O PSTU é o partido da esquerda pequeno-burguesa que ficou conhecido por apoiar golpes ou tentativa de golpes de Estado imperialista pelo mundo todo. No Egito, na Ucrânia, na Síria, na Venezuela, no Brasil e outros. Com isso, o partido não tem desperdiçado as chances de se colocar em aliança com a direita nesses países e com o imperialismo de um modo geral.
De um modo geral, o que justifica essa política do PSTU é a ideia de que os setores da direita pró-imperialista são iguais aos governos golpeados, de um modo geral partidos nacionalistas de esquerda burguesa. Essa política semi-anarquista do PSTU, que desconsidera a luta de classes entre diferentes setores sociais, inclusive dentro da própria burguesia, serve apenas como uma justificativa moral para no final das contas apoiar a direita pró-imperialista.
Aqui no Brasil, por exemplo, fica muito claro que a política do PSTU durante o impeachment de Dilma Rousseff de “fora todos” e “PT é igual a Temer e PSDB” só poderia servir para justificar o governo Bolsonaro. Se Dilma e Lula são iguais a Temer, e Bolsonaro é uma continuidade de Temer, logo, Bolsonaro e seu governo seriam exatamente como os governos do PT e portanto nos restaria esperar para, quem sabe, o PSTU ganhasse as próximas eleições.
Logicamente que essa realidade especial do PSTU não suporta a lógica. Eles mesmos, diante da iminente vitória de Bolsonaro nas eleições fraudadas, correram para apoiar Fernando Haddad do PT no segundo turno.
O desenvolvimento da situação política no Brasil desmente a política do PSTU. O governo golpista, desde Temer até agora com Bolsonaro, vem colocando em prática uma política de devastação nacional e dos direitos do povo. Seria até difícil enumerar todos os ataques que os golpistas já realizaram e os que eles estão prestes a realizar caso não sejam freados por uma mobilização popular. Segundo o PSTU, o PT é igual a Temer, inclusive por ter colocado em prática políticas de ataques ao povo, mas fica difícil esconder que nesses cerca de três anos de golpe, as medidas anti-povo são infinitamente mais profundas e numerosos do que durante os 14 anos de governos do PT.
A realidade se impõe. O próprio PSTU tem dificuldade hoje de apresentar tal política, que parece absurda até para os mais inexperientes. Mas graças ao documentário “Democracia em Vertigem”, dirigido por Petra Costa, tivemos a oportunidade de rever as posições direitistas do PSTU sobre o golpe.
Para criticar o filme, o PSTU publicou artigo intitulado “A realidade em vertigem” que retoma toda a política golpista do PSTU desde os anos do impeachment. Pelo título da matéria, a tese do filme, de que a democracia brasileira teria sido atacada pelo golpe, é absurda e quem pensa assim, estaria fora da realidade.
Segundo a matéria, não houve golpe no País. A ideia de golpe é uma “fábula do PT” e a cineasta, assim como faz o PT, teria inclusive “ajustado” os fatos para justificar sua tese. Nenhuma coincidência com o que diz a direita sobre a “tese do golpe” do PT.
Para o PSTU, não houve golpe porque Dilma e Lula fizeram uma política de conciliação de classes, durante os governos do PT continuaram os assassinatos na periferia, Dilma fez o ajuste fiscal e portanto, vejam que genial, “não foi por menos que os banqueiros e o sistema financeiro resistiram até o último momento ao impeachment. (…) A fração majoritária da elite não tramou sua queda, mas a segurou até onde pôde.” Segundo o PTU, então, os banqueiros não queriam derrubar o governo do PT. Só não está explicado na matéria por que então a FIESP a rede Globo e toda a imprensa capitalista queriam. Será que os banqueiros romperam com a rede Globo e não sequer ficamos sabendo? Ou será que de acordo com a “realidade” do PSTU a FIESP e a imprensa capitalista também não eram a favor de derrubar Dilma? Faltou explicar essa “fábula” para o leitor.
Dessa “realidade especial” de que não houve golpe porque a “elite” estava com Dilma, o PSTU parte para outra dimensão: a de que o impeachment era apoiado pelo povo e que portanto não houve e não há polarização política. Diz o artigo: “não existiram manifestações de massas contra o impeachment de Dilma, simplesmente porque 70% da população apoiavam a sua saída.(…) a maioria da população, inclusive os mais pobres, estivessem a favor da saída da presidente.”
Exatamente como dizia os órgãos da imprensa capitalista na época, Dilma seria tão impopular que foi o povo que a derrubou e que não teriam existido manifestações de massa para defender o governo do PT. Mas aí falta mais uma explicação para a “fábula” do PSTU. O povo seria então aqueles verde-amarelos que saiam nas ruas pedindo o impeachment, a morte da esquerda etc? Esses que, agora se apresentam como a base de Bolsonaro, seriam o povo? Os 70% que queria derrubar Dilma? As manifestações da esquerda contra a queda de Dilma seriam o que exatamente? A burguesia?
O PSTU não explica porque precisa sustentar a sua realidade especial. Criada para justificar uma política que se coloca a reboque da direita e do imperialismo e que agora, com o desenvolvimento da situação política, tende a ficar a reboque da extrema direita, que segundo eles, é o “povo”.




