda. Não é incomum que a burguesia use a própria esquerda para atacar os trabalhadores e o socialismo, apontando as figuras mais centristas e inofensivas como exemplos de modo a criar um espantalho e desmoralizar a esquerda revolucionária.
Nesse caso, não devemos nos enganar, o que diz Roger Scruton é o que diz Olavo, Bolsonaro, Folha e a burguesia em geral.




