No último domingo (30), a burguesia organizou várias manifestações em defesa do governo Bolsonaro e do ministro da Justiça Sergio Moro. Extremamente esvaziadas, as manifestações expressaram, mais uma vez, a crise profunda em que se encontra o regime político golpista. Bolsonaro, que assumiu o governo há seis meses já é tão impopular como os demais presidentes neoliberais. Moro, ministro do primeiro escalão do governo e comandante de uma das principais operações montadas para sustentar o golpe de Estado de 2016, foi desmascarado em uma série de vazamentos feitos pelo portal The Intercept Brasil.
O general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, participou da manifestação que aconteceu em Brasília. Em seu discurso, Heleno demonstrou o desespero em que a burguesia se encontra diante do fracasso do governo Bolsonaro e da crescente revolta popular. De boné azul e camisa amarela, o general subiu em um carro de som – o que é bastante inusitado e comprova a artificialidade dos atos do domingo, que não eram populares em nenhum aspecto – e falou:
“Hoje é um dia histórico para esse país. Nós acabamos de chegar – presidente da República e sua comitiva – da reunião do Grupo dos 20, que reúne os maiores países do mundo em Osaka, no Japão. Mais uma vez, as previsões do esquerdopatas, dos derrotistas, fracassou (sic). O presidente do Brasil volta de Osaka devidamente homenageado pelos grandes chefes de Estado do mundo. Foi recebido com todas as honras não só pelo governo japonês, mas por todos que estavam lá presentes, incluindo o presidente Macron, a presidente Merkel, o presidente Trump e todos os outros dignatários dos países que estavam presentes”.
Se o governo Bolsonaro chegou ao ponto de precisar ser defendido em um carro de som por um general, e se esse general precisou vir a público para mentir descaradamente – visto que Bolsonaro não foi recebido com honras, mas sim escanteado pelos chefes de Estado -, é hora de a esquerda e os setores democráticos partirem para uma ofensiva contra os golpistas.
O discurso contra os “esquerdopatas”, que é uma demonstração de histeria típica da extrema-direita, é outro indício importante de que setores fundamentais estão desesperados para a sustentação do governo Bolsonaro, e apelam para o fascismo. Diante disso, é necessário aproveitar a oportunidade para colocar os golpistas contra a parede e exigir, sem qualquer hesitação, a liberdade de Lula, o fim do governo Bolsonaro e a convocação de eleições gerais.





